Filme na tela, tapa na cara

Na minha primeira postagem por aqui falei que indicaria a vocês os meus filmes preferidos. Cumprindo essa promessa, hoje falarei sobre o fantástico “Crash”, do diretor Paul Haggis.

O nome desse filme não poderia ser outro. Pode ser analisado simplesmente pela cena inicial que mostra um acidente de trânsito, e que desencadeia todas as outras ações do filme, mas eu prefiro avaliar como sendo a batida de nossa cara contra a parede a cada 10 minutos.

É difícil descrever cronologicamente esse filme, já que são histórias de várias pessoas, de diversas etnias e classes sociais que se cruzam em uma mesma cidade, formando uma teia de acontecimentos. O melhor é falarmos que é um filme sobre o ser humano, sobre a nossa realidade e, principalmente, sobre nossos preconceitos e nossa natureza violenta.

“Crash” consegue expor o nosso antagonismo, nos mostrar que, ao mesmo tempo que podemos ser pessoas ótimas, despidas de egoísmos e vaidades, podemos ser também preconceituosos, maldosos e corruptos, apenas mudando as circunstâncias que vivemos. O complicado disso tudo é assistirmos a isso, vermos tudo exposto na nossa frente como uma obra de arte, enquanto “sentamos em nosso próprio rabo”. CRASH!

Com um elenco que seria o sonho de 90% dos cineastas, contando com nomes como Matt Dillon, Ryan Phillippe, Don Cheadle, Sandra Bullock e mais duas dezenas de ótimos atores, um roteiro muito bem amarrado e muito bem estruturado e ainda com uma fotografia de tirar o fôlego, “Crash” é uma obra pra ser vista semanalmente.

Com dez anos passados do lançamento, torna-se cada vez mais atual e mostra nosso mundo cada vez mais violento, tanto na nossa forma de agir como na forma de pensarmos.

As atuações são fantásticas e nos levam a conhecer cada personagem a fundo e avaliar, a cada hora que passa, as características de cada um, mudando nossas opiniões a cada vez que metemos a mão no saco de pipoca.

“Crash”, além de ser um filme, é um estudo do que somos e um espelho para olharmos atentamente.

Importante: quando forem assistir, não esqueçam os lenços.

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André Luiz é publicitário, sócio fundador da Origami Propaganda, músico e um apaixonado pelo cinema. Viciado em páginas de Design e programas de culinária, mesmo sem saber aplicar nada na cozinha. Amante do futebol, tanto no campinho do bairro quanto nos grandes estádios, e das suas companhias: o "tira-gosto" e a cerveja.