PORTUGUÊS: As pegadinhas estão de volta

Prezados leitores, as quatro últimas colunas mostraram a importância de se construir uma boa redação e ser o diferencial positivo na disputa por bons cargos em concursos públicos. Nelas mostramos como se elabora uma introdução, que argumentos devem ser usados para montar um bom desenvolvimento e uma maneira fácil e objetiva de concluir uma redação vencedora.

Cumprindo nossa promessa, a partir de hoje a coluna retorna com as pegadinhas em português que, se observadas e praticadas, certamente farão com que você, caro leitor, fique em condições de vencer uma boa disputa em concursos pelo Brasil.

Então, vamos a elas:

O homem sequer foi admitido no emprego – sequer é uma palavra que deve sempre ser antecedida de negativa. Exemplos: tomou a decisão sem sequer nos avisar. Não fez sequer o mínimo que havíamos combinado. O contribuinte nem sequer foi notificado. Nesta seção de dicas de português para concursos, o correto seria escrever a frase inicial da seguinte maneira: O homem nem sequer foi admitido no emprego.

É hora dele aparecer – o sujeito não pode ser preposicionado. Frase com sujeito preposicionado é muito comum na linguagem inculta com sujeitos de verbos no infinitivo. Veja os exemplos corretos: é hora de eu aparecer. No dia de ela chegar, vou ficar muito contente. Chegou a hora de a onça beber água. Então, a frase inicial, depois da correção, fica assim: É hora de ele aparecer.

Tratam-se de assuntos que não me interessam – o sujeito da frase é indeterminado. Neste caso, a indeterminação do sujeito é feita, justapondo-se o pronome se — que funciona como índice de indeterminação do sujeito — ao verbo na terceira pessoa do singular. Portanto, o verbo está flexionado de modo ERRADO. A forma verbal correta é no singular “Trata”. Propositadamente, colocaram-se os demais elementos no plural, tentando confundir o leitor, levando-o a fazer a concordância verbal com a palavra assuntos. A frase inicial, depois de corrigida, fica da seguinte forma: Trata-se de assuntos que não me interessam.

O aluno estava aguardando o professor há mais de três horas – o verbo haver deve concordar com o verbo estar. Se este estiver no imperfeito ou no mais-que-perfeito do indicativo, a concordância será feita com a forma havia. A frase inicial, depois de corrigida, fica assim: O aluno estava aguardando o professor havia mais de três horas.

Não consegui dar conta do trabalho que levei para mim fazer em casa – mim não pode ser sujeito. Os pronomes que assumem a função de sujeito são os chamados pronomes do caso reto —  eu, tu, ele, nós, vós, eles. Veja os exemplos: Este casaco é para eu usar nos dias frios (eu, sujeito do infinitivo “usar”). Ela gosta de mim (mim, objeto indireto da forma verbal “gosta”). A frase inicial, depois de corrigida, fica assim: Não consegui dar conta do trabalho que levei para eu fazer em casa.

A perca daquele patrimônio transformou-o numa pessoa cética e amarga – perca é a forma verbal da primeira e terceira pessoas do singular do presente do subjuntivo.  Perda é substantivo, que, obviamente, admite ser precedido de artigo. Exemplos: Mesmo que eu perca de início, não desanimarei (perca é verbo).

Não me importa que o governo perca (perca é verbo). A perda de um ano de estudos não o abalou (perda é substantivo). Não entro nesse negócio porque quero evitar a perda de meu dinheirinho (perda é substantivo). Então a frase inicial, depois de corrigida, fica assim: A perda daquele patrimônio transformou-o numa pessoa cética e amarga.

Você paga o valor do apartamento e eu o mobilio – assim se conjuga o verbo mobiliar, no presente do indicativo: eu mobílio, tu mobílias, ele mobília, nós mobiliamos, vós mobiliais, eles mobíliam. A frase inicial, depois de corrigida, fica assim: Você paga o valor do apartamento e eu o mobílio.

O motorista do ônibus deu uma freiada brusca, assustando os passageiros – freiada é um grupo de religiosos denominados freis. Já, o ato de parar o carro é frear e essa ação chama-se freada. A frase inicial, depois da correção, fica assim: O motorista do ônibus deu uma freada brusca, assustando os passageiros.

Evite trabalhar em regime de excessão – eis um erro de ortografia. Este tipo de questão é muito explorado em provas de concurso. A frase inicial, depois de corrigida, fica assim: Evite trabalhar em regime de exceção. 

Não lhe disse nada porque o encontrei mau-humorado – esta pegadinha nos adverte do risco de errarmos ao  confiarmos no som das palavras. Embora homófonas na maior parte do Brasil, mau e mal têm significados e empregos diferençados. Mau faz oposição a  bom, e mal se opõe a  bem. Veja os exemplos: mau humor ~ bom humor; mau cheiro ~ bom cheiro; mau caráter ~ bom caráter; mal estar ~ bem estar; mal afamado ~ bem afamado; mal-intencionado ~ bem intencionado. A frase inicial, depois de corrigida, fica assim: Não lhe disse nada porque o encontrei mal-humorado.

Gostaram do retorno? Estavam sentindo falta das pegadinhas em português? Na próxima semana traremos outras importantes dicas sobre as armadilhas da nossa língua. Até lá!

Fonte de pesquisa: Portal Tudo Sobre Concursos.

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Celso Charneca Leopoldino é graduado em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo, pós-graduação em Marketing para Executivos e MBA em Gestão Socioambiental. Fez vários cursos nas áreas de gestão social e de gestão de comunicação estratégica. Possui mais de 35 anos de experiência em comunicação empresarial, gestão social, relações com comunidades e relações institucionais.