ESPORTES: Última escala Brasil – Por que o país do futebol não atrai os craques da bola?

Quando o ano chega ao fim e com ele a temporada do futebol brasileiro, inaugura-se um novo capítulo: as especulações do mercado da bola. Torcedores de todos os clubes sonham com nomes de peso, grandes contratações que acirram a disputa e a rivalidade mesmo antes de a bola rolar. Os mercados se abrem, as redes sociais se agitam e a todo tempo novas “notícias” surgem como verdades. O torcedor cobra do dirigente uma contratação de peso, deseja que seu time invista em grandes craques e se isso não acontece já fica de bronca e sopra a corneta para reclamar. E o brasileiro tem razão!

Na última semana o mercado se agitou com a negociação do Corinthians com Didier Drogba. O marfinense ainda é um nome de peso internacional, entretanto não mais cobiçado pelas grandes metrópoles da bola. Drogba colecionou gols importantes, espaço na mídia e uma carreira repleta de expectativas que não se concretizaram por completo. Uso o exemplo do africano para mostrar que, quando a janela internacional se abre ao Brasil só sobram os restos, com o perdão da palavra, e a culpa é nossa.

Todos sabemos que o futebol europeu é o mais valorizado do mundo. O velho continente é o destino predileto dos melhores boleiros e o suprassumo técnico do esporte mais amado do planeta. Mesmo os nossos jovens que estão a caminho do profissional jogam com o sonho de uma terra distante. Mas outros mercados têm um grande poder de investimento, em especial o mercado chinês que paga absurdos para contar com grandes craques em sua questionável liga.

A China investe muito e, por diversas razões, algumas nobres, como a popularização do esporte no país e a tentativa de se tornar a longo prazo uma grande seleção, outras nem tanto, como a lavagem de dinheiro de negócios escusos para pagamentos de altos salários. Mas não é só a China que leva os grandes astros do futebol internacional para jogarem em sua liga, países que nem estão dispostos a investir e fazer tantas loucuras por um jogador também saem na frente do Brasil na hora de o jogador escolher seu destino. Muitos preferem estar em campeonatos de baixíssimo nível e com salários não muitos maiores do que aqueles pagos aqui a jogarem nos nossos grandes clubes. Por quê?

A desorganização do nosso futebol e a má fama em relação aos pagamentos afastam os jogadores e o prestígio internacional do Brasil. Muitos deles sonham em jogar o Brasileirão ou uma Libertadores pelos nossos clubes, mas os boleiros se falam e entre eles é nítida a impressão de que os nossos clubes não costumam arcar com os compromissos firmados. A liga americana (MLS) é um destino muito mais atraente aos jogadores, mesmo sendo inferior tecnicamente, porque os atletas e empresários sabem que os compromissos serão arcados. Destinos como Coreia do Sul, Ucrânia, Turquia, Japão e até países do Oriente Médio são a primeira escala dos grandes astros que deixam os principais clubes da Europa. O país do futebol e pentacampeão do mundo se estabelece como uma das últimas opções das estrelas.

Uma organização e modernização do futebol brasileiro pode dar ao país um outro patamar no mercado da bola e, consequentemente, em nossos campeonatos. Não é só uma questão de economia que afasta o craque internacional do país do futebol, mas a falta de profissionalismo e a incompetência de nossos cartolas.

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Amante do futebol, skatista há mais de uma década, entusiasta de automobilismo e apreciador de esportes em geral. Acompanha os principais eventos esportivos nacionais e internacionais, muitos deles "in loco", para absorver melhor as emoções e repassa-las com maior riqueza de detalhes.