GASTRONOMIA: Vamos falar sobre panquecas

Eu sempre prometo me programar para a coluna, mas a verdade é que na hora eu nunca sei que tema escolher.

Enquanto eu penso sobre uns assuntos legais (aceito sugestões também!), vou falar um pouquinho sobre panquecas. Duas historinhas bem rápidas e suas receitas.

De acordo com Mariana Sebess, em seu livro “Técnicas de Cozinha Profissional” (Editora Senac), os romanos preparavam a massa de panqueca misturando ovos, leite, água e farinha de trigo. Depois eram fritas e servidas com mel e pimenta do reino.

Na Europa, as panquecas eram associadas com a Páscoa, mas eram mais consumidas no Mardi Gras, ou terça-feira de Carnaval, o último dia antes do início da quaresma.

Atualmente, as panquecas (crêpes, em francês) são feitas com uma mistura de farinha de trigo, ovos e leite. A massa é cozida em frigideira plana ou chapas próprias untadas com um pouco de manteiga. São consumidas polvilhadas de açúcar de confeiteiro ou servidas com recheios variados – doces ou salgados.

Nessa mesma vertente temos o blini, que em russo é o plural de blin e significa pequena panqueca. Os blini são um alimento presente na mesa dos russos e sua origem vem lá da Idade Média.

Durante o Maslenitsa (festival da manteiga), que se realiza uma semana antes da quaresma, as pequenas panquecas são consumidas duas vezes por dia. Com 10 cm de diâmetro e 1 cm de espessura, são servidas quentes, acompanhados de manteiga, arenques defumados, ovos picados ou caviar com creme azedo.

A receita autêntica é feita com farinha de trigo sarraceno (é chamado assim, mas, na verdade, não é trigo e sim outro tipo de cereal – também conhecido como cashe – que é utilizado para fazer uma papa tradicional das cozinhas polonesa e judaica), mas, hoje em dia, para ficar mais leve, a massa é feita com farinha de trigo adicionada a essa mistura.

É bem comum encontrar também na mesa dos estadunidenses panquecas no café da manhã servidas com maple syrup (xarope de bordo) e frutas, ou acompanhadas de ovos mexidos e bacon tostado. Aqui no Brasil encontramos versões salgadas acompanhadas de saladas e as versões doces com creme de avelãs, sorvetes e outras iguarias.

As receitas permitem que usemos a imaginação nos acompanhamentos, pois são neutras em sabor. Eu já decidi meu jantar de hoje: panquecas! Vamos?

Massa básica de panqueca
Ingredientes:
100gr de farinha de trigo
4 ovos
350 ml de leite
15gr de açúcar
2gr de sal
20gr de manteiga derretida

Modo de preparo:
Junte em uma tigela os ingredientes secos. Incorpore os ovos, um a um, misturando com um fouet. Acrescente o leite batendo para não deixar pelotas. Por último, misture a manteiga derretida.

Unte uma frigideira antiaderente com um pouco de manteiga derretida e coloque um pouco da massa (use uma concha). Deixe cozinhar e dourar dos dois lados. Retire e coloque em um prato.

Massa de blini
Ingredientes:
120gr de farinha de trigo
12gr de fermento fresco
150 ml de leite morno
5gr de açúcar
2 ovos
1 pitada de sal

Modo de preparo:
Dissolva o fermento no leite morno. Ponha a farinha peneirada em uma vasilha e coloque as gemas, o açúcar e o sal. Junte o leite ainda morno aos poucos e bata para que não forme pelotas. Quando a massa estiver homogênea, cubra com um filme plástico e deixe descansar por aproximadamente meia hora para que cresça.

Depois de crescida, acrescente a manteiga derretida e, por último, as claras batidas em ponto de neve.  A massa fica mais espessa que a de panqueca e fica bem espumosa por causa do fermento e da clara.

Repita o processo da frigideira untada como na receita das panquecas. Deixe que cozinhe e doure os dois lados.

Caprichem nos recheios e até semana que vem!

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Kamila Duarte de Jesus ou simplesmente Nêga, como é chamada pela família e pelos amigos, traz a paixão pelas panelas no DNA. Bisneta de Raimundo Cozinheiro - cozinheiro dos ingleses que vieram para Itabira junto com a Companhia Vale do Rio Doce -, aprendeu a cozinhar ainda criança quando usava um mini fogão a lenha para preparar guisados e batatas para suas bonecas. Formou-se em Publicidade e Propaganda pelo Centro Universitário Newton Paiva por ouvir de todos que era muito criativa. A paixão pela gastronomia passou de brincadeira de criança a assunto de adulto e já atuando profissionalmente na área se formou em Cozinha Profissional pelo Senac – MG em 2014. Acredita que um bom prato de sopa até cura, que doce é um carinho na alma e que cozinhar é uma maneira de demonstrar amor ao próximo.