PORTUGUÊS: Curiosidades sobre a nossa língua

Prezado leitor, hoje vamos direto ao assunto, sem desvios ou lero-lero. Você sabe o que significa a expressão “deixar para as calendas gregas”? E de onde vem o “tear de Penélope”?

“Deixar para as calendas gregas” significa “deixar para uma data muito distante, é adiar a solução de alguma coisa para um tempo que nunca há de vir”. Calendas (daí o calendário) era o primeiro dia de cada mês no calendário romano. Não havia o termo calendas no calendário grego. Quando os romanos ironicamente falavam das “calendas gregas”, queriam referir-se a uma data que não existia. Adiar a solução de um problema para as calendas gregas é, portanto, deixar para o dia de “São Nunca”.

O “tear de Penélope” é o trabalho que precisamos recomeçar sempre, e que nunca acaba. A origem do “tear de Penélope” está na Odisseia, umas das famosas obras épicas de Homero, escritor grego. Penélope era a linda e fiel esposa do valente Ulisses. Após anos de ausência, muitos supunham que o herói estivesse morto. Em razão disso, os jovens príncipes de Ítaca acharam-se no direito de desejar a mão da bela Penélope. A sempre fiel esposa prometeu casar-se tão logo terminasse de tecer a mortalha do seu velho sogro Laertes. O problema é que Penélope tecia durante o dia e desfazia o trabalho à noite. Dessa forma o tempo passou sem que a obra chegasse ao fim. Assim fez Penélope até a volta de Ulisses.
Pelo visto, a nossa Penélope ficou tecendo, tecendo e deixou o casamento com os jovens pretendentes para as calendas gregas.

E você sabe de onde vêm o elefante branco e o bode expiatório?

Um elefante branco é algo grandioso, com aparência magnífica, mas que cria muitos problemas ou provoca grandes prejuízos devido ao trabalho ou despesas que dá.

Dizem que na Tailândia havia uma prática antiga: toda vez que o rei queria arruinar um inimigo, dava-lhe um elefante branco. Por tratar-se de um animal sagrado, o presenteado não podia desfazer-se do elefante branco. É como diz o professor Antenor Nascentes no seu Tesouro da Fraseologia Brasileira: “…e a despesa com a manutenção bastava para comprometer as mais sólidas fortunas”.

Quanto ao bode, primeiro é importante observarmos que expiatório se escreve com “x”. Um bode expiatório não é, como alguns imaginam, um cara chato que anda espiando os outros. Não é um “bode espião”.

Expiatório vem do verbo expiar (=penar), e não de espiar (=espionar, olhar, observar). O tal bode expiatório é aquele que paga pelas culpas alheias, é quem pena pelos outros.

A origem é bíblica. Os hebreus tinham o costume de, anualmente, fazer uma festa para aplacar a ira divina. Um bode, após receber todas as maldições, era jogado no deserto. Sua função era expiar (=redimir, purificar) a culpa do povo. Daí o bode expiatório.

Você sabe o que significa e qual é a origem da expressão “pomo da discórdia”?

Pomo da discórdia é a pessoa ou coisa que provoca uma desavença e sua origem está na mitologia grega.

Pomo foi uma maçã oferecida pela deusa Discórdia que gerou uma grande disputa.
Tudo começou com o nascimento de Páris, segundo filho de Príamo, rei de Troia. Devido à profecia de que Páris causaria a ruína da pátria, o rei mandou matar o próprio filho. Entretanto, atendendo aos apelos de Hécuba, a rainha, o pastor Agelus levou Páris para o monte Ida, onde o menino cresceu e tornou-se forte e belo como um deus do Olimpo.

Num belo dia, foi chamado para decidir uma difícil questão. Na festa de núpcias de Tétis e Peleu, todas as divindades estavam presentes, menos a deusa Discórdia, que não fora convidada. Irritada pela ofensa, a deusa apareceu repentinamente na hora do banquete, e jogou sobre a mesa uma maçã (= pomo, daí a palavra pomar) de ouro com a seguinte inscrição: “À mais bela”. As deusas Juno, Minerva e Vênus começaram a brigar pela maçã. Júpiter, o pai dos deuses, teve de intervir. Encarregou o deus Mercúrio de levar as rivais para Frígia e de submeter o caso a julgamento do primeiro mortal que fosse encontrado.

Adivinha quem foi? Páris, é claro. Como de hábito (e péssimo exemplo para o futuro), cada deusa ofereceu algo valioso para que Páris lhe desse o julgamento favorável: Minerva prometeu-lhe sabedoria e glória; Juno, riqueza e o império da Ásia; e Vênus ofereceu a Páris o amor da belíssima Helena, esposa do rei grego Menelau. Páris deu o pomo da Discórdia para Vênus. Ganhou, assim, o amor de Helena, e, com isso, deu origem à guerra que causou a ruína de Troia.

Fonte: dicas do professor Sérgio Nogueira

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Celso Charneca Leopoldino é graduado em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo, pós-graduação em Marketing para Executivos e MBA em Gestão Socioambiental. Fez vários cursos nas áreas de gestão social e de gestão de comunicação estratégica. Possui mais de 35 anos de experiência em comunicação empresarial, gestão social, relações com comunidades e relações institucionais.