GASTRONOMIA: Um pouco sobre PANCs

Você sabe o que são as PANCs? Você provavelmente já passou por algumas ou pode até ter em casa mas não sabe. As PANCs ou plantas alimentícias não convencionais estão por toda parte e deveriam compor também a nossa refeição com mais frequência.

Consideradas matos espontâneos, muitas vezes confundidas com ervas daninhas, as PANCs são plantas não conhecidas pela maioria ou partes não usuais delas, como folhas de bananeira, corações ou umbigos.

Essas plantas têm ganhado cada vez mais espaço na alta gastronomia. Chefes como Helena Rizzo e Alex Atala incluíram diversas PANCs em seus cardápios a exemplo do peixinho da horta, bilimbi, flor-de-ipê, tansagem, dente de leão e muitas outras.

Muitas plantas não convencionais são conhecidas de nossas avós que a utilizam para chás medicinais, refogados e afins. Creio eu que seja coisa de gente do interior que com poucos recursos encontram nas plantas alternativas de alimentação e cura.

As plantas espontâneas, além de serem usadas na culinária e medicina, são muito importantes para o controle ecológico da horta. A presença delas funciona como um atrativo para pragas e doenças e acaba deixando plantas cultivadas livres deles.

Conheça algumas PANCs:

  • Beldroega: As folhas apresentam um sabor picante e podem ser consumidas cruas em saladas, picles, bolinhos, tempuras, salteadas e em omeletes e sanduíches.
  • Dente de leão:  Suas folhas têm um sabor amargo e podem ser utilizadas em saladas. Devem-se usar as folhas mais jovens, pois as mais velhas são muito amargas e duras. Possui propriedades digestivas.
  • Mentruz: É consumida na forma de saladas e para temperar aguardentes. Não deve ser confundida com a planta mastruz (ou erva de Santa Maria).
  • Mastruz ou erva-de-santa-maria: Possui propriedades vermicidas e é utilizada popularmente como inseticida doméstico para afastar pulgas. As folhas são usadas como condimento, principalmente no México, como para temperar pratos à base de feijão, cogumelos, milho verdes e em sopas.
  • Caruru: também conhecida como amaranto, é muito rica em ferro. Suas folhas podem ser consumidas, porém somente cozida. As sementes torradas são deliciosas em saladas e sucos.
  • Serralha: parente próximo do dente-de-leão, porém possui um porte maior. Pode ser consumida em saladas ou refogada.
  • Peixinho: Não é pescado, é plantado mesmo. A folha, cheia de pelinhos, ganhou o nome por conta do seu formato. Também conhecido como lambari-da-horta, é usado para chás e empanado, como aperitivo. Vai bem em climas secos.
  • Maracujá-do-mato: Menor que o maracujá comum e de casca mais alaranjada, ele tem aroma e sabor um pouco mais adocicado. Dá suco, geleia, doce e até molho para carnes.
  • Capuchinha: As flores, amarelas, vermelhas ou laranjas, são comestíveis, assim como as folhas, que são ótimas verduras, nutritivas e com gostinho de agrião.
  • Trevo: É o de três folhas. Considerado por muitos uma erva-daninha, nasce à toa por vasos, jardineiras, quintais e calçadas. É tão banal que muitos nem se questionam se é uma planta comestível. Folhas, talos e bulbilhos podem ser comidos. É uma planta rica em ácido oxálico, por isto não deve ser comida em grande quantidade.

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Kamila Duarte de Jesus ou simplesmente Nêga, como é chamada pela família e pelos amigos, traz a paixão pelas panelas no DNA. Bisneta de Raimundo Cozinheiro - cozinheiro dos ingleses que vieram para Itabira junto com a Companhia Vale do Rio Doce -, aprendeu a cozinhar ainda criança quando usava um mini fogão a lenha para preparar guisados e batatas para suas bonecas. Formou-se em Publicidade e Propaganda pelo Centro Universitário Newton Paiva por ouvir de todos que era muito criativa. A paixão pela gastronomia passou de brincadeira de criança a assunto de adulto e já atuando profissionalmente na área se formou em Cozinha Profissional pelo Senac – MG em 2014. Acredita que um bom prato de sopa até cura, que doce é um carinho na alma e que cozinhar é uma maneira de demonstrar amor ao próximo.