ESPORTES: Se gritar pega ladrão…

E a nossa última fagulha de esperança acaba de se deteriorar com a indicação do novo presidente da CBF feita por Marco Polo Del Nero, que até então ocupava o cargo. Esse foi o último recurso utilizado pelo antigo presidente para garantir que a sua “turma” continue na gerência da entidade. Sob forte investigação da CPI do Futebol na Câmara dos Deputados, do FBI e do comitê de Ética da FIFA, Del Nero preferiu se licenciar do cargo e passar o bastão para alguém de confiança, a ser exonerado e não poder fazer qualquer indicação.

Pois bem, o novo presidente da entidade gestora do nosso futebol é o consagrado deputado federal Marcus Antônio Vicente, que presidiu a federação capixaba por apenas 19 anos – período em que nenhum clube do estado conseguiu disputar a primeira divisão nacional. Além desse insucesso, o Espírito Santo perdeu uma de suas vagas na Copa do Brasil por não estar nem entre os 22 melhores no ranking de federações da CBF. Mais uma façanha para o currículo do atual presidente aconteceu em 2001, quando a sua gestão foi acusada de passar seis anos sem fazer nenhum registro contábil e recolhimento de impostos. Curiosamente, foi nesse período que Marcus Antônio atuou paralelamente como vice-consultivo da CBF, que ainda era gerida por Ricardo Teixeira.

Só para entendermos melhor a situação: caso Marco Polo seja banido quem assume o seu posto é o vice de maior idade, que, atualmente, é Delfim Peixoto, opositor da situação (governada por Ricardo Teixeira, Jose Maria Marin e Marco Polo Del Nero, todos envolvidos em problemas judiciais após o escândalo da FIFA). Então, para que isso não ocorra, Del Nero se licenciou antes que fosse exonerado e, assim, poder indicar alguém de seu agrado. E mais, a CBF convocou para o próximo dia 16 eleições para o cargo deixado por Marin (preso). O candidato para o posto será o Coronel Nunes, que preside a federação paraense há 33 anos e possui 79 anos – idade superior a do oposicionista Delfim Peixoto e que anula as suas chances de comandar a CBF.

Diante de todo esse mar de lama, o mais prejudicado é o futebol brasileiro. Reflexo disto foi a rescisão contratual da patrocinadora P&G com a CBF. E como não existe nada tão ruim que não possa piorar, outras patrocinadoras como Emirates, Sony, Johnson & Johnson, Castrol e Continental já decidiram também abandonar o barco. Já Budweiser, Visa e McDonald’s cobram mudanças drásticas no comando.

Só nos resta aguardar as próximas cenas dessa novela que não possui nenhum mocinho, mas está recheada de vilões que insistem em ser protagonistas há mais de 25 anos.

Comentários

Lucas, Cabelo e até Lucão (juro!). Único filho homem em uma família com duas irmãs que, assim como todo brasileiro, também sonhava em ser jogador de futebol. Tão talentoso que do campo foi para o sofá e do sofá para o teclado. Hobbie? Bola. Seja redonda ou oval, grande ou pequena, com ou sem costura; a emoção é sempre a mesma!