ESPORTES: O Coronelismo do Futebol Brasileiro prejudica você

A expressão “futebol moderno” já cria repulsa aos torcedores clássicos do maior esporte do planeta. Na famosa rua Javari, no bairro da Mooca, em São Paulo, este fantasma da modernidade é atacado em letras garrafais por uma das torcidas mais charmosas do Brasil: os juventinos, como é conhecida a torcida do Clube Atlético Juventus, que incita “Ódio eterno ao futebol moderno!” – e eles tem boas razões pra isso.

Nas últimas décadas mudamos a forma de estar no mundo e participarmos dele. As evoluções e revoluções tecnológicas nos proporcionaram uma maneira diferente de lidarmos com as nossas relações sociais, aproximando o que está mais longe e por vezes afastando o que estava antes tão perto. O modelo de torcedor também se modificou, não raro, encontramos jovens brasileiros que nunca saíram de nosso país e jamais tiveram contato pessoal com a cultura européia, mas são torcedores do Barcelona, Milan, Manchester United, Chelsea ou do Real Madrid. Assistem a todos os jogos dos grandes clubes europeus pela TV a cabo e também pela internet. Para eles, o Juventus de Turin está mais perto e acessível que o nosso Juventus da Mooca.

Os clubes europeus gostam de estarem expostos ao redor do globo, porque sabem que isso, além de aficionados torcedores nos cantos mais distintos da Terra, lhes rendem dinheiro, muito dinheiro. A organização impera no velho mundo, mas a burocratização não. Eles usam a modernidade ao seu favor, aproximando o público e não afastado quem quer participar da festa.

Na contramão da boa modernidade o futebol brasileiro, assisti ontem em Curtiba uma das mais bizarras demonstrações do coronelismo que ainda impera no futebol nacional. A partida entre Atlético/PR e Coritiba, o Atletiba, clássico mais importante do Estado do Paraná, simplesmente não aconteceu porque a Federação Paranaense de Futebol, defendendo a interesses estranhos, não permitiu que a bola rolasse. A cena foi patética, os dois times alinhados e uniformizados prontos pra rolarem a bola, um estádio moderno e de Copa do Mundo com mais de vinte mil torcedores e nada de futebol.

Sem bola não tem jogo e sem jogadores também não é possível viver o espetáculo, mas a arbitrariedade da Federação Paranaense expôs ontem que é preciso bem mais que futebol para se fazer futebol. Gente que se acha dona do esporte é incapaz de pensar com a cabeça fora de seu próprio bolso ou umbigo. Os dois grandes do Paraná resolveram de maneira inteligente e a frente de nosso tempo (pelo menos aqui no Brasil) transmitir o clássico via internet, de forma gratuita para os internautas – era um grande passo e uma ótima ideia. Entretanto, não deu certo porque aqueles que forjaram o futebol moderno não aprovam certas modernidades.

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Amante do futebol, skatista há mais de uma década, entusiasta de automobilismo e apreciador de esportes em geral. Acompanha os principais eventos esportivos nacionais e internacionais, muitos deles "in loco", para absorver melhor as emoções e repassa-las com maior riqueza de detalhes.