ESPORTES: Vícios e virtudes: mais do mesmo na temporada 2016 de Atlético e Cruzeiro

O Cruzeiro começou muito mal o ano e sequer conseguiu chegar à final do Campeonato Mineiro. O Brasileirão começou e os bons resultados não vieram. O time se viu ameaçado pelo rebaixamento e a diretoria celeste contratou Mano Menezes como solução. O treinador cumpriu sua missão de deixar o clube na divisão de elite do país, terminando o ano na metade de baixo da tabela.

Já o Atlético tinha como grande obsessão a Taça Libertadores. O clube acabou caindo na competição na fase eliminatória para um time brasileiro. Com o elenco recheado de bons jogadores, o time manteve a base do ano anterior e se mostrou como forte candidato ao título do Campeonato Brasileiro, mas um sistema defensivo muito vazado transformou o sonho em frustração. O Galo jogou bem, mas perdeu o fôlego e, mesmo ficando entre os quatro primeiros, acabou o campeonato em baixa. Terminou o ano comandado pelo interino Diogo Giacomini.

Nos dois parágrafos anteriores descrevo a temporada 2016 de Cruzeiro e Atlético, mas poderia ter usado as mesmas palavras no mesmo período do ano passado e o leitor nem saberia a diferença. Os dois grandes clubes de Minas Gerais não aprenderam com os erros de 2015 e, salvo raros momentos de lampejo, não empolgaram seus torcedores. Em relação a 2015, este ano foi mais do mesmo.

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A irregularidade do time em alguns momentos, levou o Atlético a disputar a última partida da final da Copa do Brasil com técnico interino.

O Atlético até chegou a disputar duas finais no ano, o Mineiro e a Copa do Brasil, mas os erros de Diego Aguirre na decisão do estadual e os de seu substituto Marcelo Oliveira na decisão nacional diminuíram muito as chances de título do Galo em ambas as competições. As virtudes do Atlético ficaram por conta da montagem do elenco por parte da diretoria. Estrelas do futebol, como Robinho e Fred, chegaram no clube e conseguiram jogar bem, justificando o alto investimento. Nomes, até então desconhecidos, como dos meias Cazares e Otero, também foram contratações acertadas do presidente. Entretanto, Ronaldo Conceição e Carlos Eduardo encabeçam a lista de erros da direção alvinegra.

Se o Galo errou em algumas contratações, o Cruzeiro conseguiu fazer neste 2016 coisas muito piores, a começar pela efetivação do “treineiro” Deivid, que nunca tinha comandado nenhum outro clube. O show de horrores continuou com as contratações de jogadores como Rafael Silva, Sanchez  Miño, Pisano e Gino. Como reflexo das péssimas escolhas, o Cruzeiro conseguiu ficar de fora da final do Mineiro pelo segundo ano consecutivo. A confusão total estava, também, nas esferas administrativas do clube. Já no início do ano, uma declaração de Benecy Queiroz  proporcionou um momento, no mínimo, constrangedor, colocando em xeque a lisura e a imagem do Cruzeiro ao dizer em uma entrevista que comprou um juiz no passado em benefício do clube.

As coisas em campo não estavam melhores. Com a demissão de Deivid e a negativa de muitos treinadores para assumir o time que estava lutando contra o rebaixamento, a diretoria resolveu inovar e apostar no português Paulo Bento, que não se sustentou muito tempo no cargo, até que, por um golpe de sorte, o salvador do ano anterior, Mano Menezes, estava novamente disponível no mercado. Mano voltou para Belo Horizonte para cumprir a mesma missão que lhe havia sido delegada um ano antes: livrar o Cruzeiro do primeiro rebaixamento da sua história. O raio caiu duas vezes no mesmo lugar e o técnico conseguiu salvar, em parte, o ano da Raposa.

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