ESPORTES: Rogério “mito” Ceni

Todos tem goleiro, mas só o São Paulo tem Rogério. Um dos poucos bordões que é unanimidade até mesmo pelos rivais. E tamanho prestígio não é por menos, Rogério foi além de sua competência, e não satisfeito em evitar gols, o camisa número um passou a fazê-los também. A história do goleiro são-paulino não é marcada apenas por títulos e recordes, mas também pelo seu carácter e liderança.

Também conhecido como “mito”, Rogério começou sua carreira em Sinop e após um ano se transferiu para o tricolor paulista, quando tinha 17 anos. O currículo do goleiro é um tanto quanto invejável: 3 Brasileiros, 3 Paulistas, 2 Mundiais, 2 Libertadores, 2 Recopas, 1 Torneio Rio-São Paulo, 1 Supercopa, 1 Conmebol, 1 Sul-Americana e um Campeonato Mato-Grossense. Possuindo 16 títulos ao longo de todos os seus 25 anos no São Paulo – mais até que muitos clubes grandes no futebol no mesmo período, como Grêmio, Atlético, Palmeiras, Santos e Vasco. E se contarmos apenas títulos internacionais ele se torna imbatível. Também é recordista em jogos feitos por um mesmo time (1237 jogos), sendo 978 como capitão e 131 gols marcados (61 em cobrança de faltas e 69 batendo pênaltis), todos no Guinness Book.

Alguns costumes de Rogério o tornaram ainda mais especial. Sempre foi o primeiro e último a sair dos treinos e esse costume foi crucial para Muricy Ramalho determinar Ceni como batedor oficial pela primeira vez. Ele alegou que ninguém treinava faltas na época e só queriam sair correndo para casa quando o treino acabava, enquanto Ceni ia treinar as cobranças. O goleiro também sempre passou horas no departamento médico sem nem mesmo estar machucado só para dar aquela força a mais para quem lá estivesse.

Agora fora dos gramados, o futuro do “Mito” é incerto: se vai ser treinador, diretor ou até mesmo presidente. O que realmente sabemos é que o maior goleiro artilheiro acaba de se aposentar. O fim de uma história gloriosa e incontestável, até pra mim, que desenvolvi uma antipatia e raiva por ele ter feito tantos gols em meu time do coração – o Cruzeiro. Tivemos encontros inesquecíveis, principalmente no Mineirão, e o balanço final é que perdi mais que ganhei. Entretanto, fico extremamente feliz em saber que “eu” tirei em uma virada histórica com dois gols nos minutos finais, o único título nacional que Rogério não ganhou em sua carreira. Mesmo que, ainda assim, o saldo seja negativo, o que antes era ódio misteriosamente será saudade amanhã.

Comentários

Lucas, Cabelo e até Lucão (juro!). Único filho homem em uma família com duas irmãs que, assim como todo brasileiro, também sonhava em ser jogador de futebol. Tão talentoso que do campo foi para o sofá e do sofá para o teclado. Hobbie? Bola. Seja redonda ou oval, grande ou pequena, com ou sem costura; a emoção é sempre a mesma!