Poema culinário: versos cheios de sabor

Como estamos na semana de comemoração do aniversário de Drummond me deram o desafio de escrever a coluna de hoje unindo os dois temas: Drummond e gastronomia.

Eu sempre li Drummond, começou na escola. Creio que para todo itabirano foi assim. Mas, como para a grande maioria, eu também só conhecia as poesias e contos mais famosos. Só depois de um tempo, já adolescente, comecei a ler Drummond de outras maneiras e conheci suas crônicas, seus contos eróticos e suas poesias menos divulgadas entre nós.

Quando me deram o tema, eu logo me lembrei dos poemas em que ele fala da relação indivíduo e alimento, Drummond, em “Poema Culinário”, nos transporta para a cozinha antiga de fogão a lenha e temperos simples, mas de sabores marcantes. Seus versos descrevendo um croquete (para alguns é uma receita de coxinha) de galinha lembram um caderno de receita de Vó, aqueles com as páginas amareladas com marcas de urucum e cheiro de nostalgia.

E, a partir de “Poema Culinário”, eu peço licença a Drummond e deixo aqui uma releitura do croquete de galinha descrito por ele:

Ingredientes
1 quilo de peito de frango limpo sem pele e sem ossos
1 cebola bem picada
1 colher de sopa de manteiga
1 colher de sopa de azeite
2 dentes de alho amassados
2 tomates sem pele e sem semente
1 xícara de farinha de trigo
Salsa e cebolinha picadas a gosto
Sal e pimenta do reino a gosto
Óleo para fritar

Como fazer
Passar o peite de frango por um processador e reservar. Refogar o alho e a cebola no azeite com a manteiga, acrescentar o tomate e os temperos. Misture o refogado ao frango e acrescente a farinha de trigo (a mistura gruda mesmo nas mãos). Envolva a massa em um filme plástico e deixe descansar na geladeira por uma hora.

Depois de frio pegue pequenas porções e molde os croquetes. Frite em óleo quente ou coloque em uma assadeira forrada com papel manteiga e asse em forno médio até dourar (mais ou menos 25 min).

Dica1: Eu prefiro moldar os croquetes, congelar e só depois fritar.
Dica2: Você pode rechear os croquetes com queijo.
Dica3: Você pode servir com maionese de alho (misture a maionese com alho desidratado e algumas gotas de limão) ou mostarda.

Abaixo o poema que inspirou a coluna de hoje. E a Drummond, meu agradecimento pelas palavras e pela companhia na cozinha hoje.

Poema Culinário
No croquete de galinha,
a cebola batidinha,
com duas folhas de louro,
vale mais do que um tesouro.
Também dois dentes de alho,
nunca serão espantalho;
(Ao contrário).
E três tomates,
em vez de causar dislates,
sem peles e sem sementes,
são ajudas pertinentes.
Ao lado do sal, da salsa,
(a receita nunca é falsa),
todos boiam na manteiga,
de natural doce e meiga;
e, para maior deleite,
copo e meio de leite.
Ah, me esqueci: três ovos,
bem graúdos e bem novos,
junto a farinha de rosca,
(espante-se logo a mosca),
a pitada de óleo,
sem se manchar o linóleo.
E mais farinha de trigo…
ai, meu Deus, deixa comigo!

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Kamila Duarte de Jesus ou simplesmente Nêga, como é chamada pela família e pelos amigos, traz a paixão pelas panelas no DNA. Bisneta de Raimundo Cozinheiro - cozinheiro dos ingleses que vieram para Itabira junto com a Companhia Vale do Rio Doce -, aprendeu a cozinhar ainda criança quando usava um mini fogão a lenha para preparar guisados e batatas para suas bonecas. Formou-se em Publicidade e Propaganda pelo Centro Universitário Newton Paiva por ouvir de todos que era muito criativa. A paixão pela gastronomia passou de brincadeira de criança a assunto de adulto e já atuando profissionalmente na área se formou em Cozinha Profissional pelo Senac – MG em 2014. Acredita que um bom prato de sopa até cura, que doce é um carinho na alma e que cozinhar é uma maneira de demonstrar amor ao próximo.