PORTUGUÊS: Continuando a falar sobre dúvidas e dicas

Prezado leitor, prometo que essa é a última semana na qual trato do assunto em epígrafe. As dúvidas de ortografia e as relações inusitadas entre palavras no português precisam ser mostradas, porque elas são alvo de provas e questionamentos em concursos. Então, vamos a elas!

A expressão “logo menos” faz sentido em português? Está correto usar essa expressão? Pois bem, qual seria a lógica no uso da expressão LOGO MENOS, cada vez mais comum por parte de apresentadores de TV?

LOGO, como advérbio, significa imediatamente, sem tardança: “Cumpre ir logo chamar o médico”. Na Língua Portuguesa falada no Brasil, a locução “logo mais” indica “mais tarde”, “daqui a alguns minutos”, “daqui a pouco”, “em tempo imediatamente seguinte a outro”, “numa série”, “após”.

Vale um lembrete: “daqui a”, para indicar tempo ou distância, nunca deve ser utilizado com o verbo haver “há”. É sempre com a preposição A, em função da relação futurística. Exemplos: “Daqui a pouco, estaremos em nossa escola”, “Daqui até à praia, vai-se a pé”.

Com o passar do tempo, surgiram diversas locuções (conjunto de palavras) em união a LOGO: “Até logo mais”: sinônimo de “até logo”, cumprimento de despedida que se usa quando se espera rever proximamente o interlocutor; até mais tarde; até breve. “Desde logo”: desde aquele momento; logo, portanto.

“Logo que”: no momento em que; assim que; mal. Cita o Aurélio, a esse uso, um trecho machadiano, com as Crônicas de Lélio: “Ontem, logo que tive a notícia da crise ministerial, recolhi-me a casa para esperar os acontecimentos.”

“Logo, logo”: com a maior urgência; imediatamente; já, já.

“Para logo”: sem demora, de pronto.

“Tão logo”: mal, apenas; logo que: “Acendia, tão logo anoitecia, todas as lamparinas da casa”.

Portanto, “logo mais” tem relação lógica com “daqui a mais algum tempo”, sendo incoerente a troca do “mais” por “menos”, em “logo menos”. Se o fato ocorrerá “daqui a mais alguns minutos”, haverá “mais”, e não “menos” tempo. Como afirmou Sérgio Rodrigues, em artigo sobre o mesmo tema: “‘logo menos’, analisados friamente seus termos, não faz sentido algum”.

De onde vem a palavra “omelete”?

“O prato consiste de um omelete saboroso. Experimente nosso omelete!”. Quais são os erros da frase? E de onde vem a palavra “omelete”? O substantivo “omelete”, no registro oficial, é apenas um substantivo feminino. Assim sendo, em obediência à concordância, seus determinantes deverão estar também no feminino: a omelete, uma omelete, nossas omeletes, aquela omelete benfeita e saborosa.

Deonísio da Silva, em pesquisa, elucidou a origem do termo:

Do francês omelette, fritada de ovos, palavra formada provavelmente de esdrúxula transformação de alumelle, navalha, lâmina arredondada de algumas armas, dita também alumette e alemette, por influência do latim lamella, lâmina pequena. O alimento foi comparado a uma lâmina por sua espessura fina. Em italiano é omeleta. Em Portugal, omeleta. No alemão, omelett. Em inglês é omelet.”

Além de “omelete”, outro termo advindo do francês (e que só deve ser utilizado no feminino) é “musse”:  a musse, uma musse saborosa, uma musse repleta de arte, aquela bela musse de chocolate.

Ainda, existe um verbo merecedor de destaque: consistir. Do latim consistere, requer complemento regido da preposição “em”. No sentido de compor-se de, ser constituído de: “A dieta de Silva consistia em omeletes generosas”. De acordo com o gramático Domingos Cegalla, deve ser evitada a regência “consistir de”.

Em suma, para se adaptar à norma gramatical: “O prato consiste em uma omelete saborosa. Experimente nossa omelete!”

Fonte: Notícias sobre dicas de português – revista Exame.

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Celso Charneca Leopoldino é graduado em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo, pós-graduação em Marketing para Executivos e MBA em Gestão Socioambiental. Fez vários cursos nas áreas de gestão social e de gestão de comunicação estratégica. Possui mais de 35 anos de experiência em comunicação empresarial, gestão social, relações com comunidades e relações institucionais.