ESPORTES: Falso 9 ou nove falso?

Por onde andam os homens gols do Brasil? Não me refiro ao “ponta de lança”, como é dito na música de Jorge Ben, mas ao famoso centroavante, ao artilheiro que sempre gozou de grande reputação nas capas esportivas, como Roberto Dinamite, Reinaldo, Romário e Ronaldo.

Não é que vivamos em uma escassez total, pois as seleções de base nunca deixaram de apresentar promessas que acabaram não se afirmando como profissionais. E esse problema não é só evidente em nossa seleção, mas também nos clubes. Virou uma carência nacional. Então podemos concluir que se perdeu a fórmula geradora dessa posição? Onde está o problema?

Nada disso, o que percebemos é que essa insuficiência é ocasionada por uma lacuna entre as gerações, os que eram para estar estampando capas de revistas com belos gols e causando histeria nas torcidas pelo Brasil se encontram encostados ou perambulando pelos clubes por não serem bem aproveitados. Porém, não existe uma resposta definitiva para isso. Essa questão envolve vários fatores como tático, psicológico, treino e, principalmente, a mentalidade do clube de formação.

Para entendermos como isso funciona, peguemos como exemplo a grande mudança tática na década de 90, em que vários times passaram a jogar com três zagueiros, o que acarretou na falta de comprometimento defensivo dos laterais, que posteriormente transformaram-se em meias. E com os centroavantes não foi diferente. Antigamente utilizava muito o esquema 4-4-2 em que os atacantes precisavam dividir o campo e isso prejudica muito quem tem características específicas – como quem joga pelas pontas ou fica mais fixo. Hoje os esquemas mais utilizados pelos clubes são 4-2-3-1 ou 4-3-3, do qual fica um fixo e outros dois pelos flancos. Mudança essa que não foi assimilada e trabalhada pela categoria de base dos clubes, causando toda penúria.

Outro fato importante é transição para o profissional desses atletas. Só por serem atacantes esses atletas já são mais valorizados (por marcarem gols e ficarem em evidência) do que os restantes. Assim, sobem ao profissional precocemente visando uma futura negociação, que acaba negligenciando a parte final da formação essencial no aspecto psicológico.

Conclui-se que o centroavante não morreu. Quem morreu foi aquele grosso fincado na área esperando por uma chance durante o jogo. O bom centroavante deve ter características básicas como drible curto, giro, finalização, cabeceio e boa proteção à bola. Talvez pela falta dessas existam tantos “falsos 9”, que, pra mim, são apenas noves falsos.

Comentários

Lucas, Cabelo e até Lucão (juro!). Único filho homem em uma família com duas irmãs que, assim como todo brasileiro, também sonhava em ser jogador de futebol. Tão talentoso que do campo foi para o sofá e do sofá para o teclado. Hobbie? Bola. Seja redonda ou oval, grande ou pequena, com ou sem costura; a emoção é sempre a mesma!