POLÍTICA: O analfabeto político de Brecht ficou moderno

Foi um dramaturgo e poeta alemão que melhor traduziu o termo analfabeto político. As palavras de Bertolt Brecht traduzem, de forma clara, o impacto da política no nosso dia a dia e, de maneira didática, demonstra para todos aqueles que bradam o seu desinteresse pelos assuntos de Estado. Tremendo erro, tremenda besteira, tremenda alienação.

Brecht, no texto “O Analfabeto Político”, disse o seguinte:

O pior analfabeto é o analfabeto político. Ele não ouve, não fala, nem participa dos acontecimentos políticos. Ele não sabe que o custo de vida, o preço do feijão, do peixe, da farinha, do aluguel, do sapato e do remédio dependem das decisões políticas.

O analfabeto político é tão burro que se orgulha e estufa o peito dizendo que odeia a política. Não sabe o imbecil que, da sua ignorância política, nasce a prostituta, o menor abandonado, e o pior de todos os bandidos, que é o político vigarista, pilantra, corrupto e lacaio das empresas nacionais e multinacionais.

Porém, Brecht não viveu na chamada era da informação, em que emissoras de TV e rádio, jornais, revistas, informativos, sites, blogs, podcasts, web-vídeos e tantos outros meios de comunicação distribuem notícias a todo instante – e quase instantaneamente. As informações são universalizadas e qualquer um tem acesso a elas.

É a partir daí que surge uma nova classe de analfabetos políticos, que são aqueles que perdem o senso crítico e a capacidade de analisar os dados que recebem. Visões políticas, interesses partidários ou simplesmente ódio os levam a comprar qualquer manchete divulgada na chamada grande mídia – que historicamente é movida por interesses econômicos.

Manchetes manipuladas para direcionar a opinião pública, informações escondidas em notas de rodapé, imagens trabalhadas para gerar interpretações específicas… um baita trabalhão nas redações para construir a “opinião crítica” de inúmeras pessoas. O que assistimos hoje, principalmente na Internet, é o surgimento de um novo analfabeto político. E já não é mais aquele que não se interessa por política, mas que aceita ideias prontas.

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