PORTUGUÊS: Como fazer uma boa introdução para uma redação

Prezados leitores, conforme prometemos semana passada, hoje a coluna mostrará a importância de se fazer uma boa introdução para redações vencedoras. Lembrando que uma boa redação tem, além da introdução, desenvolvimento e conclusão, etapas que requerem cuidados e atenções especiais.

Todo corretor que pega uma redação para analisar observa se ela é boa ou não logo pela introdução. Mas afinal, como fazer uma boa introdução? Pois bem, ela precisa ser direta, simples e objetiva. Na teoria parece difícil, mas é mais simples do que parece. Tenha em mente o seguinte:

1) Todo o texto gira em torno da introdução que você elaborou; é nessa introdução que vamos dizer do que o texto vai falar.

2) O tamanho ideal de uma introdução é de dois ou três frases.

3) Em cada parágrafo posterior do desenvolvimento, devem ser defendidas as frases elaboradas na introdução. Exemplificando para ficar mais claro. Digamos que a introdução de uma redação sobre “Tigres” fosse:

Tigres são agressivos. Porém, nada impede que sejam domesticados”.

O primeiro parágrafo do desenvolvimento dessa redação teria que explicar o motivo dos tigres serem agressivos, e o segundo parágrafo explicaria como é possível domesticar um tigre. Note que a primeira frase da introdução seria explicada no primeiro parágrafo do desenvolvimento e a segunda frase seria explicada no segundo parágrafo.

Seguindo essa sugestão, é possível garantir nota no critério “Organicidade”. Esse critério é utilizado por todos os corretores de redações, pois mede o quão organizado é o seu texto. Se você cuidar para que cada frase da introdução seja explorada em um parágrafo, seu texto terá uma estrutura bem lógica e organizada.

Muito bem, agora que já aprendemos os três pontos básicos para criar uma introdução, podemos ver que é muito importante ser objetivo na introdução, sem enrolar. É bom ser direto ao ponto, sem dar voltas e voltas. Se o tema é sobre melancia, não comece falando sobre beterraba. Precisamos ser fiéis ao tema, isso é bastante avaliado.

Como já comentamos que o desenvolvimento irá ser criado a partir do que você disse na introdução, é preciso construir uma introdução bem focada no assunto do tema. É fácil de perceber se o texto vai ser fiel ou não lendo a introdução do candidato. Então vamos mostrar, na prática, então como se faz uma boa introdução. Digamos que o tema seja “O chocolate no mundo moderno” (mesmo tema abordado anteriormente). Apenas relembrando, a introdução pode ser desenvolvida a partir da seguinte pergunta sobre o tema: “o que eu penso sobre isso?”.

Então, vamos respondê-la: eu penso que chocolate faz bem à humanidade. Só que não dá pra exagerar, pois pode acabar sendo prejudicial. Já que é isso o que eu penso sobre chocolate, minha introdução pode ser assim: “Chocolate faz bem à humanidade. Porém, apesar de trazer benefícios, o seu consumo em excesso pode trazer prejuízos“. E está pronto. Se você perceber, ela está bem abrangente, mesmo sendo curta. Isso é o ideal.

O próximo passo seria começar o desenvolvimento, então no 1º parágrafo a gente diria porque chocolate é bom; e no 2º parágrafo diríamos porque não podemos comer chocolate em excesso.

Repare que, por enquanto, na introdução, apenas afirmamos que chocolate faz bem. Ainda não convencemos ninguém disso. E como convencer? Essa é justamente a tarefa do desenvolvimento. Vamos falar dele na próxima semana, com detalhes. Apenas lembre-se da grande diferença que existe entre introdução e desenvolvimento.

introdução serve para apresentar o assunto que você vai abordar. O desenvolvimento serve para explicar as afirmações que você fez na introdução. Isso vai ficar ainda mais claro no próximo exemplo, onde mostramos como fazer uma introdução ruim. Considerando o tema anterior sobre chocolate, digamos que um aluno tivesse elaborado essa introdução: “Chocolate faz bem à humanidade, pois traz uma sensação de bem-estar. Porém, apesar de trazer benefícios, o seu consumo em excesso pode trazer prejuízos, como o ganho de peso e a diabetes”.

Apesar de estar bem escrita, essa introdução é péssima, pois misturou desenvolvimento com introdução (em vez de somente apresentar o assunto, essa introdução explicou e argumentou, o que é tarefa do desenvolvimento). Para ser coerente, esse aluno agora precisaria explicar no desenvolvimento o motivo do chocolate trazer uma sensação de bem-estar, o motivo dele favorecer o ganho de peso e o motivo dele causar a diabetes. A menos que o aluno esteja muito bem informado sobre o assunto (ou melhor, seja um especialista na área), podemos considerar que ele não vai conseguir cumprir essa missão.

O que aconteceria na prática é que esse assunto de diabetes, por exemplo, provavelmente nunca mais seria mencionado no texto, e isso seria um grande equívoco. Afinal, por que você apresentaria seu texto com algo que não vai falar? É como dizer: “Tomates são azuis” e depois falar sobre molho de tomate, salada de tomate, sem nunca mais tocar no assunto de tomates azuis. Alguém iria dizer: “Você não me convenceu que tomates são azuis!”. Então a dica é simples: não dificulte a sua vida! Faça uma introdução simples, curta e objetiva, mencionando algo que você sabe abordar e desenvolver depois. Introdução não é lugar para argumentação, é para apresentação.

Além de ter o poder de definir a organização do texto, a introdução pode causar uma primeira boa impressão. Se ela estiver concisa, clara e organizada, o avaliador já vai ver seu texto com outros olhos, pois vai pensar que você sabe o que está fazendo, que não apenas pegou um lápis e saiu riscando loucamente no papel.

Então, concentre-se nisso e passe a olhar a introdução de um jeito diferente; entenda o motivo dela existir e cumpra com seu papel, como ensinado aqui. Esse tipo de detalhe faz toda a diferença na sua nota final. Segredos como esse são o que fazem um texto tirar uma excelente nota, mesmo sem ser um artigo extraordinário.

É possível pegar um texto simples, sem nada de excepcional, e fazê-lo tirar uma ótima nota, simplesmente por ser construído nos padrões certos. A maioria das pessoas não faz isso. Como vimos naquele exemplo, a introdução da grande maioria acaba explicando a si mesma, misturando desenvolvimento com introdução. Depois não aborda os assuntos que mencionou, não organiza o texto conforme a introdução foi construída.

É comum ver os candidatos se queixando que sua nota foi baixa, e não é por acaso! Lembre-se: existem muitos critérios de correção em uma redação. A boa notícia é que a maioria deles são simples de se obter, basta que você os conheça.

Bem, você já aprendeu como fazer uma boa introdução. Na próxima semana mostraremos como elaborar um bom desenvolvimento. Até lá!

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Celso Charneca Leopoldino é graduado em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo, pós-graduação em Marketing para Executivos e MBA em Gestão Socioambiental. Fez vários cursos nas áreas de gestão social e de gestão de comunicação estratégica. Possui mais de 35 anos de experiência em comunicação empresarial, gestão social, relações com comunidades e relações institucionais.