POLÍTICA: Alguns desafios para a cultura itabirana

Carlos Drummond de Andrade é um dos símbolos da cultura brasileira e o principal expoente da cultura itabirana. Porém, as últimas gestões da Fundação Cultural Carlos Drummond de Andrade (FCCDA) não souberam trabalhar esse patrimônio de forma a incentivar e fortalecer a produção artística na cidade. Pelo contrário, as ações da Prefeitura de Itabira e da FCCDA foram marcadas pelo senso comum e a incapacidade de trabalhar o legado de Drummond no fomento cultural e turístico de Itabira.

Mais do que não saber trabalhar o seu principal legado cultural, a FCCDA, nos últimos anos, tem tido enormes dificuldades em prover o desenvolvimento artístico local. Artistas – músicos, escritores, atores, dançarinos e outros profissionais – não faltam, pois Itabira é um celeiro de talentos que, em muitos casos, não são aproveitados devido à falta de políticas públicas eficientes para o setor.

Atualmente, o calendário oficial de eventos culturais conta com apenas dois grandes eventos: o Festival de Inverno e a Semana Drummondiana. Todos os dois têm se notabilizado por investir em nomes de grande repercussão, mas deixam de lado os artistas itabiranos. A consequência dessa prática é uma renovação lenta dos nossos talentos, um sistema cultural fraco e o abandono dos aparatos culturais da cidade.

Dessa forma, a nova gestão da FCCDA, que terá Martha Mousinho à frente, tem um grande desafio a ser cumprido nos próximos quatro anos. Em um primeiro momento é necessário revitalizar os pontos de cultura, seja com reformas estruturais ou com a definição da vocação artística de cada um desses pontos – Casa de Drummond, Casa do Brás, Fazenda do Pontal, Caminhos Drummondianos e demais estruturas públicas.

Definir um escopo de trabalho para cada espaço cultural é de grande importância para a criação de políticas públicas mais eficientes, diversificação dos investimentos públicos e maior amplitude das ações culturais. Além disso, impede que os pontos de cultura sejam subutilizados e, até mesmo, largados às traças – práticas comuns nessas estruturas.

Além disso, é necessário fomentar e criar mecanismos para que os artistas locais tenham mais oportunidades de mostrar o seu trabalho, a possibilidade de ter um diálogo mais próximo com o gestor da cultura, assim como uma abertura maior para a proposição de projetos. Um movimento que contribui para o fortalecimento da cena artística, ao mesmo tempo em que possibilita o surgimento de novas iniciativas.

Por fim, é preciso trabalhar melhor os Corpos Estáveis da FCCDA. A Orquestra de Câmara, o Coral da FCCDA e demais produtos que surgem da Escola Livre de Música de Itabira (ELMI) precisam ser mais presentes no roteiro cultural da cidade – inclusive com calendários próprios de apresentações. O Grupo Tumbaitá não só precisa ser mais ativo, como é necessário desenvolver novas coreografias para que possa ter preponderância ainda maior no cenário artístico.

Esses são apenas alguns dos desafios a serem enfrentados por Martha Mousinho na FCCDA. Ainda tem muitos outros aspectos a serem melhorados, como o apoio para a reestruturação e preservação da Banda Euterpe Itabirana e melhor gestão do patrimônio cultural de nossos artistas, como Newton Baiandeira, que deixou um vasto acervo de poemas e músicas. A cultura itabirana é mais do que Drummond e precisa, urgentemente, de uma administração mais efetiva e que contribua de maneira determinante para o desenvolvimento da cidade.

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