ESPORTES: Peñarol, um exemplo a ser seguido

Podemos considerar o Club Atlético Peñarol como um gigante distinto. Diferente por toda sua bela história de conquistas e grandes feitos, mas também por não ter perdido a audiência e estar sempre em evidência mesmo ao longo desses últimos anos onde o futebol apresentado está longe do que foi nos últimos tempos.

Quem é considerado, hoje, um time mediano na América Latina detém três títulos mundiais, cinco Libertadores da América, quarenta e sete títulos nacionais e uma “hinchada” como poucos.

Na segunda-feira, 28 de março, o Peñarol inaugurou seu estádio, Campeón del Siglo (campeão do século entre os sulamericanos no século XX, prêmio atribuído pela IFFHS), para 40 mil torcedores ao custo aproximado de US$ 40 milhões (quase R$ 150 milhões). Para não gastar além do que poderia, o clube preferiu manter os desenhos tradicionais e, por isso, a predominância das arquibancadas de concreto (apenas uma das laterais possuí cadeiras).

Esses números assustam, e muito, ao se comparar com os valores dos estádios “padrão Fifa” construídos no Brasil para a copa de 2014. Se pegarmos como exemplo o estádio do Corinthians, o gasto foi quase oito vezes superior. Sendo que a capacidade de ambos é bem parecida (cerca de 40 mil lugares). O que evidencia, e muito, que sem os requisitos luxuosos que a Fifa nos “impôs”, gastos exorbitantes e desnecessários, é possível erguer um patrimônio que orgulhe a torcida sem deixar o clube atolado em dívidas para serem pagas até “Deus sabe-se lá quando”.

E foi dessa maneira que o clube uruguaio ergueu seu novo estádio. Com auxílio da Tenfield (empresa que também estampará o naming rights pelos próximos 15 anos). As cifras parecem irreais quando comparadas com o R$ 1,150 BILHÃO na construção da arena Corinthians. Ou seja, os carboneros gastaram menos de 13% do dinheiro investido pelo clube paulista. Outra curiosidade bem bacana é o nome de batismo do estádio: Campeón Del Siglo foi escolhido por meio de votação entre os próprios torcedores.

Na festa de inauguração, o Peñarol convidou o River Plate-ARG para ser seu adversário, e, em meio a um primeiro semestre trágico dos carboneros, a vitória de 4×1 em cima do atual campeão sul-americano serviu de alento para sua massiva e fiel torcida. Como é bom ver o respeito sobre a história prevalecer em meio à “modernização do futebol sulamericano”. Refiro-me aos fogos, fumaça e bandeiras tremulando do início ao fim do jogo, trapos espalhados pelo estádio, como no velho centenário que, por décadas, abrigou os jogos do Peñarol. Os uruguaios mostram que é possível ter um estádio novo sem rasgar sua história, sem pisar em sua cultura, sem mudar o comportamento único que escreveu as páginas dessa linda e bela história que é a marca e orgulho de um povo.

A saudade que tenho não é do velho futebol, é da velha paixão que ainda palpita, porém, apartada e contida por regras e “mimis” que nos reduzem a meros telespectadores sentados coibidos em dizer “uh” ou “ah” em situações de perigo no decorrer do jogo.

LEIA OUTROS ARTIGOS DA COLUNA “ESPORTES”

Comentários

Lucas, Cabelo e até Lucão (juro!). Único filho homem em uma família com duas irmãs que, assim como todo brasileiro, também sonhava em ser jogador de futebol. Tão talentoso que do campo foi para o sofá e do sofá para o teclado. Hobbie? Bola. Seja redonda ou oval, grande ou pequena, com ou sem costura; a emoção é sempre a mesma!