ESPORTES: Samba de Roda: A Seleção de volta aos braços do povo

Sempre acreditei e defendi que a Seleção Brasileira é o maior patrimônio cultural do povo de nosso país. Não há carnaval, movimento artístico ou esportivo que mobiliza e identifica tanto o brasileiro como torcer pelo nosso Brasil em uma Copa do Mundo. Sabendo disso, a cerca de um mês escrevi neste mesmo espaço sobre “Um Certo Adenor”. Naquele texto eu celebrava a escolha da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) por Tite, um acerto da entidade após tantos escândalos e equívocos que culminaram para muito além do vexaminoso 7 a 1. Tite era quase unanimidade entre os brasileiros, seu carisma e competência contrastavam com as imagens ranzinzas e os péssimos trabalhos de seus antecessores Mano Menezes, Felipão e Dunga. A única semelhança de Tite para os outros três se dá no fato de todos serem gaúchos.

Inegavelmente, Mano Menezes hoje está em um patamar muito acima que Felipão e Dunga, e, para muitos, sua demissão foi equivocada, pois aconteceu exatamente no momento em que seus selecionáveis jogavam o melhor futebol sobre seu comando, ironicamente sua demissão aconteceu após um título, o que não é muito usual no futebol. O Brasil venceu o Superclássico das Américas vencendo a Argentina em Buenos Aires nos pênaltis, mesmo com o resultado que deu a taça para o Brasil, Mano foi demitido e começou a era Felipão que culminaria no maior vexame da história do futebol brasileiro no Mineirão contra a Alemanha, na Copa do Mundo de 2014.

Quando Felipão caiu se esperava uma grande reformulação no nosso futebol, a começar pelo comando técnico, era preciso dar um passo à frente, mas demos vários passos para trás ao insistir no retorno de Dunga e seu futebol duro, retrógrado e ineficiente. A imprensa esportiva fez cara feia, o povo torceu o nariz e sei eu que muitos jogadores se desanimaram e não viam com bons olhos a insistência dos comandantes da CBF em entregar nosso futebol pra gente como eles, ultrapassada e incompetente. Era óbvio que não ia dar certo, óbvio que não deu. Os vexames do junta-junta de Dunga se somaram aos dos seus sucessores, a coisa ficou insustentável e o povo já nem queria mais saber da Seleção que outrora fora seu grande orgulho. Não tinha mais jeito, alguém tinha que limpar toda aquela bagunça! Era a hora de Tite, era a hora do povo voltar a sorrir.

A casa estava bagunçada por demais, e a faxina completa irá demandar um longo tempo. Mas já está sendo feita, a competência e os conhecimentos de Tite têm adiantado por demais o processo, como se pôde perceber na última quarta-feira, naquele mesmo Mineirão em que sofremos o maior revés de nossa gloriosa história futebolística, vencemos com muita autoridade a seleção argentina, numa partida irretocável taticamente. O 4-1-4-1 implantado pelo treinador desde os seus tempos de Corinthians está sendo implantado com muita maestria também na Seleção, onde evidentemente ele conta com peças muito melhores, se defende muito bem sem a bola e quando precisa coloca o adversário na roda, num samba de roda à brasileira. A proximidade das linhas tanto para atacar, quanto para defender mostram a aplicação dos jogadores e o quanto eles entendem o que o comandante quer e se entregam para realizar.

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Para além do “tatiquês”, a imagem mais importante que fica da grande exibição na quarta-feira e nos últimos jogos é a de Tite correndo para os braços dos jogadores após o gol de Paulinho, assim como a Seleção com ele correu de volta para os braços de seu povo!

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Amante do futebol, skatista há mais de uma década, entusiasta de automobilismo e apreciador de esportes em geral. Acompanha os principais eventos esportivos nacionais e internacionais, muitos deles "in loco", para absorver melhor as emoções e repassa-las com maior riqueza de detalhes.