ESTRADA REAL: Da quase escondida Raposos à movimentada Sabará

Tudo muito perto. Belo Horizonte a Caeté. Caeté a Morro Vermelho. Morro Vermelho a Raposos. Raposos a Sabará. Mas tudo diferente. A tricentenária Raposos, de 15 mil habitantes aproximadamente, é um presépio mas ameaçado  por enchentes de todos os lados: Rio das Velhas e do Prata. Antigamente atenta aos encontros do Circuito do Ouro, quando nem era oficializado pelo Governo de Minas, hoje pouco se integra e se considera empurrada ao conceito da Estrada Real porque está a pouco mais dez quilômetros de cada uma das cidades citadas, importantes do grande projeto brasileiro.

Raposos, mesmo pequena, apega-se mais aos projetos extrativos que existem na região do que às suas forças históricas e culturais. Enquanto isso, Sabará não dá folga a turista nenhum, apesar de ter uma proximidade de cidade satélite de BH, ou como um grande bairro. Os paulistas Fernão Dias Paes Leme e Manuel Borba Gato foram os heróis do passado sabarense. O primeiro, fundador da Vila de Nossa Senhora da Conceição de Sabaraboçu, em 1674, e o segundo, seu genro, o descobridor das ricas jazidas de ouro.

Escreveu Saint-Hilaire, em 1818: “As ruas de Sabará são calçadas com pedras pequenas e desiguais. Várias dessas ruas são muito largas: posso citar, sobretudo, a principal, que se chama Rua Direita, apesar de ser em ziguezagues”. Assim continua Sabará, pelo menos no seu centro histórico, em que chama a atenção a Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos. O início da construção desse templo data de 1757, mas um pouco mais de um século depois não tinha sido concluída por causa da dispersão dos negros na Abolição da Escravatura. E lá continua a inacabada obra, como uma sinfonia arquitetônica de  Franz Schubert, ou “Sinfonia n.º 8”.

A grande e maior procura de turistas por Sabará se concentra na Igreja de Nossa Senhora do Ó. Várias versões tentam explicar o nome do templo. A oficial, divulgada em livreto-guia, informa que acontece uma Festa da Padroeira, antecedente ao Natal, quando são cantadas as Ladainhas, repetindo a cada dia as sete antífonas, todas precedidas pelo “Ó”. Há outras versões que ventilaram durante a sua construção até a reforma dois anos depois. O autor da reforma, que deu os contornos atuais à igreja, o português Manoel da Mota Torres, permitiu destacarem-se painéis nas paredes laterais, púlpito, forro da nave, balaustrada do altar, arco-cruzeiro e altar-mor. As atrações se completam com a existência de 114 kg de ouro espalhados  no interior do templo, nos altares, paredes e teto.

Na cidade e arredores são destacadas ainda as capelas de Sant’ Ana e da Cruz, as igrejas de Nossa Senhora das Mercês, Nossa Senhora do Carmo, São Francisco, Nossa Senhora da Conceição  e o Santuário Santo Antônio de Roça Grande. Chafariz do Caquende, Solar do Padre Correa, Casa de Borba Gato, Ruínas do Solar Melo Viana e a Casa do Aleijadinho completam os valiosos atrativos.

Em Sabará, a jabuticaba tem grande destaque com o seu festival, realizado normalmente entre os meses de novembro e dezembro. Ele é dedicado à fruta na cidade histórica da Região Metropolitana de Belo Horizonte, que atrai multidões também para a Festa da Cachaça, Festival de Ora-pro-nóbis,  Festival de Teatro de Palco e Rua e a Festa Junina.

Como se vê, a tradição é levada a sério na cidade histórica e cultural, muito importante em toda jornada de Diamantina a Paraty, onde se aconselha o turista a pegar os guias e anotar os melhores meses para visitação. Que vai sair deslumbrado, adianto e garanto. Ou não me chamo José.

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José Almeida Sana, ou simplesmente, José Sana, é ex-vereador em Itabira (dois mandatos), ex-presidente da Câmara (duas legislaturas), ex-funcionário da Vale, jornalista, microempresário, historiador com foco em História do Brasil e Patrimônio Histórico e Cultural (especializações), prefere temas existenciais, sem dispensar alguns passatempos e futilidades.