PORTUGUÊS: conheça outras curiosidades da nossa língua

Prezado leitor, pelo retorno que tivemos, as dicas e curiosidades sobre português estão, de fato, chamando e prendendo a atenção de quem as acessa. Principalmente porque elas costumam aparecer em provas e concursos e derrubam os menos avisados.

Ao iniciarmos essa coluna sobre a nossa língua pátria – essa será a 164ª coluna -, nosso objetivo foi chamar a atenção para o pouco caso, ou descaso, para com o português que, em concursos, é matéria de corte e, portanto, fundamental para quem quer ser aprovado.

Isto posto, vamos a mais dicas e curiosidades.

Você sabe o que são palavras cognatas? Cognato vem do latim cognatu: prefixo “co” (=junto) + “nato” (=nascido). São palavras “nascidas juntas”, isto é, palavras que têm a mesma raiz. Natus, em latim, era o particípio passado do verbo nascor (=nascer). Natu nobilis, aquela marca antiga de uísque, significa “nascido de origem nobre”.

E tudo isso faz lembrar o Natal, festa cristã que comemora o nascimento de Jesus. É interessante lembrar que o adjetivo natal significa “relativo ao nascimento, lugar de nascimento”: terra natal, cidade natal. Também são cognatas: natalino (=relativo ao Natal), natalício (=relativo ao dia do nascimento), natalidade (=percentagem de nascimentos), natimorto (=que nasceu morto). E um craque nato é aquele que já nasceu craque. O adjetivo nato é o mesmo que nado. Ambos significam “nascido, que é de nascença, congênito”.

Observe outros exemplos de palavras cognatas:

  • Lei (legal, ilegal, legalizar, legislar, legislação, legislativo);
  • Cor (decorar, decoração, colorir, corar, corante, incolor, tricolor);
  • Coração (decorar = saber de cor, cordial, concordar, discordar);
  • Roda (rodeio, rótula, rotina, rotativa);
  • Mês (mensal, bimensal = duas vezes no mês, menstruação, bimestral = de dois em dois meses);
  • Rei (Regina = rainha, reger, regência, regente);
  • Cabeça (decapitar, capuz, capitão, capital)

Algumas dicas

Eu MEÇO ou MESSO? O certo é MEÇO. MEDIR apresenta a mesma irregularidade do verbo PEDIR: Eu peço – eu meço; ele pede – ele mede; que ele peça – que ele meça.

Eu OPTO ou ÓPITO ou OPITO? O certo é OPTO. O verbo OPTAR não tem “i”:
Eu opto, tu optas, ele opta, nós optamos, vós optais, eles optam.

PERCA ou PERDA? PERDA é o substantivo: “Houve uma PERDA irreparável.”
PERCA é verbo (=presente do subjuntivo): “É preciso que você PERCA três quilos.”

Um desafio

O que significa cognição?

  1. que nasce junto;
  2. aquisição de conhecimento;
  3. ato de cozer, cozinhar.

Resposta

Número 2. Cognitivo vem do latim cognitus, particípio passado de cognoscere (=conhecer).
Cognação é o parentesco consanguíneo pelo lado materno ou paterno, indiferentemente.
O ato de cozer é cozimento ou cozedura.

Uma dúvida

Deu num bom jornal: “Slobodan Milosevic começou, naquela semana, longo calvário no Tribunal da ONU…”
Comentário do leitor: “Uma das primeiras obrigações do jornalista é saber usar adequadamente as palavras e o uso da metáfora “calvário” para Milosevic é de uma infelicidade pasmosa.”
Está feito o registro.

O uso de metáforas é sempre perigoso. Associar o “calvário de Cristo” a um possível “sofrimento de Milosevic” é realmente de muito mau gosto.
E, por falar em mau gosto, lembrei-me daquela repórter abaladíssima diante das atrocidades da guerra. Depois de ver tanta desgraça, consolou-se: “Este aqui, por sorte, só perdeu uma perna”.
Nunca vi alguém perder uma perna por sorte!

Até a próxima semana!

Fonte: dicas do professor Sérgio Nogueira.

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Celso Charneca Leopoldino é graduado em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo, pós-graduação em Marketing para Executivos e MBA em Gestão Socioambiental. Fez vários cursos nas áreas de gestão social e de gestão de comunicação estratégica. Possui mais de 35 anos de experiência em comunicação empresarial, gestão social, relações com comunidades e relações institucionais.