PORTUGUÊS: Curiosidades da língua portuguesa

Meus caros leitores e amigos, hoje vou mostrar algumas curiosidades sobre a língua portuguesa. Além de pitorescas, elas são importantes no nosso dia a dia e, principalmente, algumas delas são cobradas em provas e concursos.

Então, sem mais delongas, vamos às curiosidades.

“O alface” ou “a alface”?

Alface é um substantivo feminino, logo, diz-se a alface. A dúvida acerca do gênero dessa palavra surge, sobretudo, porque ela termina em “e”, não possuindo vogal final que marque o feminino (a) ou o masculino (o).

Na língua portuguesa existem muitas palavras terminadas em “e” que apresentam a mesma forma no masculino e no feminino, como o cliente/a cliente, o agente/a agente, o estudante/a estudante,… Contudo, essa regra não se aplica à palavra alface, que tem gênero feminino definido. A utilização da palavra alface no masculino também sofre influência da designação do conjunto das suas folhas, o pé de alface.

Qual o jeito correto de pronunciar Roraima?

“Roráima” ou “Rorâima”, como você preferir. É que, segundo os linguistas, as regras fônicas de uma palavra são regidas pela língua falada. Portanto, não há certo ou errado. Há apenas a maneira como as pessoas falam.

O que se observa na língua portuguesa falada no Brasil é que sílabas tônicas que vêm antes de consoantes nasalizadas (como “m” ou “n”) também se nasalizam (aperte o seu nariz e repita a palavra cama. Sentiu os ossinhos vibrarem? É a tal nasalização). Por isso, a gente diz “cãma” – o “ca” é a sílaba tônica e o “m” é nasalizado. Se a sílaba que vier antes dessa mesma consoante não for uma sílaba tônica, a pronúncia passa a ser opcional: você escolhe – “bánana” ou “bãnana”.

No caso de Roraima, a sílaba problemática (“ra”) é tônica e vem antes do “m”. Mas aí entra em cena o “i”, que acaba com qualquer regra. A mesma coisa acontece com o nome próprio Jaime: tem gente que nasaliza, tem gente que não.

Então, fique tranquilo: se você sempre falou “Rorâima”, siga em frente – ninguém pode corrigi-lo por isso. No máximo, você vai pagar de turista se resolver dar umas voltas por lá – os moradores do estado, não adianta, são unânimes em falar “Roráima”.

Cinco palavras que muitas pessoas pronunciam errado

Existem termos com os quais até mesmo os falantes cultos nativos de língua portuguesa se confundem e cometem deslizes ao se expressarem. Confira as cinco palavras a seguir e veja se você sabe pronunciá-las corretamente: INEXORÁVEL (inabalável, inflexível, austero, rígido). Pronúncia frequente: “ineczorável”. Pronúncia correta: “inezorável”; RUBRICA (assinatura abreviada de alguém). Pronúncia frequente: “rúbrica”. Pronúncia correta: “rubríca”; RUIM (algo que não faz bem, nocivo). Pronúncia frequente: “rúim”. Pronúncia correta: “ruím”; SINTAXE (estudo da estrutura gramatical das frases). Pronúncia frequente: “sintácse”. Pronúncia correta: “sintásse”; SUBSÍDIO (apoio, recurso financeiro, quantia de dinheiro, vencimento). Pronúncia frequente: “subzídio”. Pronúncia correta: “subcídio”.

Por que existem vários jeitos de escrever “por quê”?

Na maioria dos idiomas, é mole diferenciar: em inglês, pergunta-se com why e responde-se com because, enquanto os franceses contrapõem um pourquois com parce que. Mas, como os portugueses teimaram em usar o mesmo termo para as duas funções, os gramáticos precisaram usar a imaginação.

No latim clássico, havia duas palavras: quare para perguntar e quia para responder. Mas em português prevaleceu a expressão do latim vulgar, pro quid, que passou a exercer dupla jornada em perguntas e respostas. “Para diferenciar, alguém teve a ideia de escrever um junto e o outro separado”, explica Caetano Galindo, linguista da Universidade Federal do Paraná. Os registros mais antigos dessa distinção são do século 13, mas em 1500 Pero Vaz de Caminha ainda se atrapalhava na Carta do Descobrimento.

Para complicar, em 1931 surgiram no Brasil mais duas regras: o “que” ganhou circunflexo quando é tônico (antes de pontuação) e o “porque” substantivo virou “porquê”. No dia a dia, porém, simplificamos tudo radicalmente: do bilhete à internet, só existe um “pq”. Exemplos: Por que essa cara?
Ele não é separado e sem acento só quando introduz perguntas, mas também quando substitui “qual motivo” e “qual razão”, como em “eu não sei por que você saiu”; Porque a coisa não está fácil. É o das respostas, junto e sem acento. Também surge quando pode ser substituído por “pois”: “saí porque estava atrasado”. Mas por quê? É acentuado quando o “que” é tônico. Isso fica mais evidente antes de um sinal de pontuação, como “você saiu por quê?” Perguntas demais! Esse é o porquê. É o substantivo, que pode ser substituído por “o motivo”, “a razão”. Também usado se for possível colocar “o” ou “um” na frente dele: “quero saber o porquê da sua saída”.

Se gostaram, podemos ver mais algumas curiosidades na próxima semana. Até lá!

Abraços!

Fonte: Só Português

CLIQUE AQUI E LEIA OUTROS ARTIGOS DA COLUNA “PORTUGUÊS”

Comentários

Celso Charneca Leopoldino é graduado em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo, pós-graduação em Marketing para Executivos e MBA em Gestão Socioambiental. Fez vários cursos nas áreas de gestão social e de gestão de comunicação estratégica. Possui mais de 35 anos de experiência em comunicação empresarial, gestão social, relações com comunidades e relações institucionais.