ESPORTES: Ser técnico profissional no Brasil é quase um ato de altruísmo

O imaginário popular às vezes é cruel com muitos profissionais em nosso país. Ser treinador de futebol, basquete, vôlei ou qualquer outro esporte coletivo que ocupe algum espaço midiático pode, à primeira vista, parecer um grande negócio. Entretanto, os excelentes contratos de trabalho, ações publicitárias lucrativas e reconhecimento social fazem parte da realidade de uma minoria já consagrada e o merecido sucesso alcançado por alguns não deve ludibriar à sociedade, evitando que se discuta a real situação dos treinadores profissionais no Brasil.

Projetos de interesse da classe foram aprovados neste ano pela Câmara dos Deputados, com ênfase nos direitos trabalhistas do treinador de futebol e também dando preferência aos profissionais formados na área de educação física (Projeto de Lei 7.560/14). Nas últimas semanas, o assunto novamente ganhou espaço quando a Comissão de Assuntos Sociais do Senado (CAS) aprovou o Projeto de Lei 552/2013, que também trata dos interesses dos técnicos, mas desta vez não apenas contemplando o treinador de futebol, mas os profissionais de todas as modalidades esportivas coletivas, além de permitir maior acesso de ex-atletas à profissão, não necessariamente com formação acadêmica.

Não é preciso se debruçar nas leis ou fazer grandes esforços de pesquisa para compreender que a maioria dos profissionais que se dedicam ao esporte no Brasil vivem em sua grande maioria desamparados e, se não fazem parte do seleto grupo de determinada modalidade esportiva, estão jogados a própria sorte.

Conseguir um contrato com uma federação esportiva ou um órgão público é, na maioria das vezes, o melhor negócio. Os clubes desestruturados e com grandes dificuldades financeiras, não raro, deixam de cumprir os compromissos firmados em contrato e quando o profissional não tem outra saída, senão a de buscar a Justiça do Trabalho, descobre que seu processo se juntará a dezenas, às vezes centenas de outros que já se acumulam.

A importância deste profissional para a formação de uma sociedade mais equilibrada e, ainda, na construção histórica e cultural de um povo é enorme, visto que em países emergentes como o nosso o esporte é muita das vezes a única opção viável para muitos jovens. Para estes cidadãos em formação, a figura do técnico é, talvez, a única referência de autoridade que eles verdadeiramente reconhecem como tal. Assegurar boas condições de trabalho a esta figura é, certamente, boa maneira de transformar o país através do esporte.

Portanto, além das garantias que o Estado tem se movimentado para dar aos técnicos profissionais no Brasil, é preciso melhor compreensão da importância dessa profissão em nosso seio social e melhor conhecimento acerca dela. É fato que não podemos fazer grandes coisas individualmente para transformar alguma realidade nesse meio, mas podemos começar por entender que não só de “publicidade Bernardinho” ou de “salários Felipão” vive o técnico profissional brasileiro.

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Amante do futebol, skatista há mais de uma década, entusiasta de automobilismo e apreciador de esportes em geral. Acompanha os principais eventos esportivos nacionais e internacionais, muitos deles "in loco", para absorver melhor as emoções e repassa-las com maior riqueza de detalhes.