MÚSICA: Os 20 melhores discos brasileiros em 2016

Fala moçada! No dia 16 de dezembro, o site “Tenho Mais Discos que Amigos” – para mim o melhor portal musical do Brasil! – lançou uma lista com os 50 melhores discos nacionais de 2016. O artigo é assinado por Matheus Anderle, Guilherme Guedes e Tony Aiex e ficou incrível. Cuidadosa, a lista tem desde músicas regionais até o já tradicional funk carioca, passando pelo indie, metal, instrumental até a new MPB!

Ouvi todos os discos com muita atenção e fiz uma seleção com os 20 que mais me agradaram. Para isso levei em conta, principalmente, a identidade de cada artista.

É muito bom saber que a música brasileira ainda é forte, resistente, com qualidade e, principalmente, que se renova a cada ano, se adaptando à tecnologia e às novas linguagens sem perder as raízes de cada estilo musical.

A lista não tem ordem de preferência. Na minha visão, as 20 escolhidas tem o mesmo nível de qualidade. Os comentários das bandas são dos próprios críticos do site (quem sou eu para discordar, rsrs).

Confira:

1 – Trampa – “¡Viva La Evolución!”

Spotify https://play.spotify.com/album/2Gfx9LZ2wuwVY2wO4Z4ZeV

Trampa é mais uma boa banda de rock que vem de Brasília e, em seu novo disco de estúdio, o grupo mostra dez porradas orientadas a grandes riffs de guitarra e letras em português.

2 – Barro – “Miocárdio”

Spotify –  https://play.spotify.com/album/427BpMoO1X9n2A2ywYLlX6

“Miocárdio”, primeiro álbum de estúdio do projeto Barro, é uma grande afirmação de Filipe Barros como músico. Passeando pelo indie, pelo pop e pela eletrônica, o disco contém lindas melodias – e letras ainda melhores.

3 – Blind for Giant – “Plants & Fishes”

Spotify https://play.spotify.com/album/6j0j88Acz8jhLXcuTNIQjF

Blind for Giant demorou quatro anos para lançar seu primeiro álbum, mas a espera valeu a pena. Com influências (declaradas) de bandas como Queens of the Stone Age e Rage Against the Machine, o disco Plants & Fishes” é uma ótima pedida para aqueles que buscam o rock cru, bruto e implacável.

4 – Bayside Kings – “Resistence”

Spotify https://play.spotify.com/album/1Zux6LV84AYQuSgVjnyj5y

O novo disco do Bayside Kings pode ser curto, mas seus 20 minutos não faltam com energia por um segundo. Todas as músicas em Resistance” têm arranjos bem diversificados, com estruturas muito bem trabalhadas e sempre agitadíssimas, tornando o disco um dos destaques do hardcore nacional em 2016.

5 – Vitor Araújo – “Levaguiã Terê”

Spotifyhttps://play.spotify.com/album/6IWKmOjaLFQH5j7f5kFDmK

Em um disco extremamente denso, o músico Vitor Araújo recompensa os ouvintes pacientes e minuciosos. Levaguiã Terê” apresenta uma composição sonora cuidadosa, sutil e altamente gratificante, afirmando sua posição como um dos destaques da música experimental nacional.

6 – Godasadog – “Escorpião”

Spotifyhttps://play.spotify.com/album/5Ge6rlSCXA8qReS1qzU4lx

Em Escorpião”, seu segundo álbum de estúdio, o duo Godasadog demonstra um estilo eletrônico minimalista, que aliado a algumas das melhores letras do ano tornam o resultado final um álbum quieto, calculado – mas notável.

7 – Sarina – “Ela”

Spotifyhttps://play.spotify.com/album/5cyqIJYxUqxhNVWhGGtJgy

Em seu segundo álbum de estúdio, o Sarina mostra um trabalho polido, muito bem montado. Apesar da predominância do rock, algumas faixas contam com influências da música nordestina, terra natal de alguns membros do grupo.

8 –  Muñoz – “Smokestack”

Spotifyhttps://play.spotify.com/album/5T66yEZBvqH6Ooh3fdT70A

Com muitas guitarras, canções originais e versões para Black Sabbath e Deep Purple, o duo Muñoz voltou a impressionar mais uma vez com sua mistura de blues/rock, metal e hard rock bastante própria.

9 –  Xóõ – “Xóõ”

Spotifyhttps://play.spotify.com/album/1GX5mVsR2U7sCRQpUAUYK7

Xóõ é uma espécie de supergrupo da cena alternativa nacional. Larissa Conforto, Gabriel Ventura e Hugo Noguchi (Ventre) se uniram a Bruno Schulz (Cícero), Felipe Ventura e Cairê Rego (Baleia) para musicar as composições verborrágicas de Vitor Brauer (Lupe de Lupe). Em seu primeiro álbum, os universos distintos dos integrantes se chocam em canções tensas e refinadas.

10 Hover – “Never Trust The Weather”

Spotifyhttps://play.spotify.com/album/1MUX12bJJtuijuG0M3srTC

Conhecido há até pouco tempo apenas por quem acompanhava a cena independente do Rio de Janeiro com mais atenção, o Hover reuniu influências de várias vertentes do rock alternativo em Never Trust the Weather”, disco de estreia do quinteto que passeia com maestria entre o post-hardcore e vertentes mais modernas e melódicas do metal.

11 – Mahmundi – “Mahmundi”

Spotifyhttps://play.spotify.com/album/33ajk7UGoDKpev7Oquk4Ur

Depois de anos e anos de espera, Mahmundi finalmente lançou seu álbum homônimo de estreia, uma verdadeira pérola do pop alternativo tão quente e interessante quanto a sua bela capa. Os timbres oitentistas ainda prevalecem, agora refinados por arranjos mais cuidadosos e melhor executados que nos EPs que conhecíamos até aqui.

12 – INKY – “Animania”

Spotifyhttps://play.spotify.com/album/1rs5evkNqvgF0RFQ2BzFMM

O aguardado novo disco da banda paulistana INKY tem oito faixas, 33 minutos, participação do Bixiga 70 e algumas das canções mais inspiradas do rock alternativo nacional em 2016.

Com “Animania”, a banda se aventurou pelo caos e se mostrou mais madura, mais disposta a tomar riscos e a permitir que cada membro pudesse ter seu próprio espaço e a sua chance de brilhar.

13- Braza – “Braza”

Spotifyhttps://play.spotify.com/album/5SaKzDeV7nJYOmTtL6DZnb

Braza nasceu das cinzas do ForFun e já surgiu grande: com um baita disco de estreia, belas artes e clipes contundentes, os cariocas continuaram de onde pararam misturando reggae, rock, SKA e letras provocativas.

14  The Baggios – “Brutown”

Spotifyhttps://play.spotify.com/album/4POj5sw5Um4n6ePfwyksOV

“Brutown” é o resultado da inspiração da dupla de blues/rock The Baggios em eventos recentes que aconteceram tanto em sua carreira quanto no Brasil e no mundo, abordando desde a tragédia em Mariana aos ataques no Bataclan.

Para contar isso tudo, a banda adicionou um terceiro elemento à sua formação e contou com a ajuda de Emmily Barreto, Gabriel Thomaz, Érika Martins, Jorge Du Peixe, Fernando Catatau e mais.

15 – Sabotage – “Sabotage”

Spotify https://play.spotify.com/album/54fqpmy2k6wjUGdPSxN8Me

No dia 24 de janeiro de 2003, o rapper Sabotage foi assassinado perto de sua casa na Zona Sul de São Paulo. A sua morte reverberou fortemente no cenário do hip-hop nacional, especialmente pela enorme inspiração que o músico foi para vários outros artistas. Em suas canções, Sabotage tratava principalmente de questões sociais, retratando as várias injustiças do mundo.

Nos meses que antecederam a sua morte, o músico vinha compondo novas músicas para um novo disco que acabou nunca sendo lançado. Recentemente, porém, essas letras acabaram sendo resgatadas para finalmente ser construído o último álbum do rapper, uma espécie de “despedida oficial”.

E foi assim que o álbum homônimo Sabotage” acabou tomando forma. Contando com colaborações de nomes como Tropkillaz, BNegão, Céu, Dexter, Daniel Ganjaman e Shyheim (Wu-Tang Clan), o disco é uma verdadeira joia, um adeus à altura de um artista que viveu uma vida breve, mas completa.

As letras podem ter sido escritas e gravadas há mais de dez anos, mas (infelizmente) ainda soam atuais. A consciência social e honestidade do rapper aliados à ótimas batidas feitas com cuidado por grandes nomes nacionais fazem desse um dos discos mais icônicos dos últimos anos.

16 – Céu – “Tropix”

Spotifyhttps://play.spotify.com/album/3OjQpMNunvljKP0tFVGip4

Inspirado em estética sonora vintage, mas distante do saudosismo, Tropix” garante o lugar de Céu entre as grandes cantoras da música brasileira em todos os tempos. As influências de reggae e trip-hop do início da carreira de Céu dão lugar a canções dançantes, como se os melhores momentos da Tropicália fossem “reimaginados” a partir do espírito das discotecas com produção contemporânea.

17 – Clarice Falcão – “Problema Meu”

Spotifyhttps://play.spotify.com/album/7nuMBKZT1PpyGw9RzjqpR1

Em seu segundo disco de estúdio, a cantora Clarice Falcão resolveu deixar os violões em segundo plano e se aprofundou em produções ainda mais cheias e interessantes. Produzido por Kassin com colaboração de Diogo Strausz, Problema Meu” tem influências no rock, no eletrônico e, sobretudo, nas várias vertentes da música indie.

Apesar da drástica mudança sonora, as notáveis letras da cantora ainda estão presentes – e melhores que nunca. Clarice disserta sobre os assuntos mais diversos de uma forma tão suave que, em um primeiro momento, faz parecer que tudo é muito simples – mesmo quando resolve falar sério, como em “Eu Sou Problema Meu” e “Vagabunda”.

Ao longo de todo o álbum, cada canção tem particularidades especiais, camadas e camadas de instrumentalização e até uma cover inesperada e soturna do hit dance “L’amour Toujours (I’ll Fly With You)”, que tornam cada detalhe do álbum algo único.

18 – Metá Metá – “MM3”

Spotifyhttps://play.spotify.com/album/0603vBXcsrZAaHlaibUj5t

O impacto da proficiência do Metá Metá, ou melhor, do trio que compõe o grupo –  Juçara Marçal, Kiko Dinucci e Thiago França – ainda há de ser explicado, sentido, reverberado. Com “MetaL MetaL” (2011), a banda se colocou como centro de uma revolução na música brasileira de vanguarda, sentida em incontáveis frentes, com ápice no “A Mulher do Fim do Mundo”, disco que ressignificou a carreira de Elza Soares. Depois de turnês nacionais e internacionais e lançamentos envolvendo inúmeros projetos diferentes, Juçara, Kiko e Thiago uniram-se outra vez em MM3”, terceiro álbum do Metá Metá.

Motivado por essas explorações e pelo contexto social caótico do país, “MM3” é o trabalho mais rasgante e desafiador do Metá Metá até aqui. A mistura singular de jazz, ritmos africanos e veia punk dos discos anteriores ressurge ainda mais agressiva, furiosa e enraivecida, sempre com o cuidado de contrapor a angústia com breves e arejadas calmarias melódicas. Em “MM3”, o Metá Metá deixa de ser um fator ou outro, mas a conjunção de todos em um, uma avalanche criativa cujos rastros dificilmente se apagarão.

19 O Terno – “Melhor Do Que Parece”

Spotify https://play.spotify.com/album/0603vBXcsrZAaHlaibUj5t

O Terno se tornou um dos principais grupos da nova geração do rock nacional ao redor de clipes bem-humorados e extremamente bem feitos. Mas mesmo com elogios constantes e um justificável hype ao redor do trio, o grupo parecia não corresponder – em conteúdo e essência – às expectativas alimentadas pelos admiradores e questionadas pelos críticos. Até aqui.

Em Melhor Do Que Parece”, o terceiro álbum da carreira, O Terno se transformou na banda que sempre prometeu ser. Os arranjos rebuscados dão ao rock retrô da banda uma cara mais próxima da soul music e da era dourada da MPB, e funcionam como o pano de fundo perfeito para as letras de Tim Bernardes, cada vez melhores.

No fim das coisas, eles só precisavam de tempo. Se antes o charme era um humor volátil, despretensioso, O Terno demonstra sinais evidentes de amadurecimento com “Melhor Do Que Parece”, e justifica, enfim, a adoração fervorosa de quem os admirava desde o começo.

20 Zander – “Flamboyant”

Spotifyhttps://play.spotify.com/album/43034CTnR2WXCukAq4YZhw

Se você conhece o Zander, já deve saber do estilo dos caras. E apesar de não estarem muito preocupados em se reinventar, o novo álbum do grupo mostra que eles ainda têm muito gás para queimar, apresentando uma série de faixas para os amantes de rock and roll e hardcore melódico.

Boas opções para as férias de fim de ano. Espero que gostem!

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André Luiz é publicitário, sócio fundador da Origami Propaganda, músico e um apaixonado pelo cinema. Viciado em páginas de Design e programas de culinária, mesmo sem saber aplicar nada na cozinha. Amante do futebol, tanto no campinho do bairro quanto nos grandes estádios, e das suas companhias: o "tira-gosto" e a cerveja.