GASTRONOMIA: Desse tamaninho e tão caro? Entenda os pratos belos, salivantes e pequeninos

É batata!

Apesar desse espaço reservar-se a uma coluna gastronômica, a palavra em destaque não faz referência direta ao insumo dos mais importantes na dieta global. O sentido é puramente linguístico, em expressão sinônima a nossa certeza do fato, com pitadas de um prazeroso “eu sabia”. Basta postar uma foto na rede social, daquele belo prato, salivante e em menor proporção, que é batata! Os especialistas de internet irão condenar:

– “Desse tamanhinho e tão caro?!”

– “É pra comer de palitinho? Isso é comida de passarinho.”

– ”Bonito, mas não estou de dieta.”

– “Só se eu comer uns 10 desses pra matar a fome… rsrs…”

Desde que comecei a me interessar pela alta gastronomia, inicialmente no papel de consumidor, as primeiras impressões muito me marcaram, criando cicatrizes expostas até hoje. De certa forma, no início, minha relação pessoal com o alimento e suas nuances criaram gradativamente uma identidade nova. Compreendi: comer está muito além de uma necessidade de sustentação biológica, é o ato mais importante de expressão cultural, artística e social de um indivíduo e sua coletividade. Somos feitos do que comemos, os hábitos de uma comunidade se constroem e se perpetuam ao redor do alimento, portanto, ficou claro para mim que comer não poderia e nem deveria trazer prazer apenas na quantidade, mas na qualidade e na forma.

Certamente, por uma razão histórica, nós brasileiros sempre demos muito valor à fartura. Não devemos desprezar sua importância por completo. Porém, seria muito importante que essa cultura do “quanto maior, melhor” não limite nossa capacidade de apreciarmos o que, a princípio, nos pareça estranho, pequeno ou diferente demais.

Primeiro, é preciso saber que, geralmente, aqueles pequenos pratos que são motivos de piada pelo tamanho não serão o seu jantar completo. Ele, quando parte de um menu degustação, é apenas uma pequena porção de tudo que está por vir. E pode confiar, um menu degustação certamente irá lhe saciar bem mais que aquele famoso “prato de pedreiro”. Todos os pratos se completam e são pensados de modo a saciar, mas também a conversarem entre si.

Se nós gastamos um pouco a mais com uma roupa de grife, um sapato da moda ou em detalhes que embelezam nossos carros e casas, vale então investirmos, às vezes, na comida como forma de prazer e enriquecimento cultural.

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