PORTUGUÊS: Como concluir uma boa redação

Prezados leitores, cumprindo a nossa promessa, hoje a coluna mostrará a importância da conclusão para que sua redação seja vencedora. Não custa lembrar, mais uma vez, que uma boa redação deve ter, obrigatoriamente, introdução, desenvolvimento e conclusão.

A conclusão, ao contrário do que muitos pensam, não é lugar de simplesmente repetir o que já foi dito. Ela precisa ser um fechamento que acrescente algo ao texto. Pode ser uma retomada da discussão, mas de uma forma inovadora, que não se limita a repetições. Pode também ser usada para fazer advertências, uma análise crítica do tema discutido ou, até mesmo, fazer sugestões, caso o tema trate de um problema social, por exemplo.

Uma coisa precisa ser lembrada sempre: conclusão não é lugar para novos argumentos. Muito cuidado com isso! Os argumentos devem estar no desenvolvimento. Outro erro muito comum é utilizar a conclusão para fazer ressalvas. Uma ressalva que não foi abordada durante o texto não pode aparecer na conclusão, pois ela seria um argumento novo. Se você quiser fazer alguma ressalva em um raciocínio, faça a ressalva no próprio desenvolvimento, utilizando os argumentos corretos.

Uma conclusão não pode trazer surpresas para o leitor. A conclusão serve apenas para fazer um fechamento sobre tudo, uma lição que pode ser tirada sobre o assunto que você já defendeu. E é justamente nesse aspecto que ela traz algo novo ao texto.

Observe a redação abaixo. Repare que a conclusão, nesse caso, deu uma sugestão sobre o que deve ser feito. Leia o texto com calma. O tema dessa redação era: “A amizade vivenciada de formas diferentes pelo homem”. O último parágrafo (conclusão) está grifado em vermelho.

“O homem vem modificando a sua concepção sobre amizade com o passar do tempo, o que lhe permite experimentá-la de formas diferenciadas. Isso pode ser percebido ao se comparar as amizades vividas no passado, em menor número, mais profundas e duradouras, com as de hoje, em profusão, superficiais e meteóricas.

Não é preciso voltar muito no tempo para se ver como os relacionamentos eram tratados sob um ponto de vista bem distante do de hoje. Amigos eram pessoas em quem se podia confiar cegamente, para quem todos os segredos podiam ser contados, sem medo de se ter a confiança traída. A relação de amizade era estabelecida somente com aqueles com os quais se tinha uma convivência longa, motivo pelo qual ela era quase um laço de parentesco e, por isso, normalmente durava por muito tempo, quando não pela vida toda. Assim, até que alguém fosse considerado realmente um amigo, havia um período ao longo do qual a confiança e a admiração eram conquistadas mutuamente.

Os casos de amizades verdadeiras estão em número reduzido atualmente. Com o passar do tempo, as relações, de um modo geral, passaram a sofrer modificações, por causa das próprias circunstâncias a que a sociedade veio sendo submetida. Essa realidade trouxe características novas inclusive para um dos sentimentos mais nobres do homem. Parece que as pessoas perderam muito da sua capacidade de discernimento quanto ao verdadeiro valor de uma amizade. Tanto é que qualquer um que se conheça em meio a uma festa de fim de semana já é chamado de amigo no dia seguinte. Redes sociais como o Facebook, que simbolizam união, na verdade conferem desleixo sobre o que chamamos de amigo. Entre dezenas de contatos, quantos são plenamente confiáveis? Infelizmente, em alguns casos, inovações tecnológicas cooperam com a perda de significado de palavras valiosas.

Progredir e inovar estão, constantemente, no pensamento do cidadão moderno. Mais importante do que isso, porém, seria o homem reavaliar todos os seus valores, a fim de devolver à amizade o lugar que ela deve ocupar no âmbito das relações humanas”.

Observe como essa conclusão fez um fechamento para o texto, mas não apenas repetindo algo que já foi dito. Uma ideia nova foi colocada, manifestando um pensamento que já foi defendido no texto: a ideia de que a amizade é importante demais para ser banalizada. Esse é um exemplo de uma ótima conclusão.

Podemos resumir tudo o que foi ensinado nesse capítulo destacando a importância que há no desenvolvimento (e sua argumentação) na formação da conclusão. É dele que vai partir o raciocínio que vai formar a conclusão.

Quando você for concluir seu texto, responda pelo menos uma dessas perguntas sobre sua redação:

– Que lição pode ser tirada disso?

– Como resumir a solução para esse problema?

– O que merece ser destacado nesse raciocínio?

Elabore sua conclusão respondendo essas perguntas em relação ao seu texto e você terá uma boa conclusão.

Enfim, caros leitores, terminamos nosso estudo sobre como fazer uma boa redação. Espero que ele possa ser útil para você, ao longo da sua vida como estudante ou como participante de concursos.

E, o mais importante, estude sempre. Fique atento às mudanças que ocorrem na nossa língua. Assim, você cometerá menos erros e sairá na frente nas disputas vindouras.

Na próxima semana retornaremos com as dicas na língua portuguesa. Enquanto isso, vá treinando suas redações. Até lá!

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Celso Charneca Leopoldino é graduado em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo, pós-graduação em Marketing para Executivos e MBA em Gestão Socioambiental. Fez vários cursos nas áreas de gestão social e de gestão de comunicação estratégica. Possui mais de 35 anos de experiência em comunicação empresarial, gestão social, relações com comunidades e relações institucionais.