PORTUGUÊS: confira essas curiosidades sobre a nossa língua

Prezado leitor, após uma breve pausa, voltamos com a coluna sobre português. E como fomos desafiados, continuamos publicando dicas e curiosidades sobre a língua portuguesa. Dessa vez selecionamos umas bastante interessantes para você.

O que são neologismos?

São palavras ou expressões novas numa língua. Neologismo é uma palavra de origem grega: “neo” (=novo) + “logo” (=palavra) + sufixo “ismo”. O elemento “neo” aparece em muitas palavras do nosso dia a dia: neoclássico, neofascista, neolatino, neoliberal, neonazista, neozelandês.

Segundo o novo acordo ortográfico, só devemos usar hífen quando a palavra seguinte começar por “h” ou “vogal igual”: neo-helênico, neo-hamburguês, neo-holandês, neo-orleanês, neorrepublicano, neossalomônico, neoevolucionista, neobudista, neocapitalismo, neofascista, neoliberal, neozelandês.

A polêmica, entretanto, é a aceitação dos neologismos. Para alguns, somente o registro em nossos dicionários avaliza o uso dessas novas palavras. Outros aceitam qualquer novidade. Muitos têm certas preferências, às vezes sem um critério mais claro.

A palavra “imexível” é um belo exemplo do que estamos falando. Para alguns, o fato de aparecer no dicionário Houaiss significa que seu uso está liberado, como se qualquer falante estivesse proibido de utilizá-la antes da publicação do novo dicionário. O processo de formação da palavra “imexível” está perfeitamente de acordo com os nossos padrões gramaticais: prefixo “i” (negação) + raiz do verbo mexer + sufixo “vel” (possibilidade) = “não pode ser mexido”. É o mesmo processo de insubstituível, invencível, invisível, imutável, indestrutível… Isso significa que não tem nada de “errado” com a palavra “imexível”. O preconceito que há contra a palavra se deve provavelmente à “fonte criadora”. A língua é sábia. É como se fosse a nossa própria língua a saborear novas palavras. Engolimos as gostosas e cuspimos aquelas que não nos agradam. E isso quem diz é o tempo.

Algumas dicas

PODE ou PÔDE ou POUDE?

Poude não existe.

Ele PODE (=presente do indicativo);

Ele PÔDE (=pretérito perfeito do indicativo).

PRESENTE DO INDICATIVO       PRETÉRITO PERFEITO DO INDICATIVO
Eu posso                                             Eu pude
Tu podes                                             Tu pudeste
Ele PODE                                           Ele PÔDE
Nós podemos                                     Nós pudemos
Vós podeis                                          Vós pudestes
Eles podem                                        Eles puderam

Se eu POR, PUZER ou PUSER?

O certo é “se eu PUSER”.

POR (=sem acento) é preposição: “Eu vou POR este caminho”.

PÔR é o infinitivo do verbo: “Eu vou PÔR o livro sobre a mesa.”

PUSER é o futuro do subjuntivo: “Se você PUSER o casaco, sairemos.”

Nas formas verbais de PÔR, o som “zê” é escrito sempre com “s”:

Eu pus, tu puseste, ele pôs, pusemos, puseram, pusesse, pusera, pusermos, puserem…

Um desafio

Que é um neófilo?

  1. quem tem aversão a tudo que é novo;
  2. quem tem amor a tudo que é novo;
  3. criança recém-nascida.

Resposta:

Número (2) = neo (novo) + filia (amor). Neófilo é aquele que tem apreço pelas novidades, principalmente pelas inovações artísticas e culturais.

Quem tem aversão a tudo que é novo é neófobo.

Criança recém-nascida é neonato.

Uma dúvida

Leitor afirma: “Aprendi que é o certo é Alugam-se bicicletas e não Aluga-se bicicletas. Por que o mesmo não ocorre em Pede-se a todos que parem de falar?”
Em “Alugam-se bicicletas”, a partícula “se” é apassivadora e “bicicletas” é o sujeito. Como o sujeito está no plural, o verbo deve concordar no plural. É o mesmo que “bicicletas são alugadas”.

Em “Pede-se a todos que parem de falar”, o que se pede é “que parem de falar”. É um sujeito oracional. Nesse caso, o verbo deve concordar no singular. É como se disséssemos “que parem de falar foi pedido a todos”.

Há quem afirme que a partícula “se” sempre torna o sujeito indeterminado. O verbo, por essa interpretação, também ficaria no singular.

Até a próxima semana!

Fonte: dicas do professor Sérgio Nogueira.

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Celso Charneca Leopoldino é graduado em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo, pós-graduação em Marketing para Executivos e MBA em Gestão Socioambiental. Fez vários cursos nas áreas de gestão social e de gestão de comunicação estratégica. Possui mais de 35 anos de experiência em comunicação empresarial, gestão social, relações com comunidades e relações institucionais.