ESPORTES: Um Certo Adenor

Muito antes da incompetência e da corrupção sistemática na CBF mergulhar nosso futebol na pior crise de nossa história, com vexames que vão para muito além dos 7 a 1, o povo brasileiro já tinha um nome para ser o salvador. Segundo muitos o único cara capaz de evitar a vergonha maior, ficar fora da Copa da Rússia em 2018, tinha nome e sobrenome: Adenor Bacchi, nome desconhecido por quase todos e aprovado pela maioria, quando se descobre que este é o nome que batizou Tite.

Maior vencedor da história do Sport Clube Corinthians e o técnico brasileiro que mais se destacou nos últimos anos, Tite era visto pela nação brasileira como o comandante capaz de salvar o navio e já era o nome predileto do torcedor para comandar a Seleção após a fatídica Copa do Mundo no Brasil em 2014. Entretanto, em mais um golpe de incompetência e teimosia dos cartolas que comandam o nosso futebol, Tite, que admitiu esperar o convite, foi preterido e o escolhido foi o contestado Dunga, que já não contava com o apoio da imprensa e muito menos do torcedor.

Péssimas exibições, nenhum padrão de jogo e incoerência nas convocações resultaram em eliminação ainda na primeira fase da Copa América Centenário nos Estados Unidos. A era Dunga chegava mais uma vez ao fim e, desta vez, não havia mais como adiar a união entre Tite e a Seleção Brasileira. O convite foi feito, o treinador se desligou do Corinthians e se apresentou como solução para trazer de volta o respeito e a alegria ao futebol do país. Muitos queriam que o treinador já estivesse à frente do grupo olímpico em busca do ouro inédito no Futebol Masculino, mas o jeito Tite de ser permitiu que Rogério Micale continuasse o trabalho de anos com a seleção de base. O resultado positivo veio, o ouro estava no peito, mas não havia mais tempo para comemoração. O legado de Dunga tinha deixado o Brasil em situação difícil nas Eliminatórias e o desafio era difícil por demais: vencer o Equador que estava muito bem e ainda contava com seu velho aliado, a altitude, talvez principal responsável pelo tabu de 33 anos sem vitória brasileira em Quito.

Mas o Brasil de Tite sorriu, o clima parece ser outro, o melhor lateral esquerdo do mundo – Marcelo –, que inexplicavelmente não fazia parte das convocações anteriores, tomou de volta sua camisa 6 e fez grande atuação. Neymar não parecia uma estrela solitária e único responsável por todo o time, prova disso é que o nome do jogo foi o menino Jesus. Gabriel marcou dois gols e o Brasil venceu por 3 a 0. Mais que a vitória e os três importantes pontos, trouxe uma nova esperança ao torcedor brasileiro: a de que um certo Adenor poderá nos guiar por um bom caminho.

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Amante do futebol, skatista há mais de uma década, entusiasta de automobilismo e apreciador de esportes em geral. Acompanha os principais eventos esportivos nacionais e internacionais, muitos deles "in loco", para absorver melhor as emoções e repassa-las com maior riqueza de detalhes.