POLÍTICA: Até seria cômico… se não envolvesse um país inteiro

A política ocupa o imaginário popular por diversas situações. Reformas que afetam educação, saúde e economia; decisões que podem transformar uma sociedade ou levá-la ao retrocesso; e ações que mudam a estrutura cultural de um país. Mas, de alguma forma, as situações que acabam marcando de maneira significativa sempre envolvem o cinismo próprio da nossa classe política.

É um parlamentar que adentra o Congresso para balear um desafeto político – e, posteriormente, vê seu filho chegar à presidência e ser “impeachmado”. Um governador que é flagrado roubando itens da moradia oficial e que pertencem ao Estado. Um presidente que fica notabilizado pelas fotos ao lado de belas mulheres sem roupas íntimas. Um senador que é pego usando verbas públicas para custear a sua amante…

Esses são alguns dos casos que preenchem a história do Brasil e transformam o exercício político em uma verdadeira paródia de programas de humor. Talvez pelo caráter fantasioso é que esses casos caiam no imaginário popular e sejam contados repetidamente através dos anos – enquanto acompanham o surgimento de novos personagens e situações. Haja criatividade!

Em certos momentos esse cinismo descamba para a hipocrisia. Duas características que parecem ser imprescindíveis para aqueles que decidem seguir carreira política no país. Muito dessa hipocrisia pode ser acompanhada na atual crise política brasileira. Desde um Conselho de Ética da Câmara dos Deputados, recheado de parlamentares respondendo a processos judiciais, até um processo de impeachment sendo conduzido por um deputado envolvido em todos os casos de corrupção atuais contra uma presidente que não sofre nenhuma acusação formal.

Porém, um dos últimos acontecimentos desse nosso realismo fantástico é a declaração de Paulo Maluf (PP-SP) de que irá votar a favor do impeachment. Nada contra o posicionamento do deputado, que tem o direito de seguir o direcionamento que julga ser melhor, mas afirmar que “já ganhei e perdi muitas disputas, mas sempre de maneira democrática e transparente, pois valorizo fortemente a democracia” é um tanto exagerado para quem chegou a ser procurado pela Interpol e se viu impedido de sair do país para não ser preso.

Só para ficar no histórico recente, o nobre deputado, que integra a comissão do impeachment, compareceu em apenas uma reunião da Comissão Especial que trata desse assunto. Foram realizadas nove sessões. Nem quando o advogado-geral da União, José Eduardo Cardozo, defendeu a presidente Dilma Rousseff (PT), Maluf esteve presente. É nessa toada que o progressista segue analisando o seu posicionamento diante de uma importante decisão para o país. E assim a história política brasileira continua sendo escrita.

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