PORTUGUÊS: Dicas e curiosidades!

Olá, prezado leitor, tudo bem com você? A coluna desta semana traz dicas e curiosidades sobre português. Inclusive algumas delas derrubam os menos avisados. Portanto, leia com atenção e coloque no seu radar.

De onde vem a palavra “poleiro”?

Você já pensou sobre a origem da palavra que descreve o objeto em que pousam as aves? É quase certo que você já tenha visto a forma “puleiro”, com “u”, grafada incorretamente. As aves, especialmente os galináceos, dormem no poleiro, nas varas atravessadas onde pousam. Da formação “polo + eiro”, a grafia deve fazer uso da letra “o” (e não “u”).

Em pesquisa, Cláudio Moreno apresenta a história do termo poleiro: “…todas as línguas românicas utilizam um derivado do Latim pullus, “filhote”: o Francês tem poule, o Italiano tem pollo, o Espanhol tem pollo. O Português primitivo também teve polho, mais tarde polo (/ô/); no entanto, por razões até hoje obscuras, nosso idioma foi aos poucos abandonando esta palavra e substituindo-a por frângão, forma antiga que evoluiu para o nosso frango, reservando o pouco conhecido polo para designar o filhote do falcão.”

No mundo do futebol, a palavra “frango” é atribuída a uma falha do goleiro. No Guia dos Curiosos da Língua Portuguesa, o pesquisador Marcelo Duarte expõe:  “a explicação mais aparente, ainda que um pouco imprecisa, é que, ao escapar facilmente das mãos do goleiro, a bola parece estar ‘viva’, como se reproduzisse o baile que um frango no galinheiro costuma dar em quem tenta pegá-lo.”

Além desses pontos históricos, nota-se que o cantar das galinhas e outras aves de canto semelhante é o cacarejar. Gramaticalmente os verbos que designam vozes de animais são os unipessoais. Em tese, só aparecem nas terceiras pessoas do singular ou plural. Alguns dos mais conhecidos: balir (ovelha e cordeiro), cacarejar (galinha), grunhir (porco, javali), latir (cão), miar (gato), mugir (boi, vaca), rugir (leão, tigre).

Quando usados metaforicamente, os unipessoais poderão vir em outras pessoas:

“Naquela celebração, eu miava, tu miavas, nós miávamos – era o dia mais feliz de nossas vidas.”                      

“O Congresso, diante de tamanho animalismo, lembrava-me um poleiro. Eu, pobre eleitor, latia insano.”

“Quando a Deus prouver”: você sabe o que significa esta frase?

Qual o significado do verbo prazer? Sim, existe o verbo prazer e a sua conjugação é peculiar. No trecho “Quando a Deus prouver, prazerá ao filho também.”, que significam os verbos?

Do latim placere, a forma prazer pode ser verbo, com o sentido de “causar prazer ou satisfação; agradar; aprazer, comprazer”. Além de ser transitivo indireto, é irregular e só é usado na terceira pessoa do singular ou do plural. Como não possui a conjugação completa, é também chamado de defectivo: praz, prazem, prazia, praziam, prouve, prouveram, provera, prouveram, prazerá, prazerão, prazeria, prazeriam, praza, prazam, prouvesse, prouvessem, prouver, prouverem, praza, prazam, prazer, prazerem, prazendo, prazido.

Em outras palavras, a frase inicial pode assim ser reescrita: “Quando a Deus agradar, agradará ao filho também.”

Diante da citada transitividade verbal, o verbo prazer deve estar acompanhado do pronome oblíquo átono “lhe”, representando o objeto indireto: “Praz ao deputado zombar de todos nós.”

O complemento verbal de “praz” é “ao deputado” (objeto indireto). Sendo assim: “Praz-lhe zombar de todos nós.”

Já em Quincas Borba, Machado de Assis registrou: “Prouvera a Deus que fosse só isso! suspirou o zangão.”

Com essa forma pretérita mais-que-perfeita (que indica ação concluída antes de todas as outras), “Prouvera a Deus” tem sentido particular: significa “queira Deus”, “tomara”, “assim seja”.

Viva a nossa Língua Portuguesa!

Então, prezado leitor, gostou das dicas e curiosidades dessa semana? Bom descanso e aguarde outras dicas!

Fonte: Notícias sobre Dicas de Português – revista Exame

CLIQUE AQUI E LEIA OUTROS ARTIGOS DA COLUNA “PORTUGUÊS”

Comentários