POLÍTICA: Itabira, uma cidade de velhos desafios

Em 2016, as eleições municipais significaram mais do que a escolha do novo prefeito de Itabira. Também colocou fim à questionável gestão de Damon Lázaro de Sena (PV) e escancarou a necessidade de lidar com velhos problemas estruturais que têm dificultado o desenvolvimento local. Problemas esses que são debatidos a exaustão durante as campanhas políticas, mas acabam ficando de lado durante os exercícios políticos.

Ronaldo Lage Magalhães (PTB) acabou saindo vitorioso na disputa pela Prefeitura de Itabira. Essa será a segunda vez em que ele ocupará o cargo, já que entre 2001 e 2004 esteve à frente do Município. Porém, Itabira convive com diversos problemas identificados àquela época, mas que, desde então, não foram propostas soluções efetivas e que viessem a contribuir para o crescimento da cidade.

Neste momento em que o petebista volta a assumir a Prefeitura, as discussões ideológicas e partidárias devem ser deixadas de lado e abrir espaço para uma fiscalização efetiva e cobranças pela resolução dos diversos problemas estruturais pelos quais a cidade passa. Assim como no caso do aumento salarial do prefeito, vice-prefeito e secretários municipais, em que a população compareceu em peso à Câmara Municipal para questionar a medida, é necessário que as pessoas participem da vida política em Itabira.

Afinal, são muitas as necessidades de nossa cidade. O abastecimento de água segue como um problema longe de resolução, até mesmo as medidas paliativas, como a captação no rio de Peixe, não se mostraram suficiente. A série de racionamentos e a contaminação de parte da água fornecida à população não foram suficientes para que o Executivo Municipal se movimentasse em busca de uma solução definitiva. Além das dificuldades geradas para a população, a baixa reserva de água é fator determinante para que menos empresas busquem espaço em terras itabiranas.

A economia, ainda, se vê bastante presa aos royalties da mineração. A diversificação econômica, uma das pautas mais preponderantes nas discussões políticas, nunca deixa de ser assunto para se tornar realidade. O grande número de desempregados, a queda na arrecadação municipal e a sensibilidade econômica diante de crises nacionais e internacionais demonstra a fragilidade de Itabira. Mais do que criatividade para reestrutura a economia local, é necessário empenho e interesse político – o que tem faltado nos últimos anos.

E por falar em economia, as últimas gestões públicas em Itabira deixaram em segundo plano setores que podem vir a ser de grande importância para cidade. A zona rural local é conhecida pela sua extrema beleza e a grande quantidade de cachoeiras, porém, as políticas voltadas para o turismo ainda são incipientes e pouca efetivas. É necessário fortalecer a cidade como destino turístico e investir na melhoria da prestação de serviço.

Além disso, Itabira é bastante conhecida pela sua tradição cultural. Dona de uma história rica e que remonta ao Brasil colônia, nossa cidade possui um rico aparato cultural: cinema, teatro, museus, museu de território, pontos de cultura… e artistas, muitos artista – visto os exemplos mais famosos como Carlos Drummond de Andrade e Newton Baiandeira. Mas, de alguma forma, toda essa riqueza não é aproveitada como potencial turístico e mecanismo de diversificação econômica. Pelo contrário, é subutilizada, quando não largado à própria sorte. Sem contar o pouco apoio destinado a classe artística.

E ainda tem muito mais a que se resolver. Como a própria estrutura de ensino público, a se destacar a demora em prosseguir com o desenvolvimento estrutural da Universidade Federal de Itajubá (Unifei). Tem muito o que ser feito na construção do campus, uma responsabilidade do governo itabirano, mas que caminha a minguados prédios em cada gestão municipal.

Mais uma vez esses problemas históricos voltam às mãos de Ronaldo Magalhães e resta, agora, oferecer soluções para que a nossa cidade possa, enfim, experimentar o seu merecido crescimento. Nesse ano que se inicia, mais do que nunca, é necessário acompanhar de perto a política itabirana e cobrar do novo prefeito a resolução de todos os desafios, que são muitos e não cabem nessa singela coluna.

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