POLÍTICA: O que os votos brancos, nulos e abstenções têm a dizer?

No domingo, 02 de outubro, eleitores de todo país compareceram às urnas para escolher os nomes que irão ocupar o executivo e o legislativo municipal dos municípios brasileiros. Como em todo processo eleitoral, a expectativa pela definição dos eleitos mexe com os ânimos e aguça a curiosidade. Mas, findada a apuração dos votos, o que se destaca no pleito de 2016 são os números expressivos de votos brancos e nulos e abstenções.

Esse não foi um fenômeno isolado em uma cidade ou outra, mas uma realidade em diversos municípios. De acordo com um levantamento do Tribunal Superior Eleitoral, em 22 capitais o número de votos brancos e nulos e abstenções superaram o desempenho do primeiro ou segundo colocado na disputa para prefeito. Um resultado que impressiona até mesmo o observador mais desatento.

Itabira não fugiu a essa “tendência eleitoral 2016”. Se somarmos o votos brancos e nulos e abstenções chegamos a impressionantes 22.554 eleitores – e isso em universo de quase 90 mil votantes. Para se ter uma ideia do impacto dessa votação, os eleitores que não escolheram nenhum candidato a prefeito aparecem como o terceiro maior grupo votante no pleito deste ano.

Vejamos como foi o resultado das eleições municipais em Itabira: Ronaldo Magalhães (PTB) foi eleito com 30.018 votos; Bernardo Mucida (PSB), o segundo mais votado, somou 27.375 votos; Damon de Sena (PV), que tentava a reeleição, conquistou 4.340 votos; Talmo de Oliveira (DEM) e Gil César Lopes (PMDB), que receberam respectivamente 2.817 e 2.664 votos, fecham a lista dos candidatos a prefeito.

Dessa forma, os três últimos colocados na eleição somam juntos 9.821 votos. Um número bastante inferior em relação aos votos brancos e nulos e abstenções – que, caso esses eleitores tivessem optado por um dos candidatos ou comparecido às urnas, poderíamos ter tido um resultado totalmente diferente do obtido no domingo, tamanho poder de influência desse grupo de votantes.

O resultado dessa votação pode dizer algumas coisas sobre o atual comportamento do eleitorado. Desde 2013 o país vem acompanhando diversas manifestações contrárias ao atual modelo de gestão política praticada no Brasil. O primeiro reflexo prático disso foi vivenciado nas eleições federais em 2014, quando houve uma tendência do eleitorado a escolher candidatos com visões mais conservadores, como visto na composição da Câmara dos Deputados e no Senado Federal.

Porém, o brasileiro não experimentou nenhuma mudança no sistema político. Pelo contrário, assistiu a uma enxurrada de denúncias e escândalos políticos, sem falar em uma série de decisões questionáveis por parte dos parlamentares. A descrença com a classe política se tornou ainda mais forte e nas eleições desse ano se fez evidente com a quantidade de pessoas que decidiram por não comparecer às urnas ou por votar em branco ou nulo.

Em alguns municípios, como Itabira, os eleitores ainda se manifestaram contrários a uma gestão que se mostrou ineficiente, de poucos resultados e que não trouxe melhorias para os cidadãos. O que só agrava a situação política pela qual o país passa. É um recado das urnas apontando por uma necessidade de mudança profunda no modelo político adotado no Brasil.

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