POLÍTICA: O que a prisão de Eduardo Cunha pode significar

Toda grande explosão libera enorme volume de energia e, na maioria dos casos, é acompanhada por altas temperaturas. Mas na última quarta-feira, 19 de outubro, essa lógica parece ter sido invertida de alguma forma. O calor começou a castigar logo pela manhã e se manteve firme ao longo do dia e da noite – deixando de vez os resquícios do frio de inverno que ainda insistia em aparecer em alguns lugares.

Para aqueles que costumam acompanhar as redes sociais se viram bombardeados por frases, memes e outros conteúdos brincando e fazendo referência ao calor. Mas a temperatura iria realmente subir um pouco mais tarde, quando foi anunciada a prisão do deputado cassado Eduardo Cunha (PMDB). Se pudermos considerar essas redes sociais como termômetros, então o marcador chegou ao máximo.

É nesse ponto que vivemos a grande explosão da semana. A prisão de Eduardo Cunha é um desejo popular antigo, pois ele vinha sendo protagonista em diversas denúncias e casos de corrupção, mas de alguma maneira se mantinha incólume às sanções legais. Com o fim deste, digamos, “atípico” caso, a comoção popular alcançou o ápice – por todos os lados se via alguma forma de comemoração.

Talvez fosse esse o momento em que diríamos “a justiça foi feita”, porém, é importante analisar toda essa situação por ângulo maior. A prisão de Eduardo Cunha pode parecer animadora, mas o posicionamento do juiz Sérgio Moro se mostra tardio, oportunista e, talvez, sem os efeitos desejados por todo.

Deixe-me explicar! Eduardo Cunha era para ter sido preso desde que as suas contas na Suíça vieram a público, mas o seu caso – como de praxe – demorou a caminhar; oportunista por se mostrar mais como uma tentativa de criar uma imagem apartidária da Operação Lava Jato, mas que peca ao não haver uma investigação ampla e efetiva em cima de nomes do PMDB e PSDB, que já apareceram em delações premiadas e preocupantes vazamentos de áudios, mas que continuam ocupando cargos políticos de relevância – não nos esqueçamos do Romero Jucá (PMDB), por exemplo.

Por fim, a prisão de Cunha, caso se mostre como mais um joguete político, não surtirá o efeito esperado pela população. Sua delação premiada, se vier, não causará os impactos esperados e a estrutura de poder no Brasil se manterá inalterada. Dessa forma, a Lava Jato se mostrará extremamente seletiva e frustrante, por não agir na raiz dos problemas políticos do nosso país.

É claro que tudo isso ainda é bastante especulativo e as consequências do encarceramento de Cunha venha a abalar todo o sistema político nacional. Essa pode ser a primeira de várias explosões ou, talvez, apenas uma leve brisa quente em cenário já bastante conturbado.

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