PORTUGUÊS: Como fazer um desenvolvimento para a redação

Prezados leitores, conforme prometemos semana passada, hoje a coluna mostrará a importância de se fazer um bom desenvolvimento para redações vencedoras. Lembrando que uma boa redação obrigatoriamente deve ter, além do desenvolvimento, introdução (falamos dela semana passada) e conclusão.

O desenvolvimento é a parte que mais precisa de estudo na redação. Ele é o centro das atenções, o fragmento que mais possui critérios de avaliação. Por isso, é fundamental que você saiba como fazer um desenvolvimento para garantir uma excelente nota.

Primeiramente, o desenvolvimento não pode ser uma continuidade da introdução. Esses dois têm uma relação íntima, mas independente. Isso significa que, ao começar o desenvolvimento, é como se estivéssemos começando o texto novamente. Nunca devemos iniciá-lo com os termos: Por causa disso…, Com isso…, Baseado nisso…, Dessa maneira… etc.

Podemos fazer um teste simples para ver se o desenvolvimento está sendo uma continuidade da introdução. Se cortássemos a introdução, o texto ficaria sem sentido? Se a resposta for sim, fizemos uma dependência entre eles.

Aprenda a cortar o que não interessa. Muitas pessoas não conseguem começar um desenvolvimento sem usar esses termos: “Considerando isso”, “A partir disso” etc. Então, se esse é o seu caso, comece seu desenvolvimento normalmente e risque fora esses termos depois que tiver terminado. Você vai ver que eles não vão fazer nenhuma falta.

Agora que já aprendemos que o desenvolvimento precisa “sobreviver sozinho”, precisamos ter uma atenção especial em uma coisa: a chamada “ligação entre as frases”. Você sabe qual é a diferença entre um texto e uma receita de bolo? Uma receita é cheia de frases soltas, enquanto que um texto apresenta uma conexão entre elas. E o que precisamos fazer para evitar que nossa redação pareça uma receita? Utilizar os chamados nexos oracionais. Eles são as conjunções (mas, porém, portanto etc.). Essas conjunções vão nos ajudar a manter o texto bem compactado.

Cuide para nunca deixar uma frase solta, dando a impressão de ter surgido do nada. Esse aspecto parece bem básico, mas é essencial. Faz parte dos detalhes que muita gente até sabe, mas não coloca em prática. Nosso objetivo aqui é nunca esquecer essas coisas “básicas”, pois elas são uma espécie de fundamento em que temos que nos apoiar. Ler isso tudo várias vezes é bom para gravar, para que se torne algo automático nas nossas escritas.

Chegou a hora de entender a missão do desenvolvimento. Da mesma forma que estudamos no artigo sobre introdução, iremos aprender qual a função de um desenvolvimento e como construí-lo. Sua missão é provar ao leitor o nosso ponto de vista. Fazemos isso com argumentosOutro detalhe que precisa ser levado em consideração na elaboração de um desenvolvimento já foi mencionado quando estávamos criando a introdução: explicar cada frase da introdução em um parágrafo.

Lembre-se que a introdução deve ser curta e abrangente e possuir duas ou três frases que serão dissecadas no desenvolvimento. Se você fez duas frases, o primeiro parágrafo do desenvolvimento irá abordar a primeira frase e o segundo parágrafo irá abordar a segunda frase.

Se você fez três frases na introdução, irá construir três parágrafos no desenvolvimento, sendo um para cada frase. Porém, se duas dessas frases da introdução tratam do mesmo assunto ou ponto de vista, você pode utilizar um parágrafo apenas para discorrer sobre essas duas frases ao mesmo tempo, e utilizar outro parágrafo para explorar a frase restante.

Você também pode utilizar dois parágrafos para desenvolver uma frase da introdução. Em geral recomendamos que você sempre facilite a sua vida, então procure fazer uma frase por parágrafo para ficar mais intuitivo, ou então dois parágrafos para uma frase. Utilizar duas frases para um parágrafo é mais arriscado.

Na sequência mostraremos um exemplo de desenvolvimento para você ver isso tudo que foi ensinado nesse capítulo, na prática. A introdução está no primeiro bloco/parágrafo, e o desenvolvimento está dividido em três parágrafos. Não colocamos aqui a conclusão, pois ainda não entramos nesse assunto. Vamos abordar apenas o desenvolvimento, sua construção e a argumentação utilizada.

TEMA: A Presença da Agressividade no Comportamento Humano

“Presente nos mais diversos campos de ação, a agressividade acompanha os passos do homem desde a sua existência, influenciando, diretamente, os seus atos. Esse comportamento, manifestando-se de várias maneiras, continua questionável, uma vez que suas consequências não agradam a todos.

A humanidade primitiva conseguiu se desenvolver à medida que o seu domínio sobre os instrumentos de combate aumentava. A sobrevivência do mais forte, ainda hoje, é uma realidade que define o destino da vida, fruto da competitividade que – aliás – sempre existiu. As atitudes agressivas, que garantiram a permanência da espécie humana, são utilizadas, atualmente, por pessoas que querem superar seus adversários a qualquer custo. Nicolau Maquiavel, com sua teoria, influenciou reinos e países a conseguirem o progresso. Evidentemente, existem controvérsias quanto a essa ideologia, dita por muitos como antiética, que – inclusive – é ensinada em cursos como os de administração de empresas, por exemplo.

Entende-se por agressividade qualquer ação que pretende danificar algo ou alguém. É compreensível, portanto, que a ela sejam atribuídas características negativas (solução imoral, recurso deplorável). Esse comportamento precisa ser evitado para que se obtenha uma personalidade pacífica e cortês (ideal para um relacionamento). Na política, por exemplo, é constante a violência verbal, às vezes também física, dos candidatos ao governo, fato que faz a população ter uma aversão a essas atitudes, consideradas falta de controle emocional de quem as pratica. Segundo estudiosos, o que ocasiona esse procedimento de “ataque” é a inconformidade com a situação. Intrigante, porém, é o fato de um comportamento hostil como esse ter o poder de fazer alguém atingir o sucesso. Afinal, ele é ruim até que ponto?

Em âmbito competitivo, agressividade é sinônimo de determinação, que ajuda as pessoas a alcançarem seus objetivos. As constantes manifestações com as quais o homem convive contribuem para a reprodução desse comportamento quando se toma como exemplo o retrospecto dos bem-sucedidos. Para trabalhar em uma empresa é preciso ter atitude, o que explica o fato de empresários contratarem indivíduos de caráter ofensivo quanto a negócios e comércios em geral. Em uma partida de xadrez, o jogador mais agressivo geralmente vence, pois obriga o adversário a permanecer na defensiva, restringindo – cada vez mais – as jogadas do oponente e posicionando-se para dar o esperado xeque-mate. Isso tudo prova que ambição e coragem de atacar são importantes, e talvez até essenciais, para a realização de metas e a superação de desafios”.

Antes de tudo, repare que o desenvolvimento não começou com “Por causa disso”, “Com isso” etc. Olhando para a estrutura, a primeira frase da introdução foi inteiramente explorada no primeiro parágrafo do desenvolvimento. Foi dito que a agressividade acompanha os passos do homem desde a sua existência, influenciando seus atos. Nesse parágrafo, o autor falou sobre a agressividade do homem primitivo, a sobrevivência do mais forte e depois trouxe exemplos mais recentes (o ensino do pensamento de Maquiavel nas universidades). Além de ter explorado corretamente a primeira frase da introdução nesse parágrafo, o autor usou argumentos fortes e convincentes, o que é muito importante em um texto dissertativo argumentativo.

A segunda frase da introdução foi desenvolvida em dois parágrafos. Foi dito na introdução que a agressividade se manifesta de várias maneiras, continua questionável e suas consequências não agradam a todos.

Sobre as “várias manifestações da agressividade”, o autor provou isso mostrando a ação da agressividade nos relacionamentos e na política; e, no terceiro parágrafo, mencionando sua ação nos negócios e no xadrez.

Sobre “não agradar a todos”, o autor explicou o motivo disso logo no início do segundo parágrafo. E sobre “ser questionável” o autor mostrou (no terceiro parágrafo) os benefícios que a agressividade pode trazer.

Além de ter uma estrutura muito boa, ficou claro que esse texto está muito bem argumentado. É exatamente isso que os corretores querem: argumentações organizadas e estruturadas. Construir isso sem erros de português faz sua redação ser uma forte concorrente a tirar nota máxima.

Muito bem, agora você já sabe como construir uma introdução e um desenvolvimento. Na próxima semana falaremos sobre conclusão. Até lá!

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Celso Charneca Leopoldino é graduado em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo, pós-graduação em Marketing para Executivos e MBA em Gestão Socioambiental. Fez vários cursos nas áreas de gestão social e de gestão de comunicação estratégica. Possui mais de 35 anos de experiência em comunicação empresarial, gestão social, relações com comunidades e relações institucionais.