No caminho dos diamantes, a cortesia

Pois, então, estou saindo de Diamantina, pronto para pegar a verdadeira Estrada Real. Estrada verdadeira, porque os caminhos hoje são muitos, mas o lugar exato em que passaram os bandeirantes, escravos, tropeiros, eram e são um só. Os criadores da Estrada Real Turística (vamos assim denominar) inseriram cidades, vilas, arraiais e localidades no contexto. Às vezes são pontos distantes, mas influentes. Quem viaja por esta nossa Minas Gerais, normalmente, vê placas com as informações “Região da Estrada Real”.

Então, vamos adiante pelo Caminho dos Diamantes, que segue até Ouro Preto, depois de ver as riquezas e belezas diamantinenses. E como demorarei a chegar lá! Pego, então, uma estrada totalmente de terra, no rumo do Serro, que é o meu destino nesta etapa. A primeira chegada é a localidade de Gruta do Salitre e, depois, Vau. Seguia sozinho e a arrancada estava prevista até o Serro, mas tive a companhia de Gerson da Cruz, servidor público municipal, que trabalha com outros colegas na manutenção da estrada. Mostro a ele o mapa original da Estrada Real. Em Vau, encontro as irmãs Rita Baracho e Geralda Baracho, que me oferecem um saboroso café com leite e broa legítima de fubá. Agora, longas conversas sobre a gastronomia da região. Frango com quiabo é o prato do dia.

São Gonçalo do Rio das Pedras, proximidade de cachoeiras, assim como toda a região, além de produtora de ouro e diamante no tempo das atividades da Coroa, é um entreposto da Estrada Real, assim como centenas de outros. Vários historiadores se baseavam nesta lógica de crescimento: as cidades e vilas foram surgindo por causa da passagem de riquezas. Tanto é que o Marquês de Pombal, grande responsável pelo gerenciamento direto de riquezas mineiras, aproveitou para tributar vários produtos que eram comercializados. Assim resolvia mais depressa a captação de valores que cobririam e cobriram os custos da reconstrução de parte de Lisboa, devastada, em 1.755, por um terremoto. Veremos isso com mais detalhes à frente e de como Portugal deve tanto à colônia brasileira.

No decorrer da viagem, dezenas de pessoas foram se aderindo ao propósito que mantive de captar informações diversas: Hailton Sincurá, Leoni Ribeiro, Guilherme Gutierrez (colombiano), Janaína Fragoso, Sebastião Faria, Maria de Fátima Spíndola, Isabel Paulino, Antônio Sílvio Moreira, Rosário Lopes Vieira, entre outros, me ajudaram demasiadamente. Vários atrativos podem ser vistos na região. Prossegue a fartura deles: casarões e igrejas coloniais do tempo do Barroco, imagens sacras, pinturas do Barroco Mineiro, artesanato, gastronomia, história, paisagens bucólicas, praias e cachoeiras. A variedade garante o que o turismo exige: agregação de valores e atividades.

A próxima parada é no distrito de Milho Verde, cujos símbolos são as igrejas de Nossa Senhora dos Prazeres e do Rosário, ambas do século XIX, de características coloniais, e as inúmeras cachoeiras. Até chegar ao Serro, passei ainda por Três Barras. No decorrer deste trajeto foram feitas dezenas de novos amigos, parceiros, que me ajudaram na caminhada, sempre a pé, depois de marcar o “ponto” nas paradas. A esta altura da viagem já tinha anotado no meu caderno de apontamentos: receptividade, acolhimento, hospitalidade, atenção, cordialidade, solidariedade e cortesia — todos esses adjetivos me fizeram dar à Estrada Real o primeiro ponto positivo, que começa a contar em prol do desenvolvimento.

Comentários

José Almeida Sana, ou simplesmente, José Sana, é ex-vereador em Itabira (dois mandatos), ex-presidente da Câmara (duas legislaturas), ex-funcionário da Vale, jornalista, microempresário, historiador com foco em História do Brasil e Patrimônio Histórico e Cultural (especializações), prefere temas existenciais, sem dispensar alguns passatempos e futilidades.