Gastronomia é cultura que se come

Feijoada, caipirinha, paçoca de carne seca, feijão tropeiro, tacacá, tucupi, açaí, pão de queijo, cuscuz, frango com quiabo, acarajé, galinha ao molho pardo, tutu de feijão, brigadeiro, bolo de fubá, bife com batata frita, tapioca, pamonha…

Eu poderia passar um dia inteiro listando uma infinidade de pratos típicos da gastronomia brasileira. Pratos comuns do nosso dia a dia, presentes na mesa das famílias brasileiras. E o que esses pratos têm em comum?

Eles são parte da nossa história, da cultura do nosso país. Tá, mas e daí?!

E daí que isso não é reconhecido legalmente e soa no mínimo estranho acompanhar uma discussão em torno de um assunto que seria natural. Em que momento todos esses alimentos não fizeram parte da nossa cultura? Quando a alimentação de um povo não foi vinculada à sua história?

Um exemplo bem perto de nós foi o reconhecimento da técnica de produção do queijo do Serro como patrimônio imaterial do Brasil. Se isso não é cultura, é o que então?

O IBGE divulgou dados no ano passado que contabilizavam mais de sete bilhões de famintos no Brasil, isso em um mundo que joga fora mais de um terço da comida produzida. Falar de alimento como cultura e do reconhecimento legal disso é abrir portas para apoio a pesquisas e projetos de reaproveitamento de alimentos, por exemplo, entre tantas outras possibilidades.

Em busca desse reconhecimento o Instituto Ata, criado pelo chef Alex Atala com a ajuda de outros nomes, lançou a campanha “Eu Como Cultura” para reunir um milhão de assinaturas e aprovar no Congresso o projeto de lei 6.562/13.

O projeto consiste em incluir a gastronomia e a cultura alimentar na Lei Rouanet, permitindo que se tornem também beneficiários da política de incentivo fiscal.

A aprovação da mudança na lei permitirá o apoio a pesquisas na área, doações e patrocínios, além de permitir a descoberta e preservação de insumos e receitas, assim como aconteceu com o queijo do Serro.

Em julho, após a campanha percorrer as redes sociais com a hashtag #eucomocultura e ganhar o apoio de milhares de anônimos e famosos, a Comissão de Cultura da Câmara dos Deputados aprovou a PL 6.562/13. A luta continua, pois será preciso que o projeto seja aprovado pelas comissões de Finanças e Tributação e de Constituição e Justiça e Cidadania em caráter conclusivo.

A campanha segue até que o projeto vire lei. Eu participo e você também pode e deve apoiar a campanha. #eucomocultura #gastronomiaécultura.

Acesse www.eucomocultura.com.br e saiba mais sobre o projeto.

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Kamila Duarte de Jesus ou simplesmente Nêga, como é chamada pela família e pelos amigos, traz a paixão pelas panelas no DNA. Bisneta de Raimundo Cozinheiro - cozinheiro dos ingleses que vieram para Itabira junto com a Companhia Vale do Rio Doce -, aprendeu a cozinhar ainda criança quando usava um mini fogão a lenha para preparar guisados e batatas para suas bonecas. Formou-se em Publicidade e Propaganda pelo Centro Universitário Newton Paiva por ouvir de todos que era muito criativa. A paixão pela gastronomia passou de brincadeira de criança a assunto de adulto e já atuando profissionalmente na área se formou em Cozinha Profissional pelo Senac – MG em 2014. Acredita que um bom prato de sopa até cura, que doce é um carinho na alma e que cozinhar é uma maneira de demonstrar amor ao próximo.