MÚSICA: O desafio de viver do próprio som

Hoje vou falar sobre um tema polêmico: a música como fonte de renda.

Eu, como músico, em minha adolescência, toquei diversas vezes de graça, mais pelo prazer de mostrar o meu som do que pela esperança de que aquilo me gerasse outros contatos ou locais para tocar. A partir de determinado momento comecei a sentir necessidade de ter alguma renda com essas apresentações, e nem era para pagar a “arte”, e sim os custos com gasolina, alimentação e manutenção dos instrumentos. Em uma terceira etapa comecei a achar injusto tocar e ser parte da atratividade da casa, que visa naturalmente lucro, sem receber a minha parte por isso.

Essa discussão se desdobra quando começamos a pensar qual o valor justo a ser cobrado por um músico que, suponhamos, faça duas horas de apresentação! Se for somente um artista, violão e voz, o preço deve ser x, mas se for violão e voz e uma percussão 2x? E se for uma banda o valor tem que ser maior? Dependendo do número de integrantes, isso muda? Se o músico tocar em um bar pequeno ele deve cobrar menos do que tocar em um bar de grande porte? A apresentação é a mesma ou a responsabilidade é diferente?

Essas questões tornam o mercado musical no Brasil um emaranhado de fios quase impossível de se desembolar.

Eu não tenho respostas exatas para essas perguntas, mas acho que o melhor caminho é trabalhar com qualidade, investir na música e tentar negociar caso a caso as suas apresentações.

Às vezes é interessante tocar de graça em um Rock in Rio pela exposição que vai dar ao músico, as possibilidades de novos negócios, mídia espontânea etc., mesmo sabendo que o evento é o que mais lucra no mundo. E, às vezes, não é viável tocar de graça no barzinho da esquina onde o músico é apenas um pano de fundo para o jantar das pessoas.

A qualidade nem sempre garante contratos e apresentações, mas ela garante que, quando elas aparecerem, vai justificar o investimento feito.

O que não se pode é misturar os lados do amor pela música com o comercial. O que quero dizer com isso: não deixar que sua música seja subjugada financeiramente pela vontade que você tem de apresentá-la, a não ser que essa vontade seja seu objetivo único e preencha todas as suas necessidades como músico.

Resumindo os dois lados:

Pagar 450 mil pro Wesley Safadão fazer um show de 1h40m é justo? Se ele te trouxer 150 mil de lucro é. Pros dois lados.

Gostaria de saber a opinião dos músicos sobre esse tema! Deixem seus comentários.

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André Luiz é publicitário, sócio fundador da Origami Propaganda, músico e um apaixonado pelo cinema. Viciado em páginas de Design e programas de culinária, mesmo sem saber aplicar nada na cozinha. Amante do futebol, tanto no campinho do bairro quanto nos grandes estádios, e das suas companhias: o "tira-gosto" e a cerveja.