PORTUGUÊS: A expressão “de cujas” está errada? Saiba a resposta!

Prezado leitor, o bom retorno motivou-me a continuar mostrando as dúvidas de ortografia e relações inusitadas entre palavras no português. Então, sem mais delongas, vamos a elas.

Segue algumas regras para usar o pronome relativo “cujo” do jeito certo. A expressão DE CUJAS está errada? Proveniente do latim “cuju, cujus”, o pronome relativo cujo significa “de que ou de quem”; “do qual, da qual, dos quais, das quais”. Traz o dicionário Aurélio uma interessante construção: É um gás a cujas exalações ninguém resiste.

Para o adequado uso do pronome relativo, é importante conhecer a regência de nomes e verbos; não saber a possível preposição – exigida pelo regente – levará a uma construção inadequada de acordo com o padrão. Sendo assim, usemos três importantes passos para a compreensão dos pronomes relativos:

  1. Identificar verbo ou nome principal;
  2. Conhecer a regência desse termo;
  3. Inserir a possível preposição antes do pronome relativo.

No exemplo do Aurélio, o verbo principal é o resistir; tal verbo é transitivo indireto e exige a preposição “a”; em respeito a essa regência, a preposição deve aparecer antes do pronome relativo “cujas”: “…A CUJAS EXALAÇÕES NINGUÉM RESISTE.”

Em suma: a preposição antes do relativo dependerá do regente. Se trocássemos – naquela oração – o verbo resistir pelo verbo precisar:

  • “É um gás de cujas exalações ninguém precisa.”
  • Se houver a troca pelo verbo acreditar:
  • “É um gás em cujas exalações ninguém acredita.”

Sobre a ideia de posse ou pertença, lembremo-nos de que o nome posposto a “cujo” pertence ao anteposto, ou seja, “as exalações do gás”. Por fim, vale uma determinação gramatical: inexistentes são as expressões “cujo o” e “cuja a “. Não há razão para o uso do artigo, seja no singular, seja no plural.

A propósito, você teria acertado esta questão de português do concurso do TJ?

Assinale a alternativa em que a frase baseada nas falas dos quadrinhos apresenta emprego e colocação de pronomes de acordo com a norma-padrão. 

(A) A menina afirmou ao garoto que poderá processar ele, caso este não ajudar-lhe com a lição de casa.

(B) Em resposta à menina, o garoto resolveu perguntá-la onde estava o advogado dela.

(C) O garoto respondeu à menina, perguntando-a onde estava o advogado dela.

(D) A menina ameaçou processar-lhe, caso o garoto não ajudasse-a com a lição de casa.

(E) A menina afirmou ao garoto que poderia processá-lo, se este não a ajudasse com a lição de casa.

Na opção A, percebemos um desvio – em relação à norma-padrão – muito comum na fala do brasileiro:  a utilização do pronome pessoal do caso reto como complemento de um verbo transitivo direto (processar). Em acordo aos princípios gramaticais, vale um lembrete:  os pronomes pessoais do caso reto existem – originalmente – para a função de sujeito da oração (apesar de ser possível perceber construção oracional moderna com “ele”, “ela”, “nós” como complemento, auxiliados por preposição).

Já os pronomes oblíquos (me, mim, ti, lhe, se, o, a e todos os outros) existem para a função de complemento da oração. Em suma: “processar ele” não, mas sim “processá-lo”.

Além disso, na letra A, notam-se as indevidas conjugação e colocação pronominal. A frase correta seria: “A menina afirmou ao garoto que poderá processá-lo, caso este não a ajudasse com a lição de casa.”

Na opção B, há o uso indevido de “o, a” como complemento de um verbo transitivo indireto. Lembremo-nos de: verbos que exigem a preposição possuem a transitividade indireta, como é o caso do verbo  “perguntar”. Assim sendo, o pronome oblíquo átono correspondente a tal transitividade é o “lhe”.

Lá na questão,  o verbo perguntar está no sentido de “solicitar informação; indagar; inquirir”:  o garoto resolveu perguntar-lhe (a ela, a alguém, objeto indireto) onde estava o advogado.

Na opção (C), novamente se percebe o desvio comentado acima. A frase correta seria: “O garoto respondeu à menina, perguntando-lhe onde estava o advogado dela.”

Na opção (D), houve o inverso: o indevido uso de “lhe” representando um objeto direto. O verbo “processar” é transitivo direto, não exige preposição. Além disso, é preciso corrigir a posição do pronome “a” (que deve vir antes do verbo em função da determinação da expressão proclítica “não”): “A menina ameaçou processá-lo, caso o garoto não a ajudasse com a lição de casa.”

Portanto, após identificar os erros das outras opções, vê-se a letra correta, de acordo com padrão gramatical: E.

Fonte: Notícias sobre dicas de português – revista Exame.

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Celso Charneca Leopoldino é graduado em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo, pós-graduação em Marketing para Executivos e MBA em Gestão Socioambiental. Fez vários cursos nas áreas de gestão social e de gestão de comunicação estratégica. Possui mais de 35 anos de experiência em comunicação empresarial, gestão social, relações com comunidades e relações institucionais.