POLÍTICA: Michel Temer, Dia Internacional da Mulher e a crônica do atraso de pensamento

Ontem, quarta-feira, 08 de março, foi celebrado o Dia Internacional da Mulher. Mas, na prática, não há muito o que ser comemorado. Uma pesquisa feita pelo Datafolha e encomendada pelo Fórum Brasileiro de Segurança aponta que uma em cada três mulheres sofreram algum tipo de violência no último ano – sendo que somente de agressões físicas são 503 brasileiras vítimas a cada hora.

E não para por aí:

  • 40% das mulheres acima de 16 anos sofreram algum assédio, como comentários desrespeitosos na rua, assédio físico em transporte público ou ser beijada e agarrada sem consentimento;
  • 22% das brasileiras sofreram ofensa verbal no ano passado (um total de 12 milhões de mulheres);
  • 10% sofreram ameaça de violência física;
  • 8% sofreram ofensa sexual;
  • 4% receberam ameaça com arma de fogo;
  • 3% sofreram espancamento ou tentativa de estrangulamento (um total de 1,4 milhão de mulheres);
  • 1% levou ao menos um tiro.

Números que mostram que o homem brasileiro ainda não entendeu os significados de respeito e igualdade e segue com uma mentalidade completamente machista. O pior: por mais que se tenha acesso a dados estatísticos – como os apresentados neste artigo – e que se intensifiquem as campanhas e lutas feministas, ainda temos uma grande parcela de nossa sociedade afundada em pensamentos conservadores e retrógrados.

O grande exemplo disso é o presidente Michel Temer (PMDB), que em seu discurso durante evento em referência ao Dia Internacional da Mulher disparou uma série de clichês machistas que em nada contribuem para a construção de uma sociedade mais justa e igualitária. Uma caricatura exata do que é a grande maioria dos homens brasileiros.

Entre as pérolas do peemedebista estão “a convicção do quanto a mulher faz pela casa”; “que a formação dos filhos não é uma responsabilidade dos homens, mas da mulher”; e que elas contribuem para economia do país por serem “capazes de indicar os desajustes de preços em supermercados”.

Declarações que sintetizam de maneira brutal a atual crônica brasileira, bastante marcada pelo retrocesso e o atraso de pensamento. Infelizmente isso ainda está arraigado até mesmo naqueles que, teoricamente, deveriam estar à frente das nossas transformações sociais. Mas, enquanto isso, se torna uma paródia de tudo aquilo que o país não deveria ser. Certamente o papel do presidente da república neste Dia Internacional da Mulher é mais uma ofensa verbal às mulheres a ser registrada nos dados estatísticos.

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