GASTRONOMIA: Parece, mas não é

Foi com essa frase clichê que eu defini o primeiro tablete de alfarroba que comi. Tinha cor de chocolate, textura de chocolate, sabor de chocolate (meio amargo), mas não era chocolate, tinha zero de cacau na sua composição.

Alguns de vocês devem saber do que eu estou falando, principalmente se forem alérgicos a lactose ou adeptos da maromba e do frango com batata doce.

“A alfarrobeira é uma árvore selvagem, nativa da costa do Mediterrâneo. A alfarroba é sua vagem comestível, semelhante ao feijão, de cor marrom escuro e sabor adocicado, utilizada pela indústria de alimentos na produção de gomas e espessantes.

O pó ou farinha de alfarroba derivado da polpa da vagem torrada e moída é utilizado para substituir o cacau. Esse pó, contudo, possui expressiva diferença em relação ao cacau no conteúdo de açúcar e de gordura. Enquanto o cacau possui até 23% de gordura e 5% de açúcar, a alfarroba possui 0,7% de gordura e um alto teor de açúcares naturais (sacarose, glicose e frutose), em torno de 38 a 45%”.

Devido ao baixo teor de gordura, ser livre de glúten, rica em vitaminas B1 e B2, não conter agentes alergênicos – como a cafeína, presente no cacau – e contar com muitas fibras naturais, ela foi considerada o chocolate saudável.

Conheci a alfarroba através de uma amiga que estava sem comer açúcar devido a uma promessa e, como sou chocólatra assumida, eu, claro, duvidei das suas palavras. Ela também é louca por doces, então eu concluí que valia a pena experimentar. O tempo passou e me esqueci do assunto, voltei pras minhas barras de chocolate com muito açúcar, cacau e gordura.

Eis que faço uma promessa e cá estou há alguns meses sem comer nada de cacau (dias penosos, uma morte lenta e dolorosa, o açúcar e o chocolate viciam de verdade). Andei em crise de abstinência e, como estava comendo todo tipo de açúcar possível na fracassada missão de substituir o chocolate, lembrei da tal “frutinha” e corri pra perguntar pra minha amiga de novo sobre o tal chocolate fake.

Comprei pela Internet, mas já vi alguns lugares aqui que vendem e em Belo Horizonte também não é difícil encontrar. Pedi damascos secos cobertos de alfarroba, gotas e algumas barrinhas com castanha do Pará.

Não, não é exatamente igual a um chocolate, parece, mas não é. O sabor é bom, principalmente se você, assim como eu, gosta de chocolate amargo e meio amargo. Eu achei diferentes versões: barras, com frutas, ovo de páscoa, pasta de amendoim com alfarroba, creme de avelã, barras e em pó para fazer bolos, colocar no leite, fazer brigadeiro e outras sobremesas.

Estou me adaptando ao paladar, mas dá uma aliviada na abstinência, principalmente se você tem restrições a glúten, açúcar e lactose ou apenas está de dieta – três damascos cobertos de alfarroba tem 83kcal. Não traz AQUELA mesma sensação de felicidade que uma barra de Suflair ou Diamante Negro, mas ajuda a substituir sem precisar mergulhar nas latas de leite condensado como eu andava fazendo.

O preço não é nada doce, como se pode esperar de alimentos funcionais, diets e afins, mas vale a pena o investimento.

Eu comprei no site da www.n4natural.com.br e minha amiga pede pelo site www.natue.com.br, que possuem diversos tipos de alimentos naturais, dietéticos, integrais etc. (no dia, os itens que eu queria estavam em falta). Vocês podem encontrar também em casas de produtos naturais, farmácias fitoterápicas, delicatessens e no Mercado Central de BH.

Para ler mais sobre a alfarroba procure neste site, de onde tirei algumas informações para o texto de hoje.

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Kamila Duarte de Jesus ou simplesmente Nêga, como é chamada pela família e pelos amigos, traz a paixão pelas panelas no DNA. Bisneta de Raimundo Cozinheiro - cozinheiro dos ingleses que vieram para Itabira junto com a Companhia Vale do Rio Doce -, aprendeu a cozinhar ainda criança quando usava um mini fogão a lenha para preparar guisados e batatas para suas bonecas. Formou-se em Publicidade e Propaganda pelo Centro Universitário Newton Paiva por ouvir de todos que era muito criativa. A paixão pela gastronomia passou de brincadeira de criança a assunto de adulto e já atuando profissionalmente na área se formou em Cozinha Profissional pelo Senac – MG em 2014. Acredita que um bom prato de sopa até cura, que doce é um carinho na alma e que cozinhar é uma maneira de demonstrar amor ao próximo.