POLÍTICA: Choque de realidade – calculadora compara o seu salário com a média nacional

É comum que as pessoas criem relacionamentos com quem está mais próximo da sua realidade – seja pela condição social, pela maneira de pensar ou por gostos similares. Apesar de ser um comportamento normal, isso pode ter importantes consequências na forma como vemos e interpretamos a realidade da nossa sociedade. Afinal, ao perceber o mundo a partir de certos pontos de vista, estamos limitando a nossa compreensão e fechando os nossos olhos para o que acontece à nossa volta.

A internet de inúmeras maneiras pode exemplificar esse modo de as pessoas se comportarem. Porém, é a falta de acesso à rede mundial de computadores que explicita essa situação. De acordo com um estudo realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em 2014 e divulgados este ano, 36,8 milhões de casas estão conectadas na web – esse número engloba 54,9% dos domicílios brasileiros. Pouco mais da metade da nossa população.

A pesquisa do IBGE vai além: 54,4% dos brasileiros com mais de 10 anos acessam a internet. O que corresponde a 95,4 milhões de pessoas. E esse nível de acesso à web se deve em grande parte pela popularização dos smartphones, que permitiu que parcelas da nossa população pudessem ter um dispositivo conectado à rede de computadores. Mas essa própria palavra “popularização” esconde uma pegadinha: só torna popular aquilo que as pessoas podem comprar.

Esses números, de forma geral, demonstram que uma situação tão comum na vida de parte dos brasileiros ainda é uma realidade distante para quase metade da população. Acreditar na democratização e no fácil acesso à informação e conhecimento é, ainda, um sonho distante de ser alcançado. O que vivenciamos no Brasil, nesses últimos anos, foi a redução de parte das desigualdades e a ampliação do acesso ao conhecimento, mas, diante de um abismo social tão grande, é necessário muitos outros anos de trabalho para superar esses problemas.

Para exemplificar que ainda vivemos em um país de grande desigualdade, o jornal digital Nexo elaborou uma calculadora que compara o seu salário com a média recebida pelos brasileiros. A ferramenta estabelece comparativos com a realidade nacional, com o estado em que mora e com o salário de algumas classes profissionais, como deputado federal, soldado da Polícia Militar e professor.

Mais uma vez temos um tremendo choque de realidade ao ver que a maioria dos brasileiros precisa viver com rendimentos baixos e poucas condições sociais. Em 2016 temos eleições municipais e vivemos um momento delicado na política nacional – uma oportunidade para repensarmos a realidade que vivemos e a realidade que queremos.

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