ESPORTES: Obrigado Kobe

Fim de uma história repleta de suor e conquista. Passaram-se 20 anos desde sua estreia na NBA e, infelizmente, esta foi a última temporada em que iremos ver Kobe Bryant jogando basquete profissionalmente.

Sim, já se passou alguns dias desde sua espetacular despedida, na qual anotou 60 pontos e se tornou o jogador mais velho a atingir essa marca, mas, por ter sido um laker, tenho mais mágoas e ódio fresco em minha memória por ter que ver meu time sucumbir várias e várias vezes pelas mãos de Kobe. Por isso, precisei de um certo tempo para mudar a figura desse temido rival para um benfeitor do basquete.

Certamente Black Mamba, como era conhecido, criou muita antipatia durante toda sua carreira pelo seu espírito competitivo e sua gana de vencer; entretanto, é incontestável seu amor pelo basquete e sua dedicação para alcançar a vitória. Kobe sempre foi especial! Com 17 anos, foi o atleta mais jovem a entrar na NBA, saindo direto da High School sem sequer passar pelo “college”, que é o mesmo que a faculdade aqui no Brasil (o que acabou sendo posteriormente proibido pela NBA), venceu cinco títulos da liga, 18 vezes all star da liga, 12 vezes no time de melhores defensores da liga, e foi o único jogador a atuar mais temporadas por uma única equipe. Ufa, até perdi o fôlego e olha que deixei de citar vários de seus recordes.

Sem mais delongas, me rendo a espetacular carta escrita nos Estados Unidos por um torcedor do Boston Celtic (maior rival dos Lakers na NBA tendo 12 finais disputadas e são as duas franquias de maior história e títulos da liga), e finalizo traduzindo esta carta como prova de que o ódio e amor são realmente sentimentos entrelaçados.

“Caro Kobe: Uma carta de um torcedor dos Celtics

Caro Kobe Bryant,

Eu te odeio.

Você pode me culpar? Como torcedor dos Celtics eu tenho ido contra você por duas décadas. Eu fiquei muito feliz em sua agonia quando meu Celtic ganhou de você nas finais de 2008. Paul Pierce merecia isso mais que você. Você já tinha três anéis de campeão nesse ano.

Mas só três não foi suficiente para você. Você teve sua revanche e conquistou seu quinto anel em 2010 enquanto rasgava meu coração de sofrimento. Espero que saiba o quanto você teve sorte por Kendrick Perkins ter ficado fora daquele último jogo daquela final.

Li sua carta de despedida hoje e fiquei chocado. Não por você ter anunciado sua aposentadoria – nós já sabíamos disso. Eu fiquei chocado por como sua carta me comoveu.

Em minha mente eu sempre associei você e Derek Jeter juntos. Você é o jogador que nós, como torcedores dos Celtics, odiamos cruelmente, mas o respeitamos. Você jogou e fez o jogo certo – com paixão, orgulho e profissionalismo.

Você foi um estudante de basquete que perseguiu a glória trabalhando mais duro que qualquer outro. Você se tornou um ícone absoluto de seu respectivo esporte. Você abraçou todos os desafios. Você deu o seu máximo. Você “pôs o seu na reta”. Você sabia como vencer. Você é respeitado nesse esporte, em sua profissão, e em sua rivalidade com o Boston.

Trinta de dezembro marca a última vez em que você jogará em Boston. Essa também é a última oportunidade para nós, torcedores do Celtics, saudarmos nosso time para vitória contra o indiscutível jogador mais dominante na história de Celtics e Lakers.

Venha com o que sobrou de nossa dominante rivalidade na NBA. Talvez algum dia isso se reacenda por algumas novas gerações. Talvez não.

Então, quando vier ao nosso estádio no mês que vem, espero que a galera faça você se sentir no inferno. Espero que assobiem mais do que fizemos nas finais. Espero que erre todo e qualquer lance livre. Espero que você nunca se esqueça como é ser encurralado por 17 mil torcedores sangrando verde e gritando. Tudo isso para vê-lo falhar pela última vez.

Espero que vençamos o LA mais uma vez. E quando o jogo estiver quase acabando e nosso time tiver 20 pontos à frente do seu, eu acho que algo bonito irá acontecer.

Cada um no ginásio vai parar com as vaias. Iremos reverenciá-lo e mostrar respeito da forma mais barulhenta, na mais apaixonante forma de louvar que tenha visto. Iremos gritar seu nome. Iremos enxugar nossos olhos. Vamos dizer nossas singelas despedidas.

Eles dizem que nunca realmente sabemos o que fizemos até termos terminado. Então antes de você ir, eu só quero lhe dizer obrigado por ter sido mais que um jogador de basquete. Por toda geração de fãs da NBA, você é o basquete.

Eu não posso imaginar que estou dizendo isso… mas vou sentir saudades sua.

Amo (e odeio) você sempre,

De um fã dos Celtics do qual nunca o apreciou o suficiente. ”

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Lucas, Cabelo e até Lucão (juro!). Único filho homem em uma família com duas irmãs que, assim como todo brasileiro, também sonhava em ser jogador de futebol. Tão talentoso que do campo foi para o sofá e do sofá para o teclado. Hobbie? Bola. Seja redonda ou oval, grande ou pequena, com ou sem costura; a emoção é sempre a mesma!