POLÍTICA: Pense melhor, meu caro, que esse ano é eleitoral

De tudo o que aconteceu em 2015, o que ficou mais evidente é a necessidade de o brasileiro fazer uma profunda reflexão sobre as suas atitudes, principalmente no que diz respeito à participação política. E tenho certeza de que irá concordar comigo, caro leitor. Afinal, não bastaram as crises econômica e política pela qual o país passou, mas também tivemos que conviver com o ódio e a intolerância gratuita que imperaram tanto nas ruas quanto nos ambientes virtuais.

A discordância de opiniões é fundamental para que se crie um bom debate em qualquer esfera. Pensamentos iguais tendem a criar sensos comuns e, convenhamos, nada de bom pode sair de sensos comuns. O pensamento crítico, as opiniões contraditórias e as diferentes fontes de informação são de grande importância para a construção de um modelo social amplo, que englobe e aceite as diferenças e que se mantenha em constante evolução.

A Internet se tornou uma grande rede de compartilhamento de informações e opiniões, o que é espetacular. Mas também parece ter criado um fenômeno em que as pessoas estão mais ingênuas – propositalmente ou não – e estão acreditando em qualquer coisa que recebem. Diante desse fácil acesso a um grande número de informações, ainda tem tantas pessoas compartilhando, propagando, defendendo e se posicionando diante de tantos fatos falsos, mas convenientemente soltos na web – sobretudo nas redes sociais, os queridinhos da vez.

É certo que muito desse comportamento se deriva da conveniência em usar as informações, mesmo que falsas ou erradas, para defender algum ponto de vista. E isso acontece devido ao verdadeiro campo de guerra em que se tornou qualquer debate político. Já não é mais possível argumentar sem que alguém descambe para baixaria – um termo quase inofensivo diante de tudo o que estamos acostumados a ler e ouvir por aí.

Petista contra tucano, socialista contra meritocrático, mortadela contra coxinha… e por aí vão os termos que, de uma forma ou de outra, são usados para tentar desqualificar algum argumento. Tudo de forma bem rasa. E tem muita gente esquecendo a quem interessa um debate tão vazio de ideias e pautado apenas no ódio gratuito, não é mesmo?

Não à toa que o Brasil vive uma tremenda crise política que vem abalando o nosso já capenga sistema. Um jogo de poderes que dificulta os avanços do país e, pior, nos coloca num caminho de retrocesso que pode ter sérias consequências para a população nos próximos anos. E tudo isso balizado por um mar de gente que se limita a observar o cenário de maneira monocromática.

Já passou da hora de deixar a pobreza de pensamento de lado e qualificar o debate. As crises, política e econômica, não atingem apenas o Governo Federal, mas também os Estados e Municípios. Em 2016 acontece mais um pleito e, dessa vez, vamos ter a oportunidade de escolher novos prefeitos e vereadores. É essa a hora de fazer uma profunda reflexão, fortalecer as discussões e acenar para sérias mudanças em nossas instituições públicas.

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