POLÍTICA: As propostas para Cultura dos candidatos a prefeito de Itabira

No dia 02 de outubro o eleitor de todo país comparecerá à sua zona eleitoral para escolher os próximos prefeitos e vereadores que terão a missão de conduzir os municípios brasileiros nos quatro anos que seguirão. Em Itabira, a disputa está acirrada com cinco candidatos pleiteando o cargo político mais alto na cidade: Bernardo Mucida (PSB), César da Dular (PMDB), Damon de Sena (PV), Ronaldo Magalhães (PTB) e Talmo Oliveira (DEM).

Todos esses candidatos estão caminhando pela cidade, participando de eventos públicos e colocando suas propostas políticas para apreciação do itabirano. Neste momento em que se discute a nossa cidade, colocar a cultura como um dos temas centrais do debate é de suma importância para uma cidade que possui tradição no fazer artístico – e conta com grande número de artistas talentosos.

Mais do que reconhecer a vocação artística de Itabira, debater cultura é também voltar os olhos para um dos setores da economia que mais cresce no Brasil: a economia criativa. O Sistema Firjan, por meio do Mapeamento da Indústria Criativa, divulgou um estudo de dez anos – 2004 a 2013 – sobre o desenvolvimento desse setor no país. Os números são surpreendentes:

  • Em 2004 existiam 148 mil empresas na indústria criativa brasileira. Em 2013, esse número cresceu 69,1% e chegou a 251 mil empresas;
  • Estima-se que a indústria criativa brasileira gerou um Produto Interno Bruto (PIB) de R$ 126 bilhões de reais, ou 2,6% de tudo o que foi produzido no Brasil, em 2013;
  • Entre 2004 e 2013 o PIB da Indústria Criativa cresceu 69,8% contra 36,4% do PIB brasileiro no mesmo período;
  • A indústria criativa possui 892,5 mil profissionais formais. Entre 2004 e 2013, houve um crescimento de 90% nesse mercado profissional. No mesmo período, o mercado brasileiro avançou 56%.

A diversificação econômica é uma pauta constante nas discussões políticas em Itabira, porém, pouco se fala da utilização do setor cultural nesse processo. Diante de números que mostram o desenvolvimento da economia criativa em todo país, é difícil ficar indiferente e não considerar o setor cultural local como uma alternativa para a economia itabirana.

Para esta coluna do Trem das Gerais, consultamos as propostas de governo de cada um dos candidatos a prefeito de Itabira registrados no site do Tribunal Superior Eleitoral. Vejamos as principais propostas:

Bernardo Mucida

O candidato do PSB, de uma forma geral, enxerga o potencial econômico da cultura e, para que possa explorar essa possibilidade, sugere uma ampla reformulação nos aparatos culturais de Itabira, sobretudo com a reestruturação da Fundação Cultural Carlos Drummond de Andrade (FCCDA), órgão gestor da cultura municipal, tanto física quanto dos pontos de cultura: Caminhos Drummondianos, Memorial Carlos Drummond de Andrade, Casa de Drummond, Casa do Brás e Fazenda do Pontal.

Além disso, propõe uma aproximação entre estruturas mantidas pelo setor de Turismo do município e a gestão cultural, como é o caso dos museus da cidade – Museu de Itabira, Museu do Tropeiro e Centro de Tradições de Senhora do Carmo. E isso inclui a criação de um Plano Museológico para nortear o trabalho nesses órgãos.

Essa reestruturação se faz necessária diante do cenário em que muitos desses centros culturais se encontram. Museus, teatro, concha acústica estão fechados ou subutilizados; pontos de cultura sem vocação definida, o que dificulta a execução de um trabalho amplo e eficiente; assim como atrativos turístico-culturais depredados e abandonados pela gestão pública.

Bernardo Mucida também propõe o fechamento da TV Cultura de Itabira devido à sua utilização como veículo político. É certo que a TV local não pode ter um viés eleitoreiro, mas diante do investimento que foi feito nela recentemente – em estrutura e equipamentos –, e das possibilidades de apoio e divulgação cultural, seria um desperdício de um aparato que pode vir a ser de grande importância para a cidade. O ideal é o desenvolvimento de um novo modelo de trabalho para a TV Cultura.

César da Dular

O candidato do PMDB também defende uma série de mudanças na FCCDA. Desde a revitalização dos espaços físicos, como a readequação e melhor utilização dos pontos de cultura da cidade. Além disso, propõe a realização de novos concursos públicos para preenchimento de cargos na FCCDA, o que reduziria o número de nomeações políticas e profissionais sem conhecimento da área.

A revitalização do sistema museológico e digitalização do seu acervo também está na pauta e se faz necessário devido à subutilização e o abandono da memória local. César da Dular ainda defende a ampliação dos festivais culturais locais, como o Festival de Inverno, e a transformação da Semana Drummondina em um festival literário nacional.

Outra proposta que se destaca é a criação de um Conservatório de Música de Itabira. De uma maneira geral, a Escola Livre de Música de Itabira (ELMI), que funciona na Casa do Brás, já cumpre esse papel, dessa forma, não é necessário a criação desse aparato, mas sim maior investimento e ampliação dos trabalhos desenvolvidos na ELMI.

Damon de Sena

Tentando a reeleição, Damon de Sena erra ao atrelar suas propostas de cultura às propostas de esporte e lazer. Apesar de caminharem em terrenos próximos, cultura e esporte demandam um modelo de gestão e desenvolvimento de políticas diferente e, por tanto, não podem ser tratados na mesma esfera.

Assim como seus concorrentes, o candidato do PV propõe a reforma e revitalização do prédio da FCCDA. Damon de Sena já apresentou durante sua gestão um projeto para esse trabalho, mas pouco fez nesse sentido, inclusive interditou o teatro prometendo a sua reforma – mas nada foi feito até agora. O mesmo acontece com a Concha Acústica, que segue subutilizada.

O atual prefeito também sugere a recomposição do quadro de servidores da FCCDA por meio de concurso público. Uma ação que poderia ter executado durante o seu mandato atual, mas preferiu seguir com as indicações políticas. Somente a criação da Escola Livre de Artes chama a atenção nas propostas culturais do pevista, mas levando em consideração a sua gestão para cultura e as propostas que já deveriam ter sido executadas no seu mandato como prefeito, as ideias de Damon Sena parecem vazias.

Ronaldo Magalhães

Assim como Damon de Sena, Ronaldo Magalhães atrela as propostas de cultura às propostas de esporte e lazer. Uma visão que não leva em consideração a complexidade e as particularidades de cada um desses setores, que precisam ser entendidos e geridos de forma independente.

As propostas do petebista para a cultura são genéricas e sem explorar e promover grandes alterações no cenário atual. Entre elas está a revitalização do Parque de Exposições, que atualmente não é de responsabilidade da FCCDA, gestora da cultura em Itabira; a criação de uma agenda cultural com eventos de qualidade, mas em nada trata dos atuais eventos mantidos pelo município; e ampliar a oportunidade de trabalho aos profissionais da cultura.

Ronaldo Magalhães também defende o resgaste e a promoção da história e a obra de Carlos Drummond de Andrade. O que se faz necessário diante da riqueza do trabalho do poeta itabirano, mas ao focar apenas em Drummond deixa de propor ações para os artistas que vem produzindo novos trabalhos em Itabira.

Talmo Oliveira

O candidato do Democratas não registrou suas propostas de governo junto ao TSE. Assim, não iremos realizar a avaliação de suas ideias para a cultura de Itabira.

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