LÍRICA IMPETUOSA: Dar asa à amizade é se despedir da lealdade

Achamos que temos mil amigos…
Mas queremos mil amigos!?

…até que um dia a gente percebe que um único amigo serve apenas para chorar as mágoas dos problemas no trabalho; outro serve pra gente falar de futebol e religião; tem amigo para vir te ajudar a dar banho nos cães e tem amigo que escuta suas dores de cotovelo; tem amigo que te dá mil conselhos, mesmo que a opinião dele não vá resolver em nada sua vida; tem amigo que o tira de todas as encrencas (se você for um causador de encrencas); tem amigo que empresta dinheiro e que pede emprestado, e você está sempre em saldo positivo com ele, por incrível que pareça!; tem amigo que te dá mil chances de se redimir; tem amizade colorida, tem amizade de boteco, tem amizade fogo de palha e tem até amigo que você precisa dar um novelo de lã para tricotar porque senão a língua fica maior que a perna.

O fato é que certas coisas que gostaríamos de compartilhar com um, não serve para compartilhar com outro e por aí vai. É aquilo que você não tem coragem de confessar para sua mãe, mas confessa para a sua amizade de Internet que já conhece há dez anos e nunca se viram pessoalmente. Dá para entender isso? Porque amizade não tem fronteiras…

E existem aquelas pouquíssimas amizades que se contam nos dedos de uma única mão e que é isso aí tudo e mais um pouco na sua vida, de uma só vez. Aqueles que, talvez, só vemos uma vez ao ano, conversamos pelo telefone uma vez ao mês, nunca nos esquecemos do aniversário e das datas supérfluas, mas marcantes, como o dia do tombo na escada rolante, o dia do abraço apertado que convidou a chorar, o dia do sorriso de felicidade pelo reencontro, com alívio no peito e a alegria de não se sentir só no mundo, acabando com todas as suas angústias, apenas por sentir viva a pessoa que tanto preza na vida. E também o que vive ali marcante e presente em todos os seus momentos, mantendo juntos a alegria e a felicidade pelas coisas boas da vida.

Mas, independente do que sejam e como sejam as suas amizades, se for sua namorada, seu marido, seu filho, sua tia, o dono do boteco, o colega de trabalho, a vizinha, o ex ou o parceiro da faculdade, o importante é não se sentir nunca em torno de um ciclo que soe interesseiro, falso e medíocre, do qual você esteja não esteja à vontade e sem saber onde enfiar as mãos. Amizade de verdade nos dá conforto.

Milhares de pessoas passam por nossas vidas no dia a dia. Umas ficam, outras não. Algumas nos deixam, outras nos querem. Muitas nos sugam, poucas nos iluminam e nos alimentam de vida.

O poeta britânico Lord Byron nos brinda com a máxima “A amizade é o amor sem asas”, nos provando, mais uma vez, que por mais que tantas e tantas passem por nossas vidas, só aquelas que ficam é que são e serão de verdade nossas companhias perfeitas para se compartilhar e brindar a vida!

Dar asas à amizade é se despedir da lealdade.

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Laz Muniz cultiva trepadeiras em arranha-céus e cria marimbondos debaixo do travesseiro. Cozinha para si mesmo (Ainda bem que a comida do seu cachorro já vem pronta, lhe poupando algumas horas de vida). E por falar em vida, faz desenhos para viver só porque não sabe fazer forcas e guilhotinas, o que seria muito mais rentável. Mas, quando criança, aprendeu com a doméstica da casa da sua avó a fazer um bodoque de galho de goiabeira e câmara de ar de pneu de bicicleta que é uma maravilha! Se define como escrevinheiro de mariolas ou desenheiro de escrivinhações. Ou seja, um Iluscritor. Facebook: http://facebok.com/lazmuniz Instagram: http://instagram.com/lazmuniz Twitter: http://twitter.com/lazmuniz Blog: http://lzmz.blogspot.com