Muda que o mundo muda com a gente

E do nada o mundo resolveu falar de autoestima e dos benefícios do amor próprio! Sério??

A gente passa uma vida inteira sendo massacrado por estereótipos pré-estabelecidos, padrões desumanos de estética e noções descabidas de comportamento para, agora, neguinho achar que está na hora de lembrar às pessoas da importância delas se amarem!

Tá fácil, né?!

Só que o problema é que nem todo mundo desenvolve essa necessidade vivendo numa sociedade tão demagoga e preconceituosa como a nossa. Quem cresce num meio em que os pré-conceitos são uma constante, dificilmente será um ser humano feliz. Menos ainda feliz consigo mesmo.

As pessoas mais honestamente felizes que eu conheci na vida não se importavam se não tinham feito um curso superior, se não tinham corpos sarados, se não falavam o português corretamente ou se seus cabelos não eram lisos. Essas pessoas se importam muito pouco com celulares com maçãs mordidas, bolsas com letrinhas gravadas e carros que chegam a 300 km/h. E é uma gente que não está nem ligando para o que os outros vão imaginar, pensar, falar, comentar ou apontar.

Gente, realmente feliz, está plena com as decisões e escolhas que tomou na vida. Acorda e sorri pra pessoa que vê no espelho. Porque se ama. E é gente assim que irradia a alegria verdadeira.

Ahhh Tati, mas como que se faz isso?
Não sei… porque venho tentando e conseguido na base da sorte.

Baseada na minha, pouca, experiência de vida, posso dizer que me tornei mais centrada quando comecei a dar ouvidos para as pessoas que gostavam de mim nos momentos do “apesar de”.

Algum desses cronistas da atualidade já até escreveu sobre isso.

Descobri que eu era linda, por dentro e por fora, quando percebi que as pessoas me amavam apesar das minhas falhas, apesar do meu sobrepeso, apesar do meu péssimo humor matutino, apesar das minhas palavras – muitas vezes grosseiras -, apesar das minhas espinhas na cara.

Eu percebi que tinha gente que continuava do meu lado apesar das minhas crises depressivas, das minhas opiniões contundentes, da minha eventual falta de senso, do meu ronco, da minha vontade de sair de segunda a segunda.

Realmente tinha uma galera meio doida que me admirava apesar dos meus textos meio confusos, apesar da minha ausência consentida, apesar da minha mania de interromper frases, apesar da minha falta de paciência com assuntos repetitivos.

E apesar de um caminhão de “defeitinhos e defeitões”, apesar de eu mesma achar que não tinha nadinha que se salvava em mim, ainda tinha gente elogiando meu sorriso, minha voz, minhas atitudes, meu trabalho, meu cabelo… elogiando tudo em mim.

Aí eu aprendi uma das lições mais importantes da minha vida: a receber os elogios e a acreditar neles!

Um belo dia eu falei – duramente – comigo mesma: “Dona Tatiana, se tanta gente insiste em apontar tanta coisa boa em você, a errada é você que não consegue perceber. Trate já de mudar seu ponto de vista e pare de fingir para a felicidade que não tem ninguém em casa!”

Diz, acertadamente, Gabriel… o pensador… “muda, que quando a gente muda, o mundo muda com a gente. A gente muda o mundo na mudança da mente. E quando a mente muda, a gente anda pra frente. E quando a gente manda… ninguém manda na gente!”

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Tatiana Linhares. Muitas. Jornalista. Mineira. Tatuada. Outono e primavera. Pão de queijo. Livros. Música. Revistas. Cinema. Teatro. Futebol. Cruzeiro. Viagens de carro. Areia e mar. Esmalte colorido. Cerveja gelada. Família grande. Incontáveis amores. Paixonites agudas. Saudade. Simplicidade. Palavras