POLÍTICA: Notas de uma semana

O cenário político anda bastante movimentado em qualquer direção que se olhar. O Brasil, desde a reeleição de Dilma Rousseff (PT), vive momentos conturbados que acabaram gerando desdobramentos importantes como, por exemplo, o impeachment da petista e as ocupações de instituições de ensino contra o governo Michel Temer (PMDB). Já no cenário global, uma notícia nesta semana acirrou as discussões políticas: a eleição de Donald Trump como o 45º presidente dos EUA.

Diante de tantas histórias para comentar separamos algumas notas que valem mais do que um rodapé nos cadernos de notícias. Confira!

Presidente de língua solta

Donald Trump surpreendeu, desbancou Hillary Clinton e foi eleito o novo presidente dos EUA. A notícia, porém, dividiu opiniões – de um lado defensores do polêmico empresário e, de outro, aqueles que veem esse resultado com preocupação. Com declarações misóginas, machistas, xenófobas, preconceituosas, em favor do uso de tortura em interrogatórios, dentre outros pronunciamentos perigosos, fica difícil observar a chegada de Trump ao comando da principal potência mundial. Aguardemos, mas de maneira extremamente temorosa, as próximas páginas dessa história.

Toma lá, dá cá

A notícia da eleição de Donald Trump nem esfriou e os seus reflexos já são sentidos em vários lugares – e não falo, neste momento, dos impactos econômicos ou de uma profunda análise política. Na quarta-feira, 09 de novembro, o polêmico deputado Jair Bolsonaro (PSC-RJ), que possui declarações tão preocupantes quanto as de Trump, anunciou que será candidato a presidente do Brasil em 2018. Hoje, sexta-feira, 11 de novembro, a hashtag no Twitter “Somos Todos Bolsonaro” chegou, até o fechamento desta coluna, a 47 mil citações, o que mostra a força do parlamentar. O efeito Trump pode se tornar uma avalanche no Brasil.

Pra deixar a língua solta

E por falar daqueles que não têm freio nas palavras, Jair Bolsonaro viu o processo disciplinar ao qual respondia no Conselho de Ética da Câmara dos Deputados ser arquivado na quarta-feira. A ação foi movida após o deputado homenagear o coronel do Exército e torturador Carlos Brilhante Ustra em seu voto pelo impeachment de Dilma Rousseff – apenas uma das pessoas torturadas pelo militar. O deputado Marcos Rogério (DEM-GO), relator do processo, se baseando na Constituição, defende que deputados e senadores são “invioláveis civil e penalmente, por quaisquer de suas opiniões, palavras e votos”. Mais uma prova de que no Brasil impera a carta branca para que políticos façam o que bem entenderem sem atentar para os impactos sociais no país – mesmo que isso envolva crimes como tortura ou a falta de decoro com a presidente da República.

Vitória política, derrota popular

A Proposta de Emenda à Constituição 55 – antiga 241 – foi aprovada na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado e agora está pronta para ir à votação no plenário. A proposta prevê o congelamento dos gastos públicos por 20 anos – incluindo saúde e educação. Diversos setores da sociedade têm se manifestado contra a medida que pode frear o desenvolvimento do país em diversos segmentos, como a pesquisa científica ou ampliação do SUS. Essas manifestações têm se destacado nas centenas de ocupações de escolas e universidades por todo Brasil – mas, novamente, a classe política brasileira mostra que a última coisa que fará é dialogar com a população.

De mal com o povo

Aliás, preocupação com as pessoas dessa nação parece mesmo não existir. A base dos movimentos políticos sempre foi o diálogo e os processos democráticos passam pela aceitação da maioria. Dilma Rousseff caiu, em parte, graças à sua rejeição popular, que acabou por dar mais força aos defensores de seu impeachment. Porém, essa lógica parece ser ignorada por Michel Temer, que declarou na quinta-feira, 10 de novembro, não se incomodar em ser um presidente impopular. Para ele tudo parece ser um choro que não merece ser escutado, desde que se mantenha no poder. Em meio à crise política pela qual o país passa, tudo parece apontar para um poço ainda mais fundo.

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