PORTUGUÊS: Análise morfológica

Prezado leitor, a coluna dessa semana traz um estudo sobre análise morfológica, elaborado por Denise Lage Fonseca, graduada em Letras pela Funcesi.

Compreende-se por “Morfologia”, a ciência linguística que se ocupa de estudar os constituintes de uma palavra, dissecando-a, ou seja, realizando a “análise morfológica”. A palavra se compõe de um “radical” [elemento que contém a ideia básica]e dos chamados “afixos”, morfemas que se unem àquele, visando à formação de novas palavras. Quanto à colocação em relação ao “radical”, os afixos dividem-se em:

  1. Prefixo (posiciona-se antes do radical): refazer – prefixo “re” (indicador de repetição) + base verbo “fazer”;
  2. Sufixo (posiciona-se após o radical): africano: base “África” + sufixo “ano” (indicador de origem).

Vale ressaltar que a formação de uma nova palavra ocorre por meio de diferentes processos. Tratar-se-á, aqui, dos principais deles.

Tipos de Derivação

  1. Derivação prefixal
  • infeliz – prefixo “in” (sinalizador de “negação”) + base (adjetivo “feliz”)
  • ntepor – prefixo “ante” (ideia de anterioridade) + base (verbo “por”)

Observe como a presença de um prefixo, por exemplo, pode influenciar no significado de um texto [no caso, uma piada, extraída do livro Os humores da língua], tendo em vista o efeito de sentido que se deseja alcançar:

Duas mulheres conversando:

— Graças a mim, o meu marido ficou milionário!

— Ué! — estranhou a outra. — Quando vocês se casaram ele já não era milionário?

— Não, quando nos casamos ele era multimilionário!

Perceba que o humor gerado pela piada reside no acréscimo do prefixo “multi” (indicador de uma quantidade significativamente mais superior) à palavra “milionário”.

  1. Derivação sufixal
  • lavatório – base (verbo “lavar”) + sufixo “tório” (indicador de lugar)
  • amigdalite – base (substantivo “amígdala”) + sufixo “ite” (indicador de inflamação)
  1. Derivação prefixal e sufixal
  • destemido – prefixo “des” (indica ausência de algo) + base “tem [or]+ sufixo “ido”.
  • imprescindível – prefixo “im” + base “prescindir” + sufixo “vel”
  1. Derivação Parassintética
  • Entardecer (prefixo “em” + base “tarde” + sufixo “cer”)

Para comparar: Ao contrário da derivação prefixal e sufixal, a parassintética não admite a presença independente do prefixo ou do sufixo ao se ligar ao radical. Afinal, inexistem as formas “entarde” e “tardecer”.

  1. Derivação regressiva

Formação de uma palavra em determinada classe gramatical, tomando como referência um vocábulo de outra classe. Por exemplo, a formação de substantivos a partir de verbos:

  • destruir – destruição, decidir – decisão, eleger – eleição, alcançar – alcance.
  1. Derivação imprópria

Mudança na classe da palavra sem transformação na forma original:

  • verbo “olhar”, quando precedido de artigo, torna-se um substantivo: “o olhar”.

Observe estes vocábulos que, dependendo do contexto, se inserem em outras classes de palavras:

  • gato (animal – substantivo) – gato (homem muito bonito – adjetivo indicador de metáfora)

Tipos de composição

A composição tem a finalidade de unir elementos pré-existentes, alterando-os ou não, conforme exemplos, formando uma única palavra:

  1. Composição por aglutinação: vinagre (vinho + acre), aguardente (água + ardente), pernilongo (perna + longa), lobisomem (lobo + homem)
  2. Composição por justaposição: beija-flor, mandachuva, contracheque, couve-flor.

Para concluir: A análise morfológica visa identificar a composição da palavra, esmiuçando os seus constituintes. Os afixos, por exemplo, denotam determinados sentidos que permitem compreender o significado da palavra. O estudo dos prefixos e sufixos possibilita perceber a enormidade de novos vocábulos que pode ser formada. Nesse contexto, o repertório vocabular pode ser ampliado.

Bom estudo!

Fonte de pesquisa: Português – Gramática da Língua Portuguesa – InfoEscola

Denyse Lage Fonseca – Especialista em Planejamento, Implementação e Gestão da Educação à Distância (UFF), Graduação em Letras (Fundação Comunitária de Ensino Superior de Itabira, FUNCESI)

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Celso Charneca Leopoldino é graduado em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo, pós-graduação em Marketing para Executivos e MBA em Gestão Socioambiental. Fez vários cursos nas áreas de gestão social e de gestão de comunicação estratégica. Possui mais de 35 anos de experiência em comunicação empresarial, gestão social, relações com comunidades e relações institucionais.