ESTRADA REAL: Nova União, ônus e bônus por ser ao lado da Capital

O Instituto Estrada Real insiste em afirmar que os caminhos dos escravos, bandeirantes e tropeiros eram vários, acrescentando que existiam os “descaminhos”, por onde passava o contrabando. Por causa disso, na extensão da Estrada Real existem placas chamando a atenção do turista. O problema é que essas placas se misturam com marcos.  Mais na frente mostrarei o único trecho de passagem em toda a extensão da viagem até Paraty (RJ) que não teve desvio. Foi no município de Cruzeiro (SP).

Agora estamos numa região de aglomerados de municípios, fazendo parte Nova União, em que recebemos várias informações, inclusive ganhamos um livro sobre a passagem de um botânico francês que percorreu várias regiões do Brasil: “Viagem pelas províncias do Rio de Janeiro e Minas Gerais” (Auguste de Saint-Hilaire, autor e viajante. Tradutor: Clado Ribeiro de Lessa, 1938).

Nova União se chamava Viúva, depois União de Caeté e, por muitos anos, José de Melo. Um plebiscito, realizado em 1987, determinou o nome atual. Daí para a frente, na economia cuidaram os nova-unienses de seguir o caminho do desenvolvimento do plantio e cultivo da banana. Além dessa vocação, Nova União ganhou um aliado especial: a cana-de-açúcar, de cuja matéria-prima foi e continua sendo exportada com êxito absoluto a aguardente de cana conhecida pelo nome de Germana.

Dos derivados da banana antes descartados, a comunidade local mantém em franco enfoque, em várias partes do município, da gastronomia ao artesanato, principalmente os derivados da fruta, em dois conjuntos de atrativos: doces, geléias e licores; e porta-retratos, bolsas e enfeites diversos. Uma entidade atuante na região colabora com todas as camadas interessadas em ambos os segmentos. É ela a Associação dos Produtores Rurais de Nova União (Apranu). Com quase 200 filiados, a Apranu mantém no Galpão do Produtor, câmaras de aclimatação que armazenam cerca de 1,5 mil toneladas de banana por mês.

O turismo oferece vários atrativos, com destaque para as cachoeiras do Macuco e do Pinhal, embora carentes ainda de segurança para uma frequência de público diversificado e amplo. Interagindo, as autoridades voltam os olhos também para o turismo de eventos, religiosos, econômicos e de lazer, destacando-se as Festas do Padroeiro, da Banana e da Cachaça. Sabendo que os hotéis e pousadas perdem um pouco pela localização geográfica – a cidade está a apenas 56 quilômetros de Belo Horizonte – há uma maior mobilização no setor de alimentação e guloseimas de alto padrão, como foi dito. Outra vantagem da proximidade de BH é que anima os visitantes mais frequentes, principalmente os nova-unienses ausentes. Nova União é, ao mesmo tempo um município da Rede Metropolitana de BH e do Circuito da Serra do Cipó.

Como era de se esperar fica a confusão dos turistas que querem mais informações sobre a Estrada Real. Vejam, por exemplo o entroncamento que se forma em dois sentidos: na Serra da Piedade e Caeté e em Barão de Cocais (aqui já registrado), Santa Bárbara, Catas Altas, Raposos e Água Limpa. Todos esses Caminhos são dos Diamantes e seguem até Mariana e Ouro Preto. A ordem de visitas não tem importância. O próprio Saint-Hilaire fez as suas viagens em idas e vindas.

Registro interessante dessa jornada ocorreu na saída da cidade rumo a Santa Luzia e Belo Horizonte, via Taquaraçu de Minas e Ravena. Distraidamente, perguntei a um agricultor que trabalhava à beira da estrada de terra, por sinal muito bem cuidada:

— Meu senhor, me ajude aqui, por favor: esta estrada vai para Santa Luzia.

A resposta saiu muito perspicaz e naturalmente:

— Acho que num vai não, seu moço! É a única coisa que nós tem aqui,viu?

Comentários

José Almeida Sana, ou simplesmente, José Sana, é ex-vereador em Itabira (dois mandatos), ex-presidente da Câmara (duas legislaturas), ex-funcionário da Vale, jornalista, microempresário, historiador com foco em História do Brasil e Patrimônio Histórico e Cultural (especializações), prefere temas existenciais, sem dispensar alguns passatempos e futilidades.