POLÍTICA: Michel Temer é mais um “menino turrão” na política brasileira

A teimosia parece ser um requisito básico para se filiar ao PMDB. Eduardo Cunha, enquanto presidente da Câmara dos Deputados, fez o possível para retardar o seu processo de impeachment e, mesmo com as acusações, investigações e processos de corrupção e incrível rejeição popular, insistiu para se manter no cargo. Agora é a vez de Michel Temer assumir esse papel e tentar se segurar no cargo de presidente da República – um posto alcançado à força e sem merecimento.

Mesmo com todo o trabalho da grande mídia brasileira, que faz uma cobertura questionável e extremamente parcial do processo de impeachment que culminou com o desligamento de Dilma Rousseff (PT) da presidência e a ascensão de Temer, o peemedebista possui uma rejeição popular incrível em todos os estados brasileiros. Uma demonstração de que grande parte do eleitorado não concorda com as bases na qual foi construído o processo de impeachment de Rousseff.

Durante as manifestações que pediam a saída de Dilma do palácio do Planalto, os principais meios de comunicação do país fizeram grandes coberturas em tempo real. Porém, essa mesma postura não aconteceu quando os protestos pediam a permanência da petista no cargo. Uma postura que vai de encontro com um dos princípios básicos do jornalismo: a de dar voz a todos os lados envolvidos.

Essa postura questionável da grande mídia brasileira ficou bastante evidente ao declinar de transmitir ao vivo o discurso de defesa da então presidente Dilma Rousseff no Senado. Um momento histórico e de grande importância política para o país. Uma tentativa de silenciar e limitar o alcance das palavras de Rousseff. E esses meios de comunicação seguem silenciadores, afinal, os diversos protestos que acontecem no país contra Michel Temer não são noticiados e não recebem a devida visibilidade. Quando a imprensa assume esse papel de interferência direta nos acontecimentos políticos não é bom sinal – é um simbolismo da falência institucional pela qual o Brasil passa.

Porém, apesar dos esforços de blindar Michel Temer por meio de coberturas tendenciosas e manchetes trabalhadas para esconder a real situação brasileira, o descontentamento popular e a péssima imagem causada pelo golpe parlamentar no cenário internacional ganham as manchetes e colocam o peemedebista em uma situação, no mínimo, desconfortável. Um político teimoso que, assim como o seu partido, não quer “largar o osso” mesmo diante dos inúmeros escândalos e casos de corrupção aos quais são ligados.

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Em São Paulo, manifestantes pedem a saída de Michel Temer.

Não à toa, no feriado de 07 de setembro, que celebra a independência do Brasil, Michel Temer foi recebido durante o desfile cívico por muitas vaias e gritos de “golpista”. No mesmo dia, quando aconteceu a abertura das Paralimpíadas no Brasil, Temer foi novamente recebido por vaias e gritos de “golpista” – uma voz quase unânime que sai das arquibancadas para demonstrar o descontentamento popular com a situação política no país. Um grito impossível de ser escondido nas transmissões e coberturas da tendenciosa grande mídia.

Até mesmo no cenário internacional Temer não vem tendo boa receptividade. No encontro do G20, todos os presidentes participantes foram listados na página oficial do evento, menos o brasileiro, que é mencionado apenas como “Brazilian Leader”. Para completar, a foto oficial mostra o peemedebista isolado no canto como um intruso naquele momento. Posição contrária da qual os seus antecessores ocuparam: um posto ao lado dos principais líderes mundiais.

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Foto oficial do encontro do G20 na China.

Diante de todas essas manifestações que não reconhecem a legitimidade de Michel Temer como presidente do Brasil, o peemedebista se posta como o “menino turrão” que, por se achar dono da bola, pode impor a sua vontade sobre a de qualquer um. E, dessa forma, expõe ele e o país ao embaraço, ao retrocesso e a completa falência das instituições nacionais.

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