ESPORTES: Um domingo de decepções

A expectativa do torcedor mineiro era muito grande para este domingo, 16 de outubro. Na esperança de diminuir a distância entre os líderes do campeonato e continuar vivo na briga pelo título, os atleticanos estiveram em bom número no Rio de Janeiro para acompanhar o time contra o Botafogo. No Mineirão, quase 18 mil cruzeirenses estiveram presentes para empurrar a equipe azul para uma zona de maior conforto e tranquilidade no campeonato, bastava vencer a Chapecoense. E o América tinha nas mãos, em São Paulo, frente ao Corinthians, mais uma chance clara de deixar a vexatória lanterna. No fim, demos com os burros n’água.

O assunto que dominou as resenhas esportivas no Brasil durante essa semana foi a arbitragem. Em jogo pelo meio de semana, no clássico carioca Fla-Flu, o árbitro Sandro Meira Ricci, juiz de Copa do Mundo e pertencente ao quadro da FIFA, “organizou”, com a colaboração de seus assistentes, uma tremenda trapalhada em lance capital no fim do jogo quando: anulou um gol, validou e, por fim, anulou definitivamente (depois de receber informação externa sobre o lance, o que é vedado pela regra do jogo). Mas o torcedor neste domingo não queria mais saber de problemas de arbitragem, queria ver bola rolando e os craques sendo protagonistas do espetáculo, como deve ser… mas não foi.

Fred marcou novamente, mas não conseguiu impedir a derrota do Atlético.
Fred marcou novamente, mas não conseguiu impedir a derrota do Atlético.

Logo no início do jogo, era visível a revolta dos jogadores do Atlético, mas não era para menos. Antes dos vinte primeiros minutos, o Galo perdia por 1 a 0 com um gol irregular do Botafogo. O bandeira até que tentou avisar ao árbitro Wagner Reway que a bola havia sido dominada por Bruno Silva com o braço antes de ele marcar o gol, aos 4 minutos da primeira etapa. Porém, o juiz não quis papo e assinalou o gol ilegal. O Atlético, ainda no primeiro tempo, teve mais motivos para queixas, já que por mais duas vezes a bola tocou no braço dos botafoguenses dentro da área, o que poderia ser interpretado como pênalti a favor do Galo. Depois deste início conturbado, o nervosismo parece que tomou conta do time mineiro, que não chegava bem ao ataque e dava muitos espaços no meio. Durante a semana, acreditei que Marcelo Oliveira entraria com três volantes, já que contava com o retorno de Leandro Donizete ao time, mas optou por dois e não foi feliz na escolha. Mais uma vez, o técnico se apegou ao seu tradicional 4-2-3-1 e terminou o primeiro tempo perdendo de 2 a 0.

O Atlético voltou bem melhor no segundo tempo e chegou até a conseguir o empate. As entradas de Leandro Donizete e do atacante Lucas Pratto mudaram o esquema e a atitude do time em campo. Fred, o maior carrasco do Botafogo desde os tempos de Fluminense, deixou novamente sua marca, Leonardo Silva fez o gol do empate e, naquele instante, parecia que a virada era questão de tempo, mas quem marcou o gol do desempate foi Dudu Cearense para o time carioca. Um duro castigo para o alvinegro das alterosas, que viu o título brasileiro ficar muito distante.

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Ábila perdeu um pênalti e o Cruzeiro não saiu do 0 a 0 com a Chapecoense.

Não menos decepcionante foi o resultado do Cruzeiro em Belo Horizonte. O time não consegue se afastar de vez da zona perigosa do Brasileirão e, novamente, perdeu boa oportunidade de respirar mais aliviado. O início do Cruzeiro foi muito empolgante e o meia Henrique apresentou logo o cartão de visitas carimbando a trave da Chapecoense. Parecia que veríamos o mesmo Cruzeiro dos últimos jogos em casa, com uma boa contenção defensiva e uma transição de qualidade para o ataque, passando pela boa técnica do meia Robinho.

De fato, o time azul celeste criou boas oportunidades de gol, jogou pressionando a Chapê durante a maior parte do jogo e a trave talvez tenha sido a grande vilã da tarde. Mas alguns erros recorrentes têm irritado o torcedor cruzeirense. Mano Menezes tem crédito, conseguiu arrumar um time que parecia fadado ao fracasso, mas hoje creio que o treinador errou mais uma vez ao insistir na entrada de Willian Bigode. Após o atacante Ábila desperdiçar um pênalti que ele mesmo sofreu, ficou claro que a Chapecoense iria se fechar ainda mais e, para este tipo de situação, o nome certo para furar um bloqueio adversário é o Élber. O garoto tem como característica abrir a defesa adversária, partir pra cima e entra sempre muito bem. Além disso, o Willian há muito tempo não vive grande fase e tem perdido muitos gols.

O Atlético enfrenta o Juventude em Caxias do Sul e se classifica com qualquer empate ou mesmo com uma derrota por um gol de diferença se marcar fora de casa. Uma vitória do time gaúcho por 1 a 0 leva a decisão para os pênaltis.

A missão do Cruzeiro é contra o Corinthians no Mineirão. A Raposa precisa vencer por dois gols de diferença para se garantir entre os quatro melhores e seguir em busca do título. Uma vitória mineira por 2 a 1 leva a decisão as penalidades.

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Amante do futebol, skatista há mais de uma década, entusiasta de automobilismo e apreciador de esportes em geral. Acompanha os principais eventos esportivos nacionais e internacionais, muitos deles "in loco", para absorver melhor as emoções e repassa-las com maior riqueza de detalhes.